Estudo cita encalhe de baleia ocorrido em Praia Grande, no ano de 2024 (Divulgação/Simba) Um estudo realizado no Instituto do Mar da Universidade Federal de São Paulo (IMar/Unifesp), no campus da Baixada Santista, revelou que o litoral paulista concentra a maior parte dos registros de encalhes de baleia-de-Bryde no sudeste e sul do Brasil. A pesquisa analisou 27 ocorrências de animais mortos entre 2015 e 2024 e investigou como fatores meteorológicos e oceanográficos podem influenciar a chegada das carcaças às praias. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Os dados mostram que 51,9% dos encalhes ocorreram em praias de São Paulo, seguido por Santa Catarina (25,9%) e Paraná (11,1%). Já Rio de Janeiro e Espírito Santo registraram menor número de casos, com 7,4% e 3,7%, respectivamente. O trabalho foi desenvolvido pela estudante Beatriz de Oliveira Salas como Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) do Bacharelado Interdisciplinar em Ciência e Tecnologia do Mar, com orientação da professora Gyrlene Aparecida Mendes da Silva e colaboração de outros docentes do instituto. Os resultados foram publicados na Revista Brasileira de Geografia Física, em edição especial dedicada a pesquisas de destaque na área ambiental. Dados dos encalhes Os dados de encalhes foram obtidos do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) e das Bacias de Campos e Espírito Santo (PMP-BC/ES), que são programas de monitoramento da biota marinha sob influência de atividades de exploração e produção de petróleo e gás natural offshore da Petrobras. Os programas são conduzidos pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA) em atendimento de condicionantes do licenciamento ambiental federal. Condições favoráveis A pesquisa analisou variáveis como direção e velocidade dos ventos, cobertura de nuvens e temperatura da superfície do mar. Os dados foram obtidos por meio de reanálises meteorológicas e de informações de satélite. De acordo com o estudo, os encalhes ocorreram, em média, em períodos com ventos fracos a moderados vindos do oceano em direção ao continente, aumento da nebulosidade e águas costeiras um pouco mais frias do que o entorno. Essas condições foram registradas tanto no dia do encalhe quanto até dez dias antes dos eventos. Também foi observada maior frequência de casos durante a primavera austral, com 7 encalhes em outubro e 5 em novembro, seguido dos meses de junho, julho e dezembro com o somatório de 3 encalhes por mês. Em janeiro de 2024, um animal da espécie foi avistado em Praia Grande, no Litoral de São Paulo. Influência da ressurgência costeira Outro fator identificado foi a influência da ressurgência costeira, fenômeno em que águas profundas, frias e ricas em nutrientes sobem à superfície. Esse processo pode contribuir para trazer carcaças submersas para camadas mais rasas do mar. Segundo os pesquisadores, a dinâmica atmosférica do Anticiclone Subtropical do Atlântico Sul também desempenha papel importante. A interação desse sistema com outros fenômenos atmosféricos altera a direção dos ventos e favorece o transporte de carcaças em direção ao litoral, especialmente nas regiões de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Apesar das conclusões, o estudo não investigou as causas da morte das baleias. A pesquisa indica apenas que fatores ambientais podem influenciar o deslocamento das carcaças até as praias. Espécie A baleia-de-Bryde (Balaenoptera edeni) é considerada uma das espécies menos conhecidas entre os grandes cetáceos. Mesmo sendo relativamente comum em águas tropicais e subtropicais e apresentando hábitos costeiros, ainda existem poucas informações consolidadas sobre sua população e comportamento no Brasil. Para os pesquisadores, estudos sobre encalhes são importantes para ampliar o conhecimento científico sobre a espécie e compreender melhor sua relação com o ambiente marinho. A pesquisa completa pode ser consultada no link.