A descoberta de que um filho está a caminho costuma vir acompanhada de uma mistura de sentimentos: alegria, medo, ansiedade e a sensação de que a vida vai mudar fazem parte da experiência de quem se torna pai pela primeira vez. Para Arthur Cunha, Emerson Elias Calixtrato e Giciel de Sá Oliveira, todos na faixa dos 20 anos, a chegada dos filhos trouxe novas responsabilidades, mas também, momentos que eles dizem ser impossíveis de comparar com qualquer outra experiência. Hoje, Dia dos Pais, os três vivem a data pela primeira vez nessa condição. Arthur, de 27 anos, é pai de Caio Mercês Cunha, de 7 meses. Emerson, também de 27, celebra a data ao lado da filha Laura Elias Calixtrato, de 6 meses e 20 dias. Giciel, de 23 anos, é pai de Tiffany Luara Santos de Oliveira, de 10 meses. A seguir, suas histórias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Arthur, morador do Jardim Casqueiro, em Cubatão, descobriu que seria pai depois de uma situação que começou ainda durante uma madrugada de trabalho. Operador de processos químicos em uma planta de ácido, ele havia acabado de chegar em casa quando recebeu uma mensagem da esposa, que lhe perguntava onde estava. Ao subir para o apartamento, encontrou a mulher chorando. Ela lhe entregou o teste de gravidez positivo e saiu correndo para a cama. Arthur ainda estava sonolento depois do turno, mas conta que a emoção veio imediatamente. A gravidez não era inesperada. O casal já havia decidido tentar ter um filho, mas a confirmação trouxe uma dimensão diferente para o desejo que os dois compartilhavam. “Para cair a ficha demora bastante. A gente queria, é uma coisa que eu sempre sonhei. Então, foi um dia muito feliz, que eu, com certeza, não vou esquecer.” Caio nasceu em janeiro deste ano. Desde então, a rotina do casal passou a ser organizada, principalmente, em torno dos horários do bebê. Arthur trabalha em turnos, a esposa também trabalha, e os dois contam com a ajuda das famílias deles para conciliar os compromissos. A rotina inclui horários para alimentação, sono e cuidados com Caio. Até atividades simples, como sair para um aniversário, precisam ser pensadas. O trabalho noturno também alterou a maneira como Arthur descansa. Em alguns momentos, ele aproveita os cochilos do filho para dormir junto. Para ele, porém, a presença de Caio ajuda a compensar o cansaço. “Às vezes, estou no trabalho e me pego pensando, imaginando como é que vai ser chegar em casa. Eu chego em casa, o menino já abre um sorriso, já começa a gritar. A recepção que a gente tem acaba dando energia.” A chegada de Caio também transformou a relação entre pai e filho. Arthur passou a aproveitar momentos sozinho com o menino, levando-o para passear, andar de bicicleta ou visitar o sítio da família, em Pilões. A experiência fez com que ele enxergasse o filho não apenas como alguém que depende dos pais, mas também como um companheiro. Para quem ainda pensa em esperar pelo momento ideal para ter um filho, Arthur diz que essa hora exata pode nunca chegar. Para ele, a experiência exige sacrifícios, mas também oferece uma recompensa que não consegue medir. “Não dá para a gente falar que é às mil maravilhas, porque no começo a gente sofre. Já são sete meses que eu não sei o que é dormir uma noite direto. Mas é um sentimento que não tem preço.” Se tivesse que resumir a primeira experiência como pai em uma palavra, ele escolheria esta: “aventura”. (Sílvio Luiz/AT) A história de Emerson, morador da Vila Valença, em São Vicente, começou de maneira diferente. Auditor de tecnologia, ele sempre teve vontade de ser pai. Ele e a esposa já estavam juntos há oito anos. O casal havia comprado apartamento e festejado o casamento. A confirmação da gravidez veio enquanto Emerson jogava videogame. Após insistir para a esposa fazer um teste, ouviu um grito vindo do banheiro: era a confirmação de que Laura estava a caminho. Dali, Emerson começou a pensar no quarto da filha, na escola e em tudo que gostaria de proporcionar a ela. E percebeu a responsabilidade que estava assumindo. “É um turbilhão de coisas ao mesmo tempo. Você já começa a pensar coisas positivas e, ao mesmo tempo, fica com aquele receio, porque é uma responsabilidade que vem para a gente.” A rotina da casa também mudou. Emerson trabalha de forma híbrida, mas passa a maior parte do tempo em home office. Isso permite que ele acompanhe de perto os cuidados com Laura e ajude a esposa nas tarefas do dia a dia. Reuniões de trabalho podem ser interrompidas para preparar algo para a filha, buscar leite ou ir à farmácia. Até o espaço utilizado pelo pai para trabalhar foi transformado. O quarto, que era escritório, “agora é todo rosa”. Entre os momentos mais marcantes, Emerson guarda o nascimento da filha e a primeira viagem dela à praia, em Porto de Galinhas, em Ipojuca (PE). Para o pai, a cena ganhou ainda mais significado porque estavam em família. O primeiro Dia dos Pais também será especial porque Emerson pretende passar a data ao lado de seu pai e da filha. Pela primeira vez, estará simultaneamente nos dois lados da comemoração. Além dos passeios, Emerson criou um ritual particular com Laura. Depois do banho, enquanto a esposa cuida da filha no trocador, ele pega o violão e canta para ela. A música se tornou parte da rotina da família. “É um ritual que a gente começou desde que ela nasceu.” Para Emerson, a paternidade também trouxe uma espécie de retorno à infância. Brincar, fazer vozes de personagens e acompanhar os desenhos passaram a fazer parte do cotidiano. Por isso, ao definir ser pai pela primeira vez, ele escolhe uma palavra: “mágico”. “A gente volta para a infância. A gente pega os brinquedos e faz vozes de personagens. Entra numa magia maravilhosa com a criança. Tirar o sorriso de uma criança, ainda mais por ser sua filha, é mágico.” (Divulgação) Aos 23 anos, o mecânico ferroviário Giciel de Sá Oliveira, morador da Vila Esperança, em Cubatão, já havia conversado com a ex-companheira sobre a possibilidade de ter filhos. Mesmo assim, quando descobriu que seria pai, a realidade da notícia trouxe um impacto diferente. Ele conta que sempre sonhou em ter uma filha e ficou feliz ao saber que teria uma menina. Tiffany Luara Santos de Oliveira hoje tem 10 meses. A gravidez fez Giciel rever prioridades. Ele precisou conciliar trabalho e faculdade com o acompanhamento da gestação e, depois, com os cuidados da filha. Também passou a olhar para os próprios hábitos de outra maneira. “Parei de beber, parei de sair, comecei a cuidar mais de mim, comecei a ter mais percepção dos sentidos da vida.” A mãe da menina teve dificuldades durante a gestação e precisou passar por um processo de indução do parto. Quando a filha nasceu, “chorei muito”. Pegá-la no colo e sentir o cheiro do bebê ficaram entre as lembranças que Giciel diz gostar de reviver. A rotina também trouxe desafios. Tiffany é descrita pelo pai como uma bebê que tem dificuldade para dormir e que pode ser bastante agitada. A situação o obrigou a desenvolver uma qualidade: paciência. A relação com a mãe de Tiffany também passou por mudanças. Os dois se separaram, mas mantiveram a união como pais. Giciel divide os cuidados com a filha conforme sua escala de trabalho e os horários da faculdade. De folga, aproveita o tempo com Tiffany para passear, brincar e acompanhar cada nova etapa do desenvolvimento da menina. “Quando eu ganhei minha filha, o meu tempo sempre foi dedicado a ela. Eu só queria ficar passeando com ela, queria ficar cuidando.” Ele também faz questão de participar dos pequenos aprendizados da filha, que está começando a andar. A família, segundo Giciel, também teve papel importante, apoiando a decisão dos dois de manter uma relação de pais unidos. Dos próprios pais, Giciel pretende levar ensinamentos para Tiffany. Da mãe, a honestidade e o senso de justiça. Do pai, a importância do trabalho e de conquistar as coisas pelo próprio esforço. E há uma tradição que ele já começou a construir antes mesmo do nascimento da filha: o Corinthians. Durante a gravidez, ele cantava músicas do clube para a barriga da companheira. Hoje, quando ouve o pai cantar, Tiffany reage com sorrisos e gargalhadas. Para Giciel, ser pai exige responsabilidade e disposição para mudar, mas não significa abandonar os próprios objetivos. “Não deixe de seguir a sua vida também. O seu filho vai ter um pouco do seu tempo, mas isso vai passar. O seu filho vai crescer também.”