[[legacy_image_239118]] A partir deste domingo (15) e até os desfiles oficiais de Santos, A Tribuna resgata uma tradição e volta a publicar uma coluna com notícias e bastidores do Carnaval santista. Os protagonistas vão ser os sambistas e os personagens da maior festa popular do Brasil. Mas não seria justo iniciar uma coluna sem fazer justiça aos pioneiros desse universo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Quem me ajudou a conhecer melhor essa história foi a maior autoridade do nosso Carnaval, o Marechal do Samba, J. Muniz Júnior, jornalista com vários livros publicados. O próprio Muniz, o Lorde Batucada, por seu conhecimento das escolas, já teve colunas de samba nos extintos jornais O Diário, que pertenceu aos Diários Associados, de Assis Chateaubriand, e Cidade de Santos, do Grupo Folha. Pedro Bandeira Júnior, o Lorde Raspadeira, foi o autor de colunas como Bossa Nova. Irineu Camargo Campos, o Lorde Pavê, também contribuiu com a divulgação das principais notícias carnavalescas. Em O Diário, o professor Antonio Nunes escreveu uma coluna com o pseudônimo de Lorde Lobisomem e, depois, foi para A Tribuna. Quem substituiu Nunes foi José Eduardo Barbosa, que foi convidado pelo editor-chefe, o saudoso Carlos Henrique Klein. Eduardo logo foi batizado como Lorde Costeleta, graças às costeletas que o acompanhavam na época. Com inteligência, bom humor e muitas informações de bastidores, Costeleta escreveu durante dez anos a coluna Ensaio Geral. De 1974 a 1984, no período de Carnaval. Mas, a partir de 1978, com uma página inteira todas as segundas. O sucesso no jornal foi tão grande que virou um programa de rádio, no qual José Eduardo Barbosa ganhou a companhia de outro apaixonado pelo samba: o radialista Sérgio de Oliveira, que também era repórter esportivo da rádio Atlântica. No rádio, ainda fizeram história com programas e transmissões dedicadas ao Carnaval nomes como Osvaldo Figueiredo, o Lorde Ambulância; Tânia Cristina, a Lady Samba; Toninho Madrugada; José Alves de Moura; Jorge dos Santos; Reginaldo Pinta; Hudson Marcondes; César Pinguim; Wladimir Miranda; além do próprio Sérgio de Oliveira. Todos com muita audiência. Com certeza, nas próximas colunas, vamos lembrar outros colegas que ajudaram a divulgar as escolas de samba da Baixada Santista. “Vai ser o Carnaval da emoção”. Assim o presidente da Liga das Escolas, Fábio Przygoda, resume toda a expectativa que está vivendo a pouco menos de um mês dos desfiles oficiais. Fábio tem 48 anos, assumiu a liga no mês de abril do ano passado e vai viver o primeiro ano como o dirigente máximo do nosso Carnaval, já que a pandemia não permitiu a realização do evento no último ano. Ele vive uma situação diferente e trabalha em jornada dupla. Além de dirigir a liga, continua como presidente da tradicional escola de samba Sangue Jovem. Como está a sua expectativa? Ela é gigantesca, depois de dois anos sem o Carnaval. O coração está batendo a mil. Sentimento de voltar a fazer o que você gosta. Pisar na avenida é maravilhoso, aquele friozinho na barriga. Estamos fazendo um trabalho de reconstrução, aproveitando as coisas boas e trazendo outra visão do que precisa melhorar. O que você considera mais difícil na organização de um Carnaval? Não é fácil organizar uma festa popular deste tamanho. Não é só uma escola. São 16. É uma grande estrutura que é montada para um desfile. Com vários setores, e precisamos ficar muito atentos. Mas está sendo bem bacana, porque estou aprendendo bastante sobre bastidores, e está sendo um aprendizado bem legal. Qual foi o seu primeiro desfile? Desfilei pela primeira vez na escola de samba Brasil, em 1988. Depois, desfilei na Real Mocidade e em outras escolas. Na Sangue Jovem, estou desde o começo e sou um dos fundadores. A escola foi fundada em março de 2000 e começamos a desfilar em 2006. Já fui presidente da torcida há alguns anos e, agora, sou o presidente da escola. Como é conciliar a presidência da liga e a da Sangue Jovem? É bem complicado, precisa saber separar as coisas. A minha cabeça é bem tranquila. Gosto de agrupar pessoas e ideias. Não gosto de dividir. Na Sangue, temos uma equipe muito boa. Na liga também. Porque ninguém faz nada sozinho. Eu não sou centralizador e gosto que todos participem e sugiram ideias. O que é o Carnaval, para o presidente da Liga das Escolas? A gente tem algumas paixões na vida. A família, o time do coração. A gente tem uma paixão, que é o Santos Futebol Clube. E a gente tem um amor, que é o Carnaval, que independe do pavilhão. A paixão pelo samba é bem grande. E não é só o samba do dia. O legal do samba é a construção. Como se constrói um Carnaval. Acho que a maior vitória e o maior sentimento de dever cumprido são quando você prepara um projeto e dá tudo certo. Esse é o seu maior desafio? A gente fica pensando se vai dar conta. Mas precisa se preparar para não faltar nada para as escolas, para o público; temos que ficar atentos a tudo. Cada detalhe para cada escola. O Carnaval não permite erro, nem por parte das escolas, porque podem perder pontos, nem por parte da liga, para não prejudicar ninguém. A cabeça não para de trabalhar. São várias preocupações. A gente luta contra o tempo. Faltam poucos dias. O tempo é nosso inimigo. Eu nem consigo dormir. Eu descanso um pouco de noite pensando no dia seguinte, no que falta resolver. O que os fãs do Carnaval podem esperar do desfile deste ano? Como é um desfile de retomada, acho que ele vai mexer muito com a emoção não só de quem vai desfilar, mas de quem vai assistir ou trabalhar. Vai ser um desfile em que a gente vai lembrar das pessoas que a gente perdeu, pela pandemia ou outras questões. Um desfile para todas as agremiações é muito emotivo. Este, então, depois de dois anos sem Carnaval, vai ser muito mais. Vai ser o Carnaval do sentimento, mesmo. Acho que as escolas vão levar muita emoção para a avenida.