[[legacy_image_3256]] Quem não quer sentir no bolso o dissabor da alta do tomate terá de trocar o ingrediente do cardápio, pelo menos por enquanto. Em Santos, de um mês para outro, o preço mínimo do produto saltou quase quatro vezes. O problema, porém, é nacional. O Diário Oficial do município publica semanalmente o valor da cesta básica. Na edição de segunda-feira (22), os preços iam de R\$ 8,99 a R\$ 10,98 o quilo. Um mês antes, em 19 de março, o mínimo registrado foi de R\$ 2,45, e o máximo, de R\$ 3,99. Considerada só a variação do menor preço no período, a alta foi de 266%. Mais: ainda em Santos, a Reportagem encontrou preços entre R\$ 8,79 e 24,99 o quilo, dependendo de tipo, qualidade e local de venda. Em nível estadual, o produto teve a maior alta de preços da história (32,1% de fevereiro a março), e a tendência é de que continue subindo neste mês. A análise de hortaliças do último Boletim Hortigranjeiro da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) mostra que, no Ceagesp – que abastece o Estado de São Paulo –, o tomate subiu 32,1% de fevereiro a março. Houve alta todas as Centrais de Abastecimento (Ceasas). A maior, em Goiânia (GO): 88,6%. O clima O motivo, de acordo com especialistas, foi o fator climático. Além das últimas chuvas, o calor entre dezembro e janeiro em algumas regiões produtoras do Estado de São Paulo e do país fez muitos frutos amadurecerem e terem que ser vendidas antes, causando prejuízos aos produtores e assim, diminuindo o investimento em novos plantios. Outro motivo foi uma doença bacteriana em algumas lavouras paulistas que já causou perda de cerca de 30% da safra. Com menos frutos, mudas amareladas, fracas e sem um produto químico para combater a doença quando já instalada, há menos quantidade e menos qualidade. Com a mesma demanda, o preço dispara. Quem explica é a gerente de Modernização do Mercado Hortigranjeiro da Conab, Joyce Rocha Fraga. “A performance dos preços elevados em março é consequência direta das menores quantidades ofertadas do fruto aos mercados, uma vez que as condições climáticas não favoreceram o desenvolvimento nas lavouras”, contou. Ainda não é possível saber o tamanho do estrago das chuvas e das pragas, mas para especialistas, com a melhora do clima os preços devem voltar ao normal. Só não é possível saber a partir de quando. Por isso a dona de casa santista Letícia Gil, de 21 anos, deu seu jeito para não deixar os filhos sem salada em casa. “Eu só compro o necessário, só se eu preciso mesmo, ou quando dá vontade, pego um ou dois”, explica ela. A dona do mercado Baratão, no Marapé, Isaura Ribeiro Cossu, explica que não é culpa do comércio. “A gente não quer repassar aumento. Não subimos por conta da Páscoa. Tanto que o preço já vinha alto. Então, o consumidor que puder esperar, vai economizar mesmo. Logo deve voltar ao normal”, aponta.