[[legacy_image_328403]] Investir em saúde é sempre um bom negócio. Por isso, muitas pessoas optam por ter um plano de saúde que possa recorrer em caso de necessidade, seja para consultas com especialistas, cirurgias ou internações. E pra falar mais sobre esse recurso, o presidente do Plano Santa Saúde, Augusto Capodicasa, responde algumas dúvidas sobre os benefícios da assistência médica particular. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O Santa Saúde conta com 700 funcionários, atende 130 mil beneficiários, sem contar aqueles que possuem o plano odontológico. Além disso, são 10 unidades distribuídas em cidades da Baixada Santista e, recentemente, foi lançada uma farmácia própria para os beneficiários. Falando de uma forma geral, tem sido anos desafiadores para todos os planos de saúde. Para você, que ocupa a presidência nesses últimos dois anos, qual é o maior desafio? Eu acho que o Brasil tem mais de 50 milhões de usuários de planos de saúde e a discussão principal nesses últimos dois anos é o aumento do custo da saúde, seja na parte de medicamentos, seja na parte de internações e exames. O desafio tem sido você conseguir promover a todos os nossos beneficiários o cuidado e a atenção com a saúde para que ele possa ter um equilíbrio nesse custo e possa manter o plano de saúde. Não há interesse das operadoras em não ter o beneficiário pagando e ele quer ter acesso a esse sistema. Portanto, esses últimos dois anos foram anos desafiadores para as operadoras com esse objetivo de tentar equilibrar os custos que vem aumentando, principalmente de medicamentos, seja em razão de novas tecnologias, novos exames que são colocados no mercado, como também no custo hospitalar. Avaliando tudo isso as operadoras vêm se empenhando em poder equacionar os valores. Quais serão os desafios do plano de saúde esse ano? Todo ano a gente tem desafios. Nós crescemos de forma importante, nos solidificamos no mercado e um dos desafios que nós colocamos dentro do nosso planejamento para 2024 é o de melhorar o relacionamento com o nosso beneficiário. Seja nos canais de comunicação, identificar quais são as nossas fragilidades, implantar com maior rigidez o compliance que nós já implantamos em 2022. Portanto, falo de ações importantes que tragam resultado direto para o beneficiário. O ano de 2023 foi de muito investimento, principalmente na unidade de São Vicente. Nós implantamos a unidade de São Vicente, que será referência para as outras unidades. Na unidade de São Vicente nós temos a mamografia, densitometria, ressonância, tomografia, ou seja, nós concentramos numa unidade a possibilidade de poder acolher o beneficiário para todos os seus exames. O que o plano saúde está fazendo para melhorar os agendamentos de exames e consultas? Esse é um grande desafio. Nós tivemos no ano passado um aumento importante de vidas e a gente não conseguiu aumentar na mesma proporção os canais de comunicação. Nós temos um sistema de agendamento eletrônico via WhatsApp e via site muito rápido. Nós estamos investindo esse ano na ampliação de pontos de atendimento. Hoje nós temos 50 pontos de atendimento ativos. Nós devemos aumentar mais 20 pontos, e teremos 70 pontos de atendimento por telefone, mas temos orientado os nossos beneficiários para aderir ao sistema eletrônico via Whatsapp, via o site, via aplicativo, porque através desses mecanismos digitais a comunicação é mais rápida, o beneficiário já recebe toda a informação, inclusive guias autorizadas. Eu queria que você esclarecesse também sobre quais são os benefícios nessas cidades onde o plano de saúde opera e se, em 2024, há projetos de ampliação para mais unidades. Hoje o plano atende de Bertioga a Peruíbe, essa é a nossa área de abrangência. Nós somos a operadora que tem o maior número de unidades próprias que atendem toda a região. Em 2024 nós teremos uma unidade em Cubatão e mais uma unidade em Guarujá. Então a gente cobre toda a região da Baixada Santista, oferecendo ao beneficiário acesso a exames e consultas. São Vicente tem uma unidade, Santos, cinco unidades, em Praia Grande outras duas unidades. Na cidade de Guarujá nós temos uma unidade e em Bertioga uma. A distribuição é feita de acordo com o que o beneficiário quer, porque eventualmente nós moramos e vivemos em uma região metropolitana. A pessoa trabalha em Cubatão, mas quer ser atendida em Santos, ou ela trabalha em Praia Grande e quer ser atendida em São Vicente. Então o agendamento fica por conta do próprio beneficiário, quando ele manda mensagem ou faz a ligação, já pode fazer o agendamento. Nós damos a nossa a disponibilidade e ele pode escolher. É