[[legacy_image_109071]] A Polícia Militar engrossa o coro dos que defendem a prevenção como a melhor medida para mitigar a entrada de adolescentes no universo das drogas. “Eles estão em uma idade em que os modelos são importantes. Se têm contato com o tráfico, com as drogas, com esse mundo, esse será o modelo a ser adotado”, diz a 1ª tenente da PM Fulvia Guisini, chefe da Seção de Comunicação do 6º Batalhão da PM na região (6º BPM-I). A Seção de Comunicação chefiada pela tenente responde pela aplicação e acompanhamento de um dos programas mais antigos da corporação no Estado, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (Proerd), criado em 1997. O programa tem um foco bem objetivo e definido: pré-adolescentes que estejam no quinto ou no sétimo anos do ensino fundamental, com faixa etária entre 12 e 14 anos, aproximadamente. E por que essa faixa etária para falar sobre drogas? Segundo a tenente Guisini, é a etapa da formação em que está deixando de ser criança e passando à adolescência, muito sujeitos a influências para o bem e para o mal. “Nosso objetivo não é só falar sobre o consumo de drogas, mas também sobre o que o tráfico pode causar”. Toda semana, essas crianças e pré-adolescentes têm alguma atividade, dentro da sala de aula, com um policial militar capacitado para abordar o assunto. “É como se fosse uma aula mesmo, de 60 minutos”. ComunidadesPor ano, cerca de 10 mil alunos das escolas estaduais, municipais e particulares quem mantêm ensino fundamental são beneficiadas pelo programa. Tenente Guisini diz que, embora o tráfico e a presença de traficantes no entorno de escolas sejam problemas de todas as cidades, há uma preocupação maior com comunidades carentes, bairros da periferia. “Nesses locais precisamos estar mais atentos porque, às vezes, falar sobre o traficante é falar sobre alguém que esses alunos conhecem, algum vizinho ou mesmo amigo. Procuramos mostrar que esse universo pode até trazer dinheiro, status dentro da comunidade e respeito mas que, logo, logo levará esse jovem para um destino ruim”. Tempo integralAdriana Cimini Ribeiro Salgado, juiza da Infância e Juventude em Santos, cita essa faixa etária como mais delicada também. “Pelos casos que vejo aqui, é quando começam a ter contato com traficantes, com as drogas e com as opções que têm nesse mundo do delito”. A juiza defende que haja mais escolas em tempo integral, para evitar que esses alunos, especialmente, fiquem ociosos no contraturno das aulas.