[[legacy_image_172801]] Vigésima segunda maior no Estado em população (em 1980, era a 51ª colocada), com um crescimento de quase 200 mil moradores nesse período. Sexta colocada no Estado em arrecadação de IPTU, 36ª em ISS (Imposto sobre Serviços), sétima colocada em ITBI, sexta em arrecadação de taxas. Sua frota de veículos supera os 161 mil, e de automóveis de passeio, quase 90 mil, a segunda no ranking regional (após Santos). Isso significa que a cada dois moradores um possui veículo. E mais um dado relevante: de 51% dos imóveis destinados a veraneio no passado, hoje são apenas 35%. Há cerca de 7 mil moradores novos por ano. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Esses números superlativos de Praia Grande colocam o município em uma condição promissora, mas também impõem um desafio especial aos gestores municipais: planejar a Cidade para que o desenvolvimento e o crescimento econômico se deem com equilíbrio e com a estrutura necessária. “Temos notado essa mudança do perfil da Cidade, com a chegada de novos moradores, com uma frequência de turistas durante toda a semana, a chegada de novos negócios e empresas”, diz a secretária de Planejamento de Praia Grande, Eliana Ferreira, que encabeça, desde o ano passado, os primeiros passos para a mudança no Plano Diretor da Cidade, que data de 2016 e será atualizado em 2026. Plano diretor é um conjunto de normas e diretrizes que fazem o planejamento de uma cidade, visando não apenas a forma como o território será ocupado, mas como se darão as providências em todas as áreas sociais e econômicas, como saúde, educação, meio ambiente, geração de emprego e outras. O plano diretor é atualizado a cada dez anos, mas Praia Grande vem reunindo dados atualizados sobre a Cidade e projeções para as próximas décadas. Eliana diz que uma das preocupações tem sido incluir a sociedade nesse debate, e que essa etapa ocorrerá por meio de audiências públicas e abertura de manifestações no site da Prefeitura. “Temos o Plano Diretor geral, mas criamos 18 sub-planos dentro dele que se alinham a todas as áreas que julgamos importantes”. Uma das novidades nesse debate será a inclusão de dois temas: mudanças climáticas e as questões de gênero. “Não dá mais para deixar esse debate de fora”, afirma. De onde eles vêm O item que chama atenção de Praia Grande é o número de novos moradores. A secretária diz que os estimados 7 mil novos cidadãos que chegam à Cidade vêm de todo o País. Como os dados censitários oficiais vão sair apenas no início do próximo ano, o cálculo é realizado com base nos endereços de entrega dos carnês de IPTU e nas próprias projeções do IBGE. “Mesmo assim, temos entrega de carnês em 20 estados diferentes”, aponta Eliana. [[legacy_image_172802]] Com mais população, o desafio é gerar emprego e renda No plano diretor que será renovado em 2026, uma das preocupações da Prefeitura tem sido a oferta de empregos e renda para tanta gente que está chegando à Cidade. “A economia precisa girar para que essas novas famílias tenham autonomia e possam morar bem, educar seus filhos, consumir no Município”, diz Eliana Ferreira. A secretária destaca a chegada de grandes empreendimentos, como um novo shopping que está sendo construído, o Complexo Andaraguá, que deverá criar 10 mil empregos diretos e indiretos, e a instalação de dois novos hospitais privados, um do plano de saúde Prevent Senior, outro do Plano Trasmontano. Há, ainda, faculdades particulares sendo criadas e lojas de rede no comércio local. “Tudo isso mostra que o setor empresarial também está atento a esse aumento da população e à criação de mercado consumidor”. Um aspecto que chama a atenção da secretária é que, hoje, Praia Grande já é bastante procurada por moradores de municípios vizinhos para consumir no comércio local, estudar nas escolas e nas faculdades, e utilizar os serviços de saúde privados e públicos. Um dