[[legacy_image_232303]] Prefeita de Praia Grande e atual presidente do Conselho de Desenvolvimento da Baixada Santista (Condesb), Raquel Chini (PSDB) se diz uma pessoa de diálogo — desde que seja produtivo. Tanto que já entregou as demandas da cidade ao novo governador, Tarcísio Gomes de Freitas (Republicanos) antes mesmo da posse. Segundo ela, é “sentido de urgência”, para não perder oportunidades. Além disso, prega maior sentido de metropolização. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A senhora preside atualmente o Condesb. É possível notar se os prefeitos da região efetivamente passaram a entender o pensar de forma metropolitana?Essa é uma briga antiga já. Tenho falado bastante quanto à representatividade no Condesb. É necessária essa mudança urgente. O secretário (municipal) deveria participar, ele é o responsável pela pasta e pode falar em nome do prefeito. Então, quando vai algum preposto ou uma pessoa indicada sem a devida autonomia, isso atrasa a tomada de decisões?O pior de tudo é que eles acabam tomando. Levam o projeto a termo, um projeto que não chegou ao prefeito. Então, a gente retira da pauta. Pretendo fazer com que os nove municípios trabalhem juntos nessas demandas metropolitanas. Quando a gente pede um balanço para um governante, normalmente ele responde com uma grande lista de obras. Como mensurar se, com elas, a população está efetivamente satisfeita, e que sua vida melhorou por causa delas?Faço com que meus secretários sempre se perguntem: “eu preciso disso?”, “isso que a gente idealizou é uma coisa boa?”, “a população quer isso?”. Porque, muitas vezes, você, do alto da montanha, enxerga tudo do projeto. Mas, se não descer e conversar com quem está na base, não vai fazer nada de bom para eles. Com o aprimoramento do sistema de saúde, inclusive com o novo PS Central, desafogando o Irmã Dulce, Praia Grande está pronta para um eventual aumento de demanda, especialmente de outras cidades?Praia Grande parece aquela mãe que todo mundo procura. Sou muito questionada com relação a isso. Quando implemento um programa bom, todo mundo vem para cá. Temos o bônus e o ônus. (...) Tem muita gente que se utiliza, com relação à saúde, de endereços falsos, aluga comprovantes de endereço para usar nossa Saúde da Família. Mas eu não vou deixar de fazer para a minha população porque tem pessoas que vêm para utilizar. Vou continuar nesse trabalho. O novo PS é quase um mini-hospital para pequenas cirurgias, está muito bonito, espaçoso, com equipamentos novos. Ele está saindo do Irmã Dulce, e esse espaço vai ser ampliado em leitos. Hoje, o Irmã Dulce é um porta aberta, 100% SUS. Ele vai trabalhar apenas para média e alta complexidades. Um assunto bastante discutido nos últimos tempos é a expansão do VLT (Veículo Leve sobre Trilhos) rumo a Praia Grande. A senhora já conversou com o governador eleito sobre essa questão? Ou ainda pretende fazê-lo?Já levei uma pasta para ele, completa. Ele até deu risada: “Nossa, já veio até com projeto”. Trouxe todas as demandas que já foram protocoladas no Governo do Estado: VLT, BRT (transporte rápido por ônibus), viaduto da Curva do S, as passagens subterrâneas da (Rodovia) Padre Manuel da Nóbrega. Está tudo numa pasta, assim como as demandas habitacionais e aumento dos recursos para a saúde. Entreguei antes de ele assumir. Não gosto de ser enganada. Durante esse governo que está acabando, sempre tratei: “você tem vontade de fazer? Pretende fazer? Caso contrário, nem me chame para tomar café”. Não tenho tempo. Não é meu perfil ir para o Palácio (dos Bandeirantes) para tirar foto e correr para postar. Creio que ele (Freitas) vai fazer um bom governo. Ele é engenheiro, uma pessoa muito objetiva. Entre os deputados eleitos, um deles é o ex-prefeito Alberto Mourão (MDB). Como vai ser, de modo geral, a relação com os parlamentares da região?Para a gente, este nível de representatividade é muito bom. O Mourão, com a experiência que possui — são cinco mandatos como prefeito, dois de deputado —, tem tudo para ajudar. E ele sabe, mais do que ninguém, o que é possível trazer de Brasília para cá. Temos que fazer com que todos que são da nossa região lutem por ela. E eu ainda vou atrás daqueles que eu nem sei quem são e que tiveram votos aqui. Sobre Educação: como a Cidade pretende avançar nos próximos dois anos?Temos uma demanda muito grande de vagas desde a pandemia. Porque tivemos uma ocupação maior nesses imóveis de temporada, as pessoas vieram morar, e muitas migraram para a escola pública. Pessoas que perderam o emprego. O número de pessoas que mudam para cá é muito grande, mais de 10 mil pessoas por ano. Então, estamos numa corrida para construção e ampliação de escolas. (...). Violência é outro assunto sempre presente. Como pensar em alguma solução, de forma metropolitana?A violência não tem endereço aqui. Desce o turista, descem essas pessoas em busca dessas oportunidades. Ficamos com o número registrado aqui, e os criminosos nem são da região. Sobre o reforço policial, tem um total de quase 500 homens e mulheres que vêm para atuar só na Praia Grande. Somados aos 400 que tenho, estou contratando mais 170. É um verdadeiro exército, aqui, trabalhando. E esses furtos, invasões de casas, são tudo de gente de fora. Nosso sistema de câmeras, hoje, ultrapassando o número de 3,3 mil, é nossa grande ferramenta. Além disso, temos satélite da Polícia Federal pegando toda a parte de mangue, para que a gente tenha o combate à invasão (de áreas). É o trabalho que sempre vamos ter na temporada. Nunca estaremos devidamente estruturados, porque ultrapassa o número de 1,5 milhão de pessoas, numa vida estruturada para 350 mil. Turismo e sustentabilidade: como Praia Grande pensa esses aspectos, que têm conexão?Temos 22,5 quilômetros de praia. (...) Vamos entrar com campanhas com relação aos resíduos, ao plástico. Precisamos acabar com o microlixo. (...) Em um final de semana normal, recolhemos 50 toneladas de lixo. Então, a gente tem que educar. (...) Anualmente, todos os nossos ambulantes são capacitados para cuidar daquilo que é nosso bem maior, que é a praia. Para finalizar, uma iniciativa que a senhora não pôde fazer nos dois primeiros anos de mandato, mas que deseja implementar na segunda metade do mandato.São as obras em canais, que dependem de licenciamento ambiental. A gente tem recurso, mas não consegue licenciamento por ‘n’ motivos. (...) Entendo serem as obras de maior importância, porque impactam diretamente na saúde e na qualidade de vida das pessoas. A gente já atingiu quase 63% das obras. Estamos conseguindo adaptar e cumprir nosso programa de governo.