O Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar vai direcionar medidas de prevenção e diminuição da poluição causada por resíduos sólidos no litoral de São Paulo (Divulgação / Semil) O Governo de São Paulo iniciou a elaboração do primeiro Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar, que pretende estabelecer metas, ações e diretrizes para enfrentar a poluição marinha no litoral paulista com base em dados técnico-científicos e participação social. Como parte desse processo, a Secretaria de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística (Semil) realizou audiência pública em Santos nesta quarta-feira (13), para receber contribuições da população. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar vai direcionar estratégias de prevenção e diminuição da poluição causada por resíduos sólidos na faixa costeira de São Paulo, um desafio ambiental que também impacta a saúde da população e diferentes setores da economia, segundo a Semil. A estimativa é que cada tonelada de lixo descartada no oceano provoque uma perda de cerca de R\$ 165 mil em serviços ecossistêmicos marinhos, enquanto a poluição por plástico gera custos globais que podem chegar a R\$ 12,5 bilhões por ano. Dados de pesquisas realizadas por universidades paulistas apontam que resíduos sólidos foram encontrados em 100% das praias analisadas ao longo do litoral brasileiro. Desse total, 91% correspondem a materiais plásticos, sendo que 60% são itens de uso único — produtos utilizados por poucos minutos, mas que podem permanecer no meio ambiente por mais de 400 anos. Consulta pública Encabeçado pela Diretoria de Resíduos Sólidos, da Subsecretaria de Recursos Hídricos e Saneamento Básico da Semil, em conjunto com as diretorias das demais subsecretarias e órgãos vinculados, o plano vai apresentar um diagnóstico abrangente sobre a poluição marinha no estado, reunindo dados científicos, análises territoriais e informações sobre fontes, fluxos e impactos dos resíduos. O documento também consolida iniciativas já em andamento por instituições como a Fundação Florestal. Para enfrentar os problemas apontados, o Governo de São Paulo mantém aberta, até esta sexta-feira (15), a consulta pública para receber sugestões para o Plano Estadual de Combate ao Lixo no Mar. A participação é aberta para pessoas físicas e jurídicas, incluindo representantes do poder público, empresas, universidades e organizações da sociedade civil. As contribuições devem ser enviadas exclusivamente por meio de formulário eletrônico disponível no site da Semil. Dados do programa Mar Sem Lixo, da Fundação Florestal, coletados a partir de resíduos retirados do fundo do mar nas Áreas de Proteção Ambiental (APAs) Marinhas do Estado de São Paulo, em parceria com pescadores de arrasto de camarão, apontam uma média de cerca de 599 itens por quilômetro quadrado (15,89 kg/ km²). Desse total, 93,8% são compostos por plástico, o que reforça a predominância desse material também no litoral de São Paulo. Cetesb e SP Águas Para Cristiano Kenji, subsecretário de Recursos Hídricos e Saneamento Básico da Semil, os dados mostram que a maior parte do lixo no mar tem origem em atividades realizadas em terra, o que exige uma resposta coordenada e baseada em evidências. “Por conta disso, o governo paulista estrutura este plano a partir de estudos técnicos e de um amplo diálogo com diferentes setores. A consulta pública é uma etapa essencial deste processo, pois permite aprimorar as propostas e garantir que as ações sejam mais eficazes e aderentes às realidades locais”, explicou Kenji, em nota. Ao todo, o plano já definiu 45 metas para serem alcançadas ao longo de dez anos, distribuídas em oito eixos temáticos: normatização e regulamentação; prevenção e circularidade; remoção e recuperação; educação ambiental e comunicação; ciência, tecnologia e inovação; capacitação; monitoramento e avaliação; além de fomento e financiamento. Combate ao lixo no mar no estado de São Paulo A Semil destaca que o Estado de São Paulo já desenvolve ações consolidadas voltadas ao combate do lixo no mar, por meio de cooperações técnico-científicas com universidades paulistas. As iniciativas buscam apoiar a criação de políticas públicas baseadas em evidências e fortalecer a integração entre ciência e gestão no enfrentamento desse problema. Publicado em 2021, o Plano Estratégico de Monitoramento e Avaliação do Lixo no Mar (Pemalm) foi um instrumento pioneiro ao estabelecer diretrizes para a produção e organização de informações sobre o território paulista. A proposta foi, primeiro, compreender a dimensão do problema no estado, por meio da criação de indicadores, para depois combatê-lo de forma mais efetiva.