natural que você tenha algumas escolhas. Por exemplo, às vezes tem aquele médico que ele está acostumado, que deseja manter, e ele se desloca de acordo com essa possibilidade. Algumas especialidades que você não tem médicos suficientes, por exemplo, oncopediatra, nós estamos vivendo um momento muito delicado, porque nós não temos um grande número de especialistas nessa área, então temos uma oncopediatra que atende na nossa unidade da Ana Costa [em Santos]. Temos na operadora o produto que é de rede credenciada, e temos uma rede muito grande de médicos. Por isso, é natural que às vezes a pessoa diga “olha, eu passava com o doutor 'x’ e ele não está atendendo mais”, mas não. Não é que ele não está atendendo mais, é que ele não está mais trabalhando. Porque o plano tem 30 anos, então, há 30 anos atrás ele entrou no plano, e quando passa todo um tempo como esse pode ser que o médico acaba se mudando, só atendendo particulares, por exemplo. Augusto, como o plano de saúde pode melhorar a comunicação com o usuário? Bom, nós temos o e-mail, SMS e WhatsApp. Então a gente conversa com esse beneficiário dessa maneira. Por isso é importante que ele mantenha sempre seu cadastro atualizado, porque se ele não atualizar, não é possível encontrá-lo. Nós também mandamos a cobrança do boleto via correspondência, mas hoje em dia as pessoas estão preferindo baixar os boletos no formato digital para evitar caírem em golpes ou algum tipo de fraude. Então a gente tenta ao máximo dizer ao nosso beneficiário que procure as informações nos nossos canais, seja através das redes sociais, como o Instagram, o Facebook, ou o próprio site, onde você encontra lá um universo de informações, e se quiser conversar com a gente diretamente, temos lá o canal de atendimento. Vocês têm um percentual de beneficiários em relação a idade? Quando essa diretoria assumiu a gestão do plano, ele tinha uma carga de beneficiários com mais de 59 anos muito grande, mas hoje ela está bem dividida. Nós temos, até 18 anos, algo em torno de 25% dos nossos beneficiários. Acima de 59 anos, algo em torno de 23% e distribuídos em 52% pessoas de 18 a 59 anos. Então nós ampliamos, porque é importante você ter uma distribuição adequada para que haja um equilíbrio nos custos. Se você tem muita gente acima de 59 anos, o seu custo fica mais alto. Na verdade, o segredo da operadora é conseguir manter uma sinistralidade adequada para que todo mundo tenha acesso, mas que também não fique inviável pagar o plano. Um setor que é superimportante é a prevenção. Chegar bem à terceira idade é o caminho ideal, não é? É verdade. Acho que o desafio das operadoras nos próximos anos é conseguir atrair o beneficiário para que ele entenda que a promoção e a prevenção são fundamentais. Nós fizemos uma campanha no ano passado e chamamos todas as nossas beneficiárias dentro de um perfil de idade, de características. Algo em torno de duas mil beneficiárias foram convidadas a fazer mamografia, além daquelas que fazem a prevenção. Enfim, chamamos todas elas e dissemos “está aqui a data, em tal unidade que fica mais próxima de você, para você fazer o exame de mamografia”. Apareceram vinte pessoas apenas, e lembrando que o câncer de mama é um desafio para todas as mulheres. Portanto, há uma necessidade de todos nós entendermos que se não houver promoção e prevenção a gente não consegue vencer o desafio do custo da saúde. Augusto Capodicasa, quais novidades foram implantadas no ano passado no Santa Saúde? Temos o Santa Farma, que é uma farmácia criada para atender os beneficiários. Ela é uma oportunidade para que eles possam adquirir seus medicamentos de uso contínuo, aqueles que eles tomam todos os dias, numa condição de preço favorável. Tem também o plano odontológico. Antes de eu assumir a presidência do Santa Saúde a operadora tinha um plano odontológico pequeno que era uma rede que nós utilizávamos. Demos um destaque à saúde bucal, nós investimos num produto nosso que, para minha grata surpresa, agora estamos batendo a marca de 50 mil usuários do plano. Nós, sem dúvida, se não formos o maior, somos um dos maiores planos odontológicos da região. Uma preocupação que muita gente tem a cada início de ano é sobre os reajustes. Está previsto algum aumento no plano nesse começo 2024? Eu vou dizer uma coisa para você, os planos de saúde se dividem em duas categorias. As pessoas físicas, esse é o determinado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). A ANS vai dizer, “olha, esse ano o aumento será de tanto” e nós repassamos esse aumento. É um estudo que a ANS faz e que ela orienta a todas as operadoras. Os outros