[[legacy_image_335214]] “Dormimos achando que era um pesadelo, mas acordamos vendo que era vida real”. Esse é o sentimento do jornalista Pedro Henrique Oliveira, de 40 anos, morador há três anos do Residencial Giovannina Sarane Galavotti, que precisou ser evacuado e interditado após tremores nesta terça-feira (13), em Praia Grande. A reportagem de A Tribuna conversou com alguns moradores, que relataram momentos de terror e muito medo durante o ocorrido. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! O edifício de alto padrão fica no bairro Aviação e conta com 23 andares, sendo 19 pisos e quatro pavimentos com garagens e áreas comuns. Ao todo, são 133 apartamentos, com 80 de moradores fixos e os demais de veraneio. Cerca de 250 pessoas residem permanentemente no local. Segundo a Defesa Civil do município, foram constatados danos estruturais em três pilastras do residencial que ficam no subsolo. Pedro, que mora no 18º andar, conta que por volta das 13h40 ouviu um barulho que parecia um estampido e como se algo estivesse sendo achatado. Alguns vizinhos teriam visto lâmpadas balançarem. “A gente não sabia se era uma explosão de gás ou algo na rua. Sentimos também um tremor leve, não chegou a chacoalhar, mas sentimos. Rapidamente, as pessoas abriram as portas e questionaram o que poderia ser. Eu só tive a intenção de pegar minha família e descer pelo elevador, que ainda estava funcionando”, relata. Já na garagem, Pedro ouviu mais dois barulhos parecidos, porém mais baixos. No grupo do prédio, os moradores receberam a orientação do síndico de que seria necessário evacuar o edifício. Com isso, Pedro, a esposa, o sogro e os filhos de 5 e 11 anos - que estavam no apartamento no momento do ocorrido - saíram do prédio. Logo, equipes do Corpo de Bombeiros e da Defesa Civil chegaram e interditaram o condomínio. Somente por volta das 19h, os moradores puderam subir de forma organizada e acompanhados de bombeiros, para pegar itens básicos e os animais de estimação. Pedro passou a noite com a família em um hotel que fica próximo ao local, mas afirma que hoje terá que ir para um imóvel que será alugado mediante pagamento diário. Além disso, já acionou o seguro residencial. Pedro acrescenta que, mesmo com o susto, pretende voltar a morar no apartamento. “É um prejuízo financeiro, mas, sobretudo, psicológico. Fica uma sensação de vazio, a gente nunca acha que uma situação dessa vai acontecer. Queremos que isso se resolva e esperamos que mantenham a estabilidade do prédio, para que a gente possa seguir com a vida em segurança. Quero realojar meus filhos e a minha esposa", desabafa. Outro relatoA auxiliar de classe Monica Lisbanea da Silva Stancati, de 25 anos, conta que ouviu o primeiro barulho enquanto estava assistindo a um filme com o marido e o sogro. Ela achou que alguém teria caído no apartamento ao lado, mas, depois que dez minutos se passaram, o barulho se repetiu. “Era um barulho alto, de pedra, bem estranho. Eu olhei a sacada e vi umas pessoas desesperadas gritando: ‘Vai cair!' Nesse momento, nós pegamos só os nossos celulares e descemos pela escada”, relata. Monica diz que, há três meses, foi morar com o marido, que já residia há cerca de três anos no sétimo andar do edifício. Apesar do barulho, ela não sentiu o apartamento tremer, mas chegou a ouvir de outros moradores que teriam visto a mesa tremer e o chão abaixar. “Foi bem difícil na hora, a gente só queria proteger a nossa vida. Nem pensamos em bens materiais, mas, agora, a gente fica pensando se vai conseguir recuperar tudo que tem, espero que a gente consiga, mas aqui eu não quero morar nunca mais”, avalia. Agora, ela e o marido estão morando de favor em uma casa mobiliada, que foi cedida por alguns amigos. Até o momento, Monica não recebeu nenhum posicionamento da construtora e os moradores somente teriam recebido a informação de que não poderiam subir para pegar os itens pessoais. Como fica a situação?A reportagem de A Tribuna entrou em contato com o síndico do residencial para saber o que está sendo feito sobre o caso, mas ele disse que não está autorizado a passar informações no momento. Apenas comentou que está em constante contato com a construtora e que ainda hoje serão definidas as estratégias para atender as famílias. Conforme a Prefeitura de Praia Grande, o condomínio já foi notificado para apresentar documentação técnica e, a partir dessa etapa, o material será analisado pela Secretaria de Urbanismo e pela Defesa Civil. Enquanto isso, o local ficará interditado e não há previsão de retorno das famílias. Em nota, a Construtora e Incorporadora de Imóveis JR Ltda., por meio de seus representantes, disse que está ciente da ocorrência no Residencial Giovannina Sarane Galavotti e "prontamente deslocou engenheiros e técnicos para identificar as causas". Ainda afirmou que, assim que os laudos forem emitidos, não se eximirá de prestar assessoria aos condôminos. A expectativa é que ainda hoje seja realizada uma reunião com todos os moradores para entender os próximos passos para a estabilização do prédio e a apuração das causas. A Defesa Civil do Estado de São Paulo informou que as pessoas foram liberadas para subir nos apartamentos e retirar pertences pessoais, mas o local segue interditado. A administração e a construtora do prédio deverão apresentar laudos à Prefeitura ainda hoje. O que foi feito até o momento?A Prefeitura de Praia Grande informou que, como primeiras medidas adotadas, ocorreu o escoramento dos pavimentos onde houve o sinistro das pilastras no subsolo, térreo, garagens G1 e G2. Outra ação realizada foi o esvaziamento da caixa de água da edificação para reduzir o peso total do prédio nas pilastras. A Gestão Municipal ainda informou que equipes das secretarias de Urbanismo, Trânsito e Segurança Publica (GCM), além da Defesa Civil, do Corpo de Bombeiros e da Polícia Militar, fizeram parte da operação no local. Na oportunidade, técnicos da secretaria de Urbanismo, da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros realizaram vistoria dentro do edifício para avaliar os danos, ação que definiu a interdição. A Prefeitura também afirma que equipes das secretarias municipais realizaram acolhimento aos moradores do edifício ao longo de todo o dia e seguem monitorando e acompanhando o trabalho no local.