[[legacy_image_314955]] Cubatão é assunto do Papo Tribuna desta semana. A cidade a menos de 12 quilômetros do maior porto da América do Sul já passou por vários renascimentos. Na década de 80, foi conhecida como vale da morte e a mais poluída do mundo, por causa da emissão de substâncias tóxicas produzidas pelas indústrias. A Cidade também passou por outra tragédia, como o incêndio em palafitas provocado por um vazamento de gasolina em duto que provocou a morte de mais de 90 pessoas. Estes e outros momentos fizeram Cubatão se reerguer, mas ainda há muito a se fazer em setores como mobilidade, habitação, saúde, lazer, entre outros. Por isso o bate papo desta semana é com o prefeito Ademário Oliveira (PSDB), que comanda a Cidade desde 2017. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O verão está se aproximando e é uma época que acontecem muitas enchentes e deslizamentos. Existem obras que já estão acontecendo na cidade quanto a isso. Como está o andamento disso? Outros bairros também serão beneficiados?Em Cubatão tivemos um crescimento desordenado e isso também tem os reflexos do polo industrial, que foi o maior polo petroquímico da América. Muitos vinham trabalhar aqui com a promessa de empregabilidade fácil e, com isso, gente do Brasil inteiro veio para cá. A cidade possui 70% de área de preservação permanente. Apesar de não termos praias, os manguezais nos cercam como um todo. Isso proporcionou essa pressão no crescimento do polo industrial. O Governo do Estado, três décadas depois, veio e consertou com uma ação civil pública, em que o estado e o município eram réus, e com isso, removeram todas as pessoas das encostas. Só ali, foram removidos 7 núcleos desordenados. Nós temos Pilões, que é outro problema em função do crescimento desordenado. Parte mora margeando o rio e outra parte mora na cota. Estamos tratando isso junto com o governo do estado. Em Pilões, em relação ao combate às enchentes, nós temos que usar mecanismos como sirene, para caso suba o leito do rio, a gente já acione as pessoas. A Ilha Caraguatá é um bairro consolidado, com cerca de 15 mil pessoas. Mas, infelizmente na época, construíram praticamente na cota zero do nível do mar. Hoje é comum quando chove, a maré varia e o bairro inteiro fica debaixo d’água. Temos que usar a tecnologia a nosso favor e, por isso, estamos fazendo todo o sistema de macrodrenagem. É um investimento de aproximadamente 18 milhões, que está em andamento, com previsão de entrega entre 90 a 120 dias. Outros locais com obras são os bairros Vila Nova e Vila São José, que são vizinhos e com o mesmo sistema de macrodrenagem que se comunica. Há um projeto de reurbanização da Avenida Nossa Senhora da Lapa e há quatro meses essa obra está sendo feita. Qual é a previsão de entrega?É importante lembrar que o mês de outubro foi muito chuvoso e obra de terraplanagem e asfalto, você não faz nessas condições. A rua está preparada para receber o asfalto, só que a gente só consegue jogar o material ali depois de dois ou três dias consecutivos de sol, para que a gente não tenha nenhuma interferência da umidade. É uma cidade em que dos 365 dias, chove mais de 220, então temos que ter cautela nas obras. Infelizmente temos que conviver com esses transtornos e ter um pouquinho de paciência, mas logo entregaremos essa obra. E quanto a obra do cemitério da cidade? Vai terminar ainda esse ano?São mais de 79 obras em andamento. Nosso cemitério passa por um processo de transformação, de manutenção permanentemente. Mas, hoje, você limpa toda a parte pública, mas o nosso cemitério é hibrido. Nós temos as campas privadas que são de responsabilidade de seus proprietários, e muitos deles já não residem na cidade, mas acabam deixando ali para a família. Como o nosso cemitério é gerido com recursos públicos, a gente tem dificuldade de colocar dinheiro público para realizar a manutenção das campas privadas. Nós mandamos um projeto de lei e a Câmara autorizou a possível concessão do cemitério, para que a gente possa continuar prestando todos os serviços essenciais para aqueles que não conseguem arcar financeiramente. Esse mês fizemos uma força tarefa para deixar o cemitério bonito, apto, mas problemas existem, e nós vamos avançar para melhorar. A gente tem o Parque Anilinas e um teatro que estava em obras desde 2012, que foram paralisadas. Por que elas ainda não foram retomadas? Existe algum projeto para aquele espaço?Nós tínhamos três teatros. O teatro do Kaos está em pleno funcionamento, o outro teatro que estava há mais de 40 anos abandonado eu transformei em um hospital de alta complexidade, e o teatro hoje do Anilinas que foi feito sem estrutura. Estamos fazendo adequações ali, a licitação já está na rua, os projetos já estão sendo feitos, um pouco complexos, pois estamos falando de uma obra que deveria ser realizada num todo lá atrás. Agora estamos entrando com todo o projeto de finalização da licitação, para que a gente possa licitar e entregar o novo teatro que foi um compromisso nosso. Já o Parque foi todo revitalizado. Há um projeto na região do manguezal, para a construção de moradias sustentáveis. Que tipo de construções seriam essas?Nós vamos construir 80 unidades flutuantes, para que a gente possa utilizá-las em um primeiro momento como área de transbordo. Ou seja, a gente tira 80 famílias de lá, faz toda a infraestrutura, rede de esgoto, água potável, arruamento, e tira as pessoas das flutuantes, e retorna elas pra lá. Isso é um espetáculo, pois essas casas flutuantes foram planejadas, é um projeto pioneiro na Baixada Santista, em que a gente está utilizando a tecnologia a nosso favor. Quantas escolas serão construídas com essa remodelação da Vila Esperança?Serão quatro novas escolas. Hoje, por conta desse crescimento desordenado, os efeitos colaterais são gritantes. Grande parte das nossas crianças são transportadas, pois na Vila Esperança, 35 mil pessoas, não tem a rede de ensino, por falta de áreas institucionais. Estamos construindo mais duas na Vila Esperança, uma na Vila dos Pescadores e outra dentro dos bolsões.