[[legacy_image_343057]] A procura por vacina contra a dengue na Baixada Santista tem crescido em farmácias e clínicas particulares que oferecem o imunizante. Na rede pública de saúde da região, a vacina ainda não está disponível. Procuradas, as prefeituras informaram que ainda não foram notificadas pelo Ministério da Saúde sobre a chegada do imunizante. Somente em uma rede de drogarias que possui o serviço de vacinação na região, houve um crescimento de 400% entre janeiro e fevereiro. Em clínicas particulares, também foi verificado o aumento na procura pela vacina Qdenga, desenvolvida pelo laboratório japonês Takeda. Na clínica Mar Saúde, em Santos, já não há mais primeiras doses para serem aplicadas. Vale lembrar que o imunizante é tomado em duas doses, sendo a segunda aplicada cerca de três meses após a primeira. De acordo com Márcia Faria Rodrigues, médica responsável pelo posto de vacinação da clínica, muitas pessoas têm procurado a vacinação após a repercussão dos casos de dengue na mídia. Entretanto, a reatividade da população na procura pelo imunizante fez com que muitas pessoas não conseguissem a primeira dose antes de ela se esgotar. “Há um aumento de procura imenso, e o que tem que ficar de lição em termos de vacinação é que temos que manter as vacinas em dia e sermos proativos, e não reativos, porque quando acontece um surto de doença, a demanda aumenta”, pontua a médica. CidadesNo Estado de São Paulo, as 11 cidades da região do Alto Tietê são as únicas que receberam o imunizante do Governo Federal. Na Baixada Santista, as prefeituras, que foram consultadas por A Tribuna, comunicaram que aguardam uma manifestação do Ministério da Saúde a respeito do envio das doses, o que ainda não aconteceu. Duas cidades da região decretaram, recentemente, estado de emergência em saúde pública devido à doença: Praia Grande e Bertioga. Portanto, ainda não há previsão de quando a vacina contra a dengue estará disponível na rede pública local. Segundo o Ministério da Saúde, todo o estoque disponível de vacinas contra a dengue foi adquirido em 2024 e 2025. Neste ano, o País receberá 5,2 milhões de doses, além de uma doação de 1,3 milhão de doses, que permitirão a vacinação de 3,2 milhões de pessoas com o esquema vacinal completo. Conforme a pasta, o avanço da campanha de vacinação é monitorado junto a estados e municípios. O Ministério da Saúde informa, além disso, que coordena um esforço nacional para ampliar o acesso às vacinas contra a dengue. A pasta afirmou que solicitou prioridade para esta ação e que vai atuar em conjunto com o Instituto Butantan e a Fiocruz para expandir a produção de vacinas para o Brasil. VacinaçãoEm 2024, o público-alvo das vacinas contra a dengue é formado por crianças e adolescentes de 10 a 14 anos de idade. Segundo o Ministério da Saúde, a escolha dessa faixa etária para receber o imunizante permite que mais municípios recebam as doses neste primeiro momento, dada a limitação do número de vacinas disponibilizadas pelo fabricante. De acordo com Roberto Focaccia, professor titular de Infectologia da Universidade Metropolitana de Santos (Unimes), embora o imunizante esteja disponível para pessoas entre 4 e 60 anos nas clínicas particulares, a faixa-etária preconizada pelo Ministério da Saúde representa o público em que a vacina foi mais eficaz no estudo de campo inicial realizado na Ásia. Segundo o infectologista, a vacina foi 80% eficaz contra os sorotipos 1 e 2 da dengue. No Brasil, há predominância dos sorotipos 1,2 e 3. “A eficácia do imunizante vai diminuindo com a idade”, adverte o médico, lembrando que a vacina ainda não foi testada em pacientes com mais de 60 anos. Há restrições, também, para outros públicos. “Pessoas com imunodeficiência, como pacientes com o vírus HIV, câncer ou usuários de drogas, não devem tomar essa vacina porque, além de não ter eficácia, ela pode trazer efeitos colaterais severos. A vacina é produzida com vírus vivos atenuados”, diz Focaccia. Cuidados básicos que não devem ser deixados de ladoMesmo com a vacina, especialistas reforçam a importância de manter os cuidados. “Neste momento de epidemia aberta, o mais importante do ponto de vista epidemiológico é o combate à proliferação do mosquito Aedes aegyptie, individualmente, usar repelentes do tipo Icaridina”, recomenda o infectologista Roberto Focaccia. Ele explica que o uso dos repelentes deve ser mantido mesmo durante o intervalo de três meses entre a aplicação da primeira e segunda doses da vacina. O Ministério da Saúde reforça que o momento pede união entre a esfera pública e a sociedade civil para a eliminação dos focos do mosquito transmissor da dengue. Além das ações adotadas pelo Governo Federal, estados e municípios, a pasta destaca que cuidados individuais como a limpeza das vasilhas de água dos animais e vasos de plantas evitando o acúmulo de água, o armazenamento de pneus e garrafas em locais cobertos, limpeza das caixas d'água estão entre as melhores formas de prevenção, visto que 75% dos focos do mosquito estão dentro e no entorno das casas. Para pacientes que apresentarem sintomas como febre alta, dor de cabeça, atrás dos olhos e nas articulações, a pasta indica que um serviço de saúde deve ser procurado imediatamente, de forma a evitar casos graves.