[[legacy_image_45049]] Uma mulher grávida com diagnóstico positivo para Covid-19, que acabara de dar a luz a gêmeos, acusa o Hospital Irmã Dulce, em Praia Grande, de descaso no dia seguinte do nascimento dos filhos. Ela e os bebês estão em um quarto na ala de isolamento da unidade. "Do isolamento ao esquecimento", diz a paciente. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Denise da Silva Amorim, de 28 anos, recebeu o diagnóstico positivo para Covid-19 no último dia 10, após, segundo ela, ficar com o nariz entupido. Além dela, o marido também testou positivo para o vírus. Na quarta-feira (12), a bolsa estourou quando tomava café da manhã. Ao chegar no hospital, antes de entrar na maternidade, ela afirmou a uma das enfermeiras que tinha testado positivo para Covid-19. Ela foi até a internação para o nascimento dos filhos, os gêmeos Luna e Lorenzo. Após o parto, ela foi levada para a ala de isolamento e teve de ficar sozinha. "Meu marido me acompanhou a todo momento no hospital. Ele avisou que também estava com Covid e mandaram ele ir pra casa, que ele não podia ficar no hospital", afirmou, explicando que a tia ficou com ela durante a noite. No dia seguinte, na quinta-feira (13), já no quarto com os filhos, a funcionária pública disse que não recebeu a visita de médicos, seja pediatra ou um ginecologista. "Parece que me esqueceram. Até pra pedir água, que não tinha no quarto, demorou muito. Como não podíamos sair do quarto, a gente dependia do pessoal do hospital". "Durante a quinta-feira inteira, a técnica de enfermagem entrou no quarto para colher exames dos bebês. Foi o que eu vi de profissional. As enfermeiras batiam a porta para entregar as refeições, sem entrar no quarto ou avisar a gente. Muito, mas muito descaso", relata a paciente. No mesmo dia, a tia de Denise gravou um vídeo, contando relatos dela e da sobrinha. O vídeo circulou nas redes sociais e em grupos de whatsapp. "Depois do vídeo, o tratamento foi outro. Isso ficou muito claro", disse Jandira da Silva de Aquino, tia de Denise. "Para falar a verdade, me senti um lixo. Meu marido ficou muito nervoso, são coisas simples, básicas, e que não fizeram nada. Me colocaram no isolamento, mas acabei indo pro esquecimento", desabafa Denise. Resposta A direção do Hospital Irmã Dulce afirma que a paciente deu entrada na unidade sem informar prontamente sobre o diagnóstico positivo para Covid-19. Segundo a unidade, após a realização de dois exames, ela foi imediatamente isolada no centro obstétrico. "O parto transcorreu sem maiores intercorrências, com a paciente e os recém-nascidos recebendo toda a assistência necessária. A paciente recebeu um kit de máscaras, com quantidade suficiente para o uso adequado, sendo inclusive orientada sobre a periodicidade de troca recomendada pelo Ministério da Saúde. O local também contava com itens como dispensers de álcool gel, devidamente abastecidos", diz a nota. Ainda segundo o hospital, em casos como este, a recomendação é de que o recém-nascido fique junto com a mãe. Foram coletados exames RT-PCR dos dois bebês, que aguardam o resultado. A unidade nega um suposto esquecimento por parte da equipe médica. "A mesma foi devidamente assistida em todos os períodos em que esteve na unidade, recebendo também as orientações pertinentes ao seu caso, repassadas também a seus familiares, durante o processo de internação", diz o posicionamento. A Secretaria de Saúde Pública (Sesap) de Praia Grande declarou que está averiguando o caso e que a gestora do hospital já foi notificada sobre a conduta com grávidas confirmadas ou suspeitas de estarem com Covid-19.