O avanço do mar tem diminuído as praias dos Milionários e do Gonzaguinha, em São Vicente (Sílvio Luiz / Arquivo AT) O avanço do mar ameaça praias da Baixada Santista, no litoral de São Paulo, com quatro áreas classificadas com risco muito alto de erosão costeira. O cenário mais preocupante da região envolve trechos de São Vicente, Itanhaém e Peruíbe, segundo o Mapa de Risco à Erosão Costeira do Estado de São Paulo, elaborado pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), vinculado ao Governo do Estado. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O levantamento apresenta cinco níveis de risco: muito baixo, baixo, médio, alto e muito alto. A classificação considera indicadores relacionados à perda de areia, ao recuo da linha da costa e às alterações na dinâmica das praias. Em São Vicente, as praias do Gonzaguinha/Milionários e Paranapuã aparecem entre as mais ameaçadas, na categoria de risco muito alto. A mesma classificação foi atribuída às praias de Itanhaém e Peruíbe. Outras praias também preocupam O problema do avanço do mar e da erosão costeira não se restringe aos municípios com risco muito alto. Em Santos, as praias da cidade foram classificadas com risco alto de erosão, situação que também atinge Guaratuba, Itaguaré e Boraceia, em Bertioga. Em Guarujá, aparecem na mesma categoria Iporanga, Perequê, Pernambuco/Mar Casado, Enseada, Pitangueiras, Tombo e Prainha Branca. Já Astúrias, São Pedro e Góes apresentam risco médio. Enquanto isso, em Praia Grande, o arco praial recebeu classificação de risco médio. Em Bertioga, São Lourenço e Enseada também estão nessa categoria. Tal cenário demonstra que a erosão costeira e o avanço do mar não ocorrem de maneira uniforme. Uma mesma cidade pode apresentar trechos de praias mais comprometidos do que outros, dependendo das características naturais, da ocupação urbana e das intervenções realizadas ao longo da orla. Por que o mar avança? A erosão costeira ocorre quando a retirada de sedimentos supera a reposição natural de areia, provocando o estreitamento das praias e, em determinadas situações, o recuo da linha da costa. Segundo o IPA, entre as principais causas estão a ocupação inadequada da orla, a destruição de dunas, as construções próximas ao mar e determinadas obras de contenção que interferem na movimentação dos sedimentos. Os efeitos das mudanças climáticas também preocupam. A elevação do nível do mar e a ocorrência de eventos meteorológicos extremos podem intensificar a erosão e aumentar os impactos das ressacas marítimas. As áreas classificadas com risco alto ou muito alto também apresentam maior suscetibilidade à erosão provocada por tempestades e às inundações costeiras. Monitoramento e prevenção Os estudos sobre erosão costeira no litoral de São Paulo começaram em 1992. A primeira versão do mapa estadual foi publicada em 2002, com atualizações periódicas para acompanhar as mudanças nas praias - a mais recente é de 2025. O levantamento utiliza 11 indicadores ambientais para avaliar os processos erosivos. A pontuação final determina o enquadramento de cada praia, sendo que a classificação de risco muito alto corresponde às notas entre 12,1 e 15. Além de identificar as áreas mais vulneráveis, o mapeamento serve de referência para políticas públicas, planejamento urbano e ações de adaptação às mudanças climáticas. O desafio é evitar que a perda de faixa de areia avance sobre estruturas urbanas e comprometa a segurança, o turismo e a preservação ambiental dos municípios litorâneos.