Danilo com as duas lanchas, de Pelé e Ayrton Senna (Arquivo pessoal/ Danilo Iakimoff) A primeira lancha de Pelé e uma embarcação que pertenceu a Ayrton Senna unem duas das maiores lendas do esporte brasileiro em uma mesma história. O empresário Danilo Iakimoff restaurou a Kelly Cristina, primeira lancha do Rei do Futebol, o irmão produziu a réplica que hoje está em exposição no Museu Pelé, em Santos, no litoral de São Paulo, e anos depois, Danilo vendeu a embarcação de Pelé para adquirir a Pole Position, que pertenceu ao tricampeão mundial de Fórmula 1. (Veja fotos mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Kelly Cristina continua despertando a curiosidade de fãs e admiradores décadas depois de navegar pelo litoral de São Paulo. Batizada em homenagem à filha primogênita de Pelé, a embarcação ganhou uma maquete fiel, confeccionada e doada pelos irmãos gêmeos Danilo e Leandro Iakimoff, de 45 anos, que hoje pode ser visitada no Museu Pelé. Produzida na escala 1:10 (dez vezes menor do que a embarcação original), a peça exigiu 30 dias de trabalho de Leandro, arquiteto de profissão, que precisou inutilizar três versões antes de chegar ao resultado definitivo. "Apesar de estar acostumado a fazer maquetes, a Kelly Cristina foi um grande desafio, porque respeitei inclusive os defeitos da lancha. Tem até as manchas", explica. A maquete foi produzida em cedro, com casco em peroba-do-campo, reproduzindo a técnica escamada utilizada na construção da embarcação. "Tenho o maior prazer em pegar pedaços de madeira e transformá-los em uma obra de arte", destaca Leandro. -fotos maquete (1.522766) Como tudo começou A relação de Danilo com a Kelly Cristina começou em 2006. O empresário comprou a embarcação praticamente destruída por cerca de R\$ 10 mil e investiu mais de R\$ 100 mil em sua restauração. Ao pesquisar a história da lancha, descobriu que ela havia sido entregue a Pelé por uma marca, após o ex-jogador fazer o milésimo gol da carreira (no Maracanã, Rio de Janeiro, em 19 de novembro de 1969). Apesar de ter sido um presente ao Rei do Futebol, a embarcação permanecia em São Vicente e era utilizada com frequência por Dondinho, pai de Pelé, durante pescarias no litoral. Curiosamente, Danilo e Leandro não torcem para nenhum clube de futebol. "Somos do time Pelé", divertem-se os irmãos, que conheceram os feitos do Rei apenas pela internet, já que nasceram três anos depois da despedida do atleta dos gramados, em 1977. -lanchas album (1.522748) Embarcação cheia de histórias Construída em 1969 pelo estaleiro Carbrasmar, no Rio de Janeiro, a Kelly Cristina teve sua madeira cortada de acordo com as fases da lua. Durante dois anos, permaneceu em um sítio da família, em São Bernardo do Campo. Depois foi levada para o Píer 26, em Guarujá, onde ficou em um espaço cedido pela proprietária ao saber que a embarcação havia pertencido a Pelé. A restauração foi realizada por um marceneiro contratado no Sul. "Complicado foi recuperar o casco e o espelho da popa, porque havia muita madeira apodrecida", afirma Danilo. Mesmo restaurada, a lancha manteve suas características originais. As marcas dos cortes e da limpeza dos peixes continuam preservadas, lembrando o uso frequente que Dondinho fazia da embarcação durante suas pescarias diárias no litoral. Após três meses de restauração, a Kelly Cristina voltou ao mar propositalmente em 19 de novembro de 2009, data em que eram celebrados os 40 anos do milésimo gol de Pelé. O encontro com o Rei Com a restauração concluída, Danilo passou a expor a lancha em diversos eventos. Foi em um deles, em São Paulo, que conheceu Pelé, na inauguração da estação do metrô Santos-Imigrantes, em 30 de março de 2006. O Rei manifestou interesse em recuperar a embarcação. As negociações começaram por meio de um de seus empresários, pois a intenção era levar a Kelly Cristina para o Museu Pelé. O acordo, porém, nunca foi fechado. Segundo Danilo, Pelé pretendia receber a lancha como homenagem, da mesma forma que a havia ganhado anos antes pelo milésimo gol. Sem consenso sobre a negociação, surgiu uma alternativa. O irmão de Danilo, Leandro, que é arquiteto, produziu uma réplica fiel da Kelly Cristina, que foi doada, passou a integrar o acervo do Museu Pelé e permanece em exposição até hoje. De Pelé para Senna As exposições da Kelly Cristina acabaram mudando os rumos da coleção de Danilo. Foi durante um desses eventos que ele conheceu a proprietária da Pole Position, embarcação que pertenceu a Ayrton Senna. Sem condições de manter as duas lanchas, o empresário negociou a Kelly Cristina com um amigo colecionador, com quem ela permanece até hoje. E, em 2022, adquiriu a embarcação do tricampeão mundial de Fórmula 1. "Não que eu seja mais fã do Senna do que do Pelé, mas o Ayrton eu vi correr, é mais da minha geração. Pelé pra mim é um ídolo, sem dúvida, e ter apertado a mão dele foi uma grande honra, mas precisei fazer a troca das lanchas levado pela emoção. O Senna me tocava mais", explica Danilo. O empresário mantém um perfil no Instagram em homenagem ao tricampeão. Danilo ao lado de Sissa, primeira lancha de Ayrton Senna, adquirida quando ele entrou no mundo náutico (Arquivo pessoal/ Danilo Iakimoff) Mais outra A Pole Position também se tornou uma atração itinerante, mas atualmente está guardada e preservada. "Em contrapartida, acabei de adquirir um item maravilhoso, que é a primeira lancha do Ayrton Senna, a Sissa, feita no mesmo estaleiro da do Pelé, a Carbrasmar, em 1976. Ele a comprou quando começou na náutica". Mesmo reconhecendo o alto valor histórico das lanchas que pertenceram ao tricampeão, como um grande fã, Danilo afirma que não pretende vendê-las. Ele também possui alguns pequenos pertences de Senna, como uma luva. " Só uma mão mesmo, pois a outra foi perdida", detalha. Há ainda um scooter de mergulho antigo que o piloto usava na piscina da casa em Angra dos Reis (RJ). -link insta (1.522765) Serviço: A réplica da lancha Kelly Cristina pode ser vista no Museu Pelé, em Santos. O equipamento municipal possui um acervo doado pelo próprio ídolo, e reúne relíquias que ajudam a contar não apenas a trajetória do maior jogador de todos os tempos, mas a própria história do futebol mundial. Os visitantes podem saber sobre a infância de Pelé em Bauru, a chegada ao Santos FC, as conquistas com o clube, a carreira internacional e momentos marcantes pela seleção brasileira, além de apreciar itens pessoais. O museu fica no Largo Marquês de Monte Alegre, 1, no bairro Valongo, Centro Histórico de Santos. Funciona de terça a domingo, das 10h às 17h, com a bilheteria e entrada permitidas até as 17h30. O espaço fecha às segundas-feiras. A entrada é gratuita.