[[legacy_image_292195]] Ajudar a curar, reerguer e recomeçar. São esses os verbos que movem a Casa Helpp, núcleo de apoio a vítimas de violência doméstica ligada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, com sede na Baixada Santista. Sem fins lucrativos, a organização foi fundada em 2004 e já atendeu mais de 15 mil mulheres. A Helpp auxilia mulheres em vulnerabilidade, com ou sem filhos, por meio de atendimento psicológico, jurídico e assistencial. Também ajuda a vítima no processo de reconstruir uma nova vida longe do agressor, afastando-a do ciclo de violência e servindo como rede de apoio nos momentos mais delicados. A fundadora e presidente da Casa Helpp, Rita de Cássia, atua praticamente sozinha nessa missão. Cerca de 20 anos atrás, ela morava em São Bernardo do Campo e era funcionária pública concursada, com boa situação financeira. Decidida a mudar de vida, veio morar em Praia Grande com o propósito de iniciar a própria organização. OrigemEm São Bernardo, Rita já atendia outras pessoas em situação de vulnerabilidade, como dependentes químicos, além de dar aulas de balé na periferia. Ela não sabia ao certo o que faria, mas a chave virou quando dirigia a caminho de Praia Grande e se deparou com uma cena de violência doméstica: uma mulher, com seu bebê no colo, fugindo do agressor. Diante da cena, Rita acolheu mãe e filho e os levou até o hospital. Mas a decepção foi ainda maior ao chegar lá. “Eu descobri que não havia políticas públicas para a área e que, inclusive, tirariam a criança da mãe, porque ela não tinha família. Tinha saído de casa por causa da violência e estaria ferindo o Estatuto da Criança e do Adolescente”, recorda. Indignada, Rita levou os dois para casa na intenção de não separá-los. Depois que a vítima se recuperou física e psicologicamente, ela a ajudou na missão de arrumar um emprego e montou uma casa para a família. “Vim para a Baixada com o foco de começar uma organização, mas não sabia que segmento adotaria. Eu falo que é coisa de Deus, porque no primeiro dia eu trouxe as coisas, no segundo já vivenciei uma situação que até hoje, no Brasil todo, não tem ferramentas políticas (contrárias)”. De onde vem o dinheiro?Em um cenário no qual a Lei Maria da Penha não existia, Rita passou a atender outras mulheres, conhecidas da primeira vítima, e o que era auxílio foi se transformando em um projeto. “Eu comecei a fazer o abrigamento delas dentro da minha própria casa, junto com a minhas duas filhas, e depois acabei deixando a casa onde eu morava para essa finalidade. Comprei um apartamento e me mudei para lá”. Além de contar com o auxílio de psicólogos e assistentes, a presidente da Casa Helpp ainda recebe ajuda de amigos quando precisa socorrer mulheres em situação de risco. Em várias ocasiões, foi acionada, chegou ao local até mesmo antes da polícia, e acabou evitando o pior. Atualmente, a Casa Helpp consegue materiais de limpeza, itens de higiene pessoal e mantimentos por meio de palestras que Rita ministra. Quando ela monta as casas destinadas às vítimas, sempre procura deixar cestas básicas para auxiliar no recomeço de suas vidas. Em relação às contas fixas, paga do próprio bolso. “Eu mantenho ainda a instituição com recurso próprio. Vivo de doação, então estou sempre atrás de uma cesta básica. Eu só consigo buscar alimentos administrando palestras, porque, do contrário, tenho que comprar”, diz ela, que também tem uma loja em Praia Grande. Rita chama atenção para o fato de que, no País, a maioria das casas de acolhimento é paliativa. “A única casa que abriga mães e filhos com uma proposta de pós-abrigamento e é pioneira, somos nós. No Brasil todo, há casas de passagem. Tira a mulher do ciclo de violência e dá um abrigo por 48 horas. Depois põe ela na rua, e ela volta para o agressor”. Vidas transformadasDo início das atividades até hoje, a Helpp já atendeu mais de 15 mil mulheres e montou quase 1,9 mil casas. Rita também abrigou vítimas temporariamente, até que elas fossem redirecionadas a familiares. “Há casos tambémda mulher que trabalha, tem rentabilidade, só não pode ficar no imóvel onde estava o agressor. Então ela vem parao abrigo e fica uma semana até a gente reestruturá-la em um novo imóvel”. A entidade consegue também oferecercursos de aperfeiçoamento e capacitação para ajudar vítimas na obtenção de renda. Muitas já têm uma profissão e precisam apenas do auxílio para serem empregadas. Nesse processo, Rita entra em contato com empresas e mostra a causa pela qual trabalha. Além de parcerias com uma universidade, a Casa Helpp também atua em rede com prefeituras, que ajudam a realocar essas mulheres no mercado de trabalho. Para as gestantes, são fornecidos maquinários e ferramentas para a confecção de camisetas, por exemplo. Quem quiser ajudar neste propósito pode fazer doações no Pix 15699589000135 (CNPJ). Para entrar em contato com o núcleo de apoio, o contato é (13) 98809-8188.