aumentos são nos contratos de empresas, nos contratos de adesão, nas microempresas individuais (MEIs). Então esse aumento é de acordo com o sinistro daquela categoria. Você junta todas as empresas até 30 vidas e é colocado o aumento. Nos últimos anos, se fizer um ranking de todas as operadoras da região, nós sempre temos o menor índice de reajuste. Isso porque a gente tem uma consciência de que não adianta, daqui a um ano, dizer, “olha, agora o aumento é tanto por cento”. Caso venhamos a fazer isso as pessoas vão fugir, não conseguem manter. Nosso pensamento é de que devemos ter uma condição viável. A gente trabalha muito com a promoção, com a prevenção, com programas incentivando que o beneficiário possa aderir a esse cuidado consigo mesmo e isso vai refletir no aumento do plano. O aumento do plano não é feito de forma aleatória, é quanto a operadora gastou naquela massa de vidas. Por isso é muito importante a gente discutir cada vez mais a promoção e a prevenção, porque é através desse mecanismo que nós vamos conseguir manter aumentos de acordo com o mercado, seja da inflação, seja do custo da saúde, então esse é um desafio importante que nós estamos, nesse momento, conseguindo vencer. Agora o custo influencia muito na decisão de um possível beneficiário. Como conseguir uma resposta mais favorável, assertiva, de quem está buscando um plano de saúde? Eu acho que, no mercado de hoje, você tem as operadoras que todos conhecem, uma operadora como a Santa Saúde, que tem as suas unidades, tem uma estrutura, tem mais de quinhentos médicos credenciados, nós temos algo em torno de quatrocentos médicos que trabalham diretamente com a gente, então dá para você quantificar que você vai ter atendimento. Acho que um ponto importante na hora de escolher o plano não aparece só no preço, porque às vezes aparece uma operadora de fora que vem com preço muito baixo e que não dá o atendimento. A pessoa paga um, dois, até seis meses e quando vai usar não consegue. Eu acho que um ponto importante é buscar no site da ANS qual é o perfil dessa operadora, porque hoje a ANS traz todas as informações da operadora. Se ela está com uma rede boa, se está dando atendimentos, tem muita reclamação e quais são essas reclamações. A pessoa, quando vai buscar um plano de saúde, tem a oportunidade de fazer uma investigação. Nós, desde o início, nos colocamos como uma operadora que garante o acesso aos nossos serviços. A gente vem trabalhando de forma que a gente possa oferecer um produto de qualidade, um produto respeitado e acessível a todas as pessoas. Sua experiência como administrador de empresas tem ajudado na hora de fazer um equilíbrio financeiro? Essa é uma pergunta importante porque quando me formei como administrador de empresas, naquele momento eu não tinha ideia se iria trabalhar em televisão, em rádio, em saúde ou em engenharia. Como administrador de empresas eu aprendi a administrar e montar uma equipe, porque o administrador faz isso. Montei uma equipe técnica que me garante uma certa retaguarda. Hoje eu tenho na operadora um comitê técnico muito bem montado por médicos, enfermeiros, administradores, advogados, legalistas, quer dizer, aquelas pessoas que vão me dizer quais caminhos tomar, e a decisão é do administrador. Tem sido um grande desafio, mas a gente vem conseguindo, com essa equipe, encontrar caminhos para oferecer ao beneficiário e manter a operadora com saúde. Como resultado, nós fechamos o nosso balanço de 2023 de forma tranquila, serena. Augusto, explica agora, de uma forma geral, quais foram os principais avanços dos planos de saúde? Eu vou dar uma notícia que não é tão boa. As operadoras não avançaram tanto como deveriam. As operadoras precisam se unir para discutir alguns temas que não adianta a gente varrer para debaixo do tapete. Nós temos que discutir o alto custo dos medicamentos, então algumas operadoras têm recebido medicamentos, por exemplo, de R\$ 5 milhões, e isso vai quebrar a operadora. Quando a gente tem mil vidas, o pagamento dessas mil vidas está mantendo o tratamento de uma pessoa. Assim, quando as pessoas começam a ter prescrições de medicamentos que não têm comprovação científica, isso vai impactar na vida de outras pessoas, por isso nós temos que pensar muito bem nisso. Eu acredito que as operadoras precisam se juntar, se unir junto ao governo, com a sociedade civil organizada e fazer um amplo debate pra gente poder manter a operação de saúde viável, nem com preços fora da realidade e nem com as operadoras sem saber para onde correr, com algumas prescrições que acabam deixando em dúvida se o tratamento será eficaz ou não.