Os prefeitos eleitos em Santos e Guarujá no segundo turno, Rogério Santos (Republicanos) e Farid Madi (Podemos), têm prioridades definidas para os próximos quatro anos. Eles visitaram o Grupo Tribuna nesta segunda-feira (28), onde participaram do JT1, no qual foram entrevistados ao vivo pela apresentadora Luciana Moledas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! “Educação sempre vai ser prioridade. É como a gente transforma vidas, dá oportunidade para as pessoas. Vamos fazer as novas Etec e Fatec (Escola Técnica e Faculdade) com o Governo do Estado, e o Instituto Federal na região central”, disse Rogério, reeleito com 118.562 votos, ou 53,37% dos votos válidos — descontados nulos e em branco. O prefeito também destacou as áreas de saúde, portuária e a geração de empregos. “Na saúde, precisamos avançar mais com os mutirões, diminuir a fila de espera; já na área de geração de oportunidades, temos um projeto para o turismo, que é importante para Santos.” Para a área portuária, Rogério Santos falou em defender o trabalhador portuário e trazer para Santos a indústria junto ao Porto. “Santos já está pré-selecionada como uma Zona de Processamento de Exportação (ZPE) e, agora, busca parcerias através de Fiesp (Federação das Indústrias do Estado), governos do Estado, Federal e empresários para trazer indústrias para o Porto-Indústria, já que temos o Parque Tecnológico agregando valor.” Prefeito reeleito de Santos diz que formação do secretariado para o próximo mandato ainda está indefinida (Sílvio Luiz/ AT) Com quem estará A formação do secretariado para o próximo mandato está indefinida, diz. “O que tem definido é nosso plano de governo, nosso compromisso com a população santista. Vamos trabalhar não só com o secretariado, mas com os governos do Estado e Federal, os deputados e vamos seguir o trabalho, trazendo o Porto-Indústria, a ligação seca (túnel) Santos-Guarujá, a parte da logística na entrada de Santos e o aprofundamento do calado do Porto.” Sobre o fato de 46,63% do eleitorado (103.592 votos) ter optado pela adversária, a deputada federal Rosana Valle (PL), o prefeito respondeu dizendo que governa para todos, mas trabalhará com as propostas dele. “Nossas propostas são verdadeiras, não eleitoreiras. No meu mandato, nunca pensei em agradar, mas fazer o que é correto. Na pandemia, por exemplo, tive que fazer o lockdown (restrições à circulação, para isolamento contra o contágio pelo coronavírus). Metade da população não queria, mas optei pelo que era importante, salvar a vida das pessoas”, pontuou. Reforma administrativa Farid Madi, que voltará à Prefeitura de Guarujá 20 anos após vencer sua primeira eleição para o Executivo, foi escolhido por 83.652 eleitores, ou 55,38% dos votos válidos. O prefeito eleito disse que uma de suas primeiras medidas será encaminhar uma reforma administrativa à Câmara, “para que a gente possa adequar o organograma para colocar em prática aquilo que nós estamos nos comprometendo com a população e, também, para corrigir algumas falhas em que o estatuto acabou prejudicando alguns setores do funcionalismo público”. Entre suas prioridades, Farid listou saúde, educação e segurança. Contudo, destacou como mais importante uma atuação em políticas sociais. “Tudo está atrelado à questão social. Temos muitas diferenças sociais, problemas enormes que vêm, especialmente, da falta de apoio ao jovem, principalmente o jovem que vive na periferia e está desassistido socialmente. Vamos trabalhar todas essas questões, mas nada vai ser possível se a gente não investir em políticas públicas de inclusão social. Esse é o eixo principal da nossa gestão”, declarou. Quanto ao secretariado, disse não ter tratado do tema na campanha. “Fizemos alianças, especialmente no segundo turno, com partidos e candidatos que devem contribuir com o governo, mas não há nada definido. Faremos uma aliança programática.” Farid Madi voltará à Prefeitura de Guarujá 20 anos após vencer sua primeira eleição (Sílvio Luiz/ AT) O que esperam os eleitores Em Santos, que voltou a ter disputa pela Prefeitura em segundo turno após 20 anos, moradores disseram a A Tribuna o que esperam nos próximos quatro anos. A ajudante geral Marileide Tavares, 54 anos, moradora do Morro da Penha, torce para que o prefeito Rogério Santos priorize a educação e a saúde. “Não adianta quebrar a Cidade toda para deixar tudo bonitinho para o turista.” Marileide também se diz preocupada com segurança e população em situação de rua. “Muitas vezes, pego um ônibus para ir para casa porque não posso passar ali pelo terminal, pois tem muitos moradores de rua.” O aposentado José Roberto Matias, de 64 anos, da Ponta da Praia, entende também ser preciso “cuidar dessas pessoas necessitadas, seja com alimento ou roupas. Principalmente, quando chega o inverno”. E “poderia melhorar um pouco mais a saúde”. Neste tema, a assistente de importação Vanessa Barbosa, de 37 anos, do Boqueirão, cobra melhorias nas unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Muita espera, diagnóstico errado, às vezes. Já aconteceu até com familiar meu.” A analista de transporte Carla Cristina Evangelista Gabriel, de 38 anos, mora na Zona Noroeste. Após as obras na Avenida Álvaro Guimarães, no Rádio Clube, ela relata que passou a haver alagamentos em ruas que não enchiam. A maioria dos entrevistados apontou a educação como prioridade na próxima gestão. A mais enfática foi a analista de transporte Railane Oliveira, de 33 anos, do Valongo. Sua filha, de 9 anos, estuda na rede pública. “O ensino está muito fraco: a questão de gestão de professores, o material escolar fornecido para as crianças, não é todo mundo que tem condição de comprar”, diz. Revitalização do Centro Outro ponto citado por moradores foram as obras na Cidade, em especial na região central. A aposentada Maria Damiana Silva Almeida, de 70 anos, do Saboó, pensa que o Centro requer “mais cuidado, porque há muitas lojas fechadas, tem lugares que não dá nem para caminhar, está feio. Mas, como está começando a revitalização, acredito que vai melhorar”. O classificador de café Peter Anderson, de 35 anos, da Aparecida, trabalha no Centro e espera continuidade nas “melhorias na Cidade, com a urbanização, o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), que entrou para melhorar a mobilidade. Mas o que tem de melhorar são os comércios no Centro”.