[[legacy_image_18491]] Salvação de muitas refeições, o ovo tem se tornado o novo vilão para donas de casa. O preço do produto subiu cerca de 10% nas últimas semanas nas prateleiras de muitos supermercados motivado pelo aumento na demanda e nos insumos para produção e não deve parar por aí. Clique e Assine A Tribuna por R\$ 1,90 e ganhe acesso ao Portal, GloboPlay grátis e descontos em lojas, restaurantes e serviços! A enfermeira Malu Costa, 45 anos, compra, em média, 60 ovos por semana. Ela conta que já sentiu a diferença nas etiquetas do mercado. “Vi caixa com 20 ovos subir de R\$ 20,00 para R\$ 25,00 em um supermercado atacadista. Tenho optado por lojas especializadas, porque o preço não sofreu alteração e a qualidade é melhor”. Paulo Ribeiro Cossu, proprietário de um mercado no Marapé, tem sacrificado a margem de lucro para não perder a clientela. Ele diz que pagou, na semana passada, R\$ 83,00 na caixa com 20 dúzias de ovos. Agora, saltou para R\$ 93,00. “Desde outubro estamos percebendo essa alta. Sobe R\$ 2,00 em um dia. Depois sobe mais R\$ 1,00 e assim vai. A gente vai reduzindo a margem de lucro para não perder venda, porque o cliente não entende. Acha que somos nós que estamos nos aproveitando da situação”. Explicação Ao longo segundo semestre, o valor de carnes de frango, bovina e suína pesaram mais no orçamento, o que levou consumidores a optarem por proteínas mais baratas como o ovo, destacam os especialistas. A queda no valor do auxílio emergencial de R\$ 600,00 para R\$ 300,00 também ajudou nesse cenário. Aliado a isso, houve ainda a alta no custo de insumos, afetando a produção de ovos. O custo do milho e da soja, que respondem por 70% da alimentação das aves, chegou a 20% em outubro. “Os produtores para tentar conter esses reajustes acabam abatendo parte do plantel mais cedo para ajustar o custo de produção. Sem contar que houve uma onda de calor muito forte, que também impactou o setor. Tivemos produtores que perderam plantéis praticamente inteiros”, explica o zootecnista e analista de mercado Felipe Fabbri. Segundo ele, entre setembro e outubro, por exemplo, não houve incremento no número de aves destinadas à produção de ovos. “Houve 0,17% de variação no total de aves alojadas, de acordo com a ABPA (Associação Brasileira de Proteína Animal). Isso mostra que os produtores tentaram se precaver em relação a essa alta dos insumos”, acrescenta Fabri. Preço O preço médio pago pela caixa com 30 dúzias de ovos nas granjas no Interior do Estado avançou, em média, 35%. Em setembro, a caixa custava R\$68,12. No mês passado, estava, R\$91,65. A situação só não é pior do que a registrada em abril, quando a caixa chegou a custar R\$ 100,00 - a maior alta de 2020. Outro ingrediente também deve pesar na composição do preço do ovo daqui para a frente. O Brasil conseguiu licença para exportar para o México, que é um dos principais consumidores de ovos do mundo com 378 unidades per capita anuais, e importou 20 mil toneladas em 2019. No Brasil, a média é de 212, conforme dados da ABPA. “Não temos um perfil exportador por conta de logística. Mas isso pode mudar para o próximo ano”, finaliza Fabri.