A maior parte das praias do litoral paulista possui moradias próximas (Alexsander Ferraz/AT) O furacão Milton, que causou estragos nos Estados Unidos, pode se intensificar por conta das recentes mudanças climáticas, como o aquecimento global. Devido às alterações climáticas que ocorrem em todo o mundo, o recuo da faixa de areia nas praias no litoral de São Paulo pode chegar a 100 metros até o fim deste século, de acordo com uma pesquisa da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), publicada na revista 'Anthropocene Coasts', que revelou que o litoral de São Paulo está cada vez mais vulnerável aos efeitos do aquecimento global. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O estudo, conduzido pela pesquisadora Aline Martinez, mapeou 245 km de estruturas artificiais presentes na região da costa, como quebra-mares e píeres. Essas infraestruturas, concentradas principalmente na Baixada Santista, são responsáveis por impactos ambientais, como a destruição de habitats naturais e a facilitação de invasões biológicas. Além das estruturas artificiais, foram identificados mais de 300 km de áreas costeiras ocupadas por humanos em zonas de vulnerabilidade, sendo 235 km próximos a praias e 67 km perto de manguezais. Essas regiões estão expostas a riscos crescentes de inundações e erosão devido ao aumento do nível do mar. Porém, mais da metade das praias paulistas têm ocupações humanas a menos de 100 metros da faixa de areia, agravando ainda mais a situação. Ilha Comprida, no Vale do Ribeira, já enfrenta um processo acelerado de erosão que pode se repetir em outras partes do litoral. É válido destacar a importância da preservação de manguezais e restingas, que podem proteger a costa contra o impacto das ondas e o avanço do mar. O estudo também trouxe um alerta sobre o risco de alterações nas leis que podem facilitar a ocupação de áreas costeiras vulneráveis. A pesquisa cita ainda que ações para restaurar áreas degradadas e preservar ecossistemas costeiros são necessárias para prevenir ou amenizar problemas futuros na região.