Terezinha Elizabeth aponta esforço e criatividade como características de uma profissão muito procurada (Vanessa Rodrigues/AT) Comprar roupas pela internet mudou os hábitos de consumo, mas não diminuiu a importância das costureiras. Pelo contrário. Barras, ajustes e reformas em peças que chegam com tamanho diferente do esperado têm mantido as máquinas funcionando em ritmo intenso em oficinas do Centro de Santos. Para quem vive da profissão, a demanda continua alta. O problema é outro: encontrar quem queira aprender o ofício e garantir sua continuidade. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Há 12 anos trabalhando no Centro, a costureira Maria Cristina dos Santos Nunes, de 59 anos, é prova de que a profissão continua rendendo frutos. Proprietária de uma oficina no bulevar da Rua João Pessoa, ela conta que conquistou uma clientela fiel, mas ainda recebe novos clientes praticamente todos os dias. Segundo a costureira, o crescimento das compras pela internet acabou fortalecendo esse mercado. “As compras nunca chegam 100%. Sempre tem um ajuste, uma barra para fazer, e é por isso que eles procuram as costureiras”, conta. Terezinha Elizabeth, de 53 anos, dona de uma oficina de costura na Rua Martim Afonso, confirma esse cenário. “Às vezes, vem uma noiva, que não está com uma condição financeira muito boa, e compra um vestido na Shein. Aí, ela quer bordar e fazer algo diferente, porque é o sonho dela se casar com um vestido bonito. Então, você tem que ser muito criativa.” Trabalho não para Terezinha também produz fantasias, roupas sob medida, peças de alfaiataria e figurinos para o Carnaval. Ela relata que, durante o dia, predominam as reformas, enquanto as noites costumam ser dedicadas à criação das peças especiais. As costureiras relatam que, além de trabalhar de segunda-feira a sábado, costumam continuar após o horário de serviço. Elas abrem mão do lazer para entregar o resultado esperado pelos clientes. “Muitas vezes, a gente deixa de sair e de viajar porque tem um compromisso para dar conta, porque a pessoa está esperando na data”, comenta Terezinha. Cristina: “As compras nunca chegam 100%. Sempre tem um ajuste” (Vanessa Rodrigues/AT) Falta mão de obra Apesar da procura constante pelos serviços, as costureiras compartilham uma preocupação: a dificuldade de renovar quadros. “Hoje em dia, os jovens não querem fazer, e as idosas também já pararam”, menciona Maria Cristina. Ela tentou incentivar as filhas a seguir o caminho da costura, mas nenhuma se interessou. Terezinha, porém, é otimista. “A profissão tem futuro, porque (quem costura) é um profissional de que as pessoas vão precisar sempre, e a moda está sempre inovando. É uma profissão em que a pessoa pode ir longe, se ela quiser.” Para ela, ser costureira exige estudo contínuo e especialização. “Sou costureira por vontade própria. É uma profissão maravilhosa, linda, que exige amor e dedicação. Se você não tem isso, não entra.” Além da habilidade técnica, a profissão exige responsabilidade e sensibilidade para lidar com as pessoas, diz Terezinha. “Quando você está aqui, você tem que ouvir as pessoas. Muitas vezes, a gente é psicóloga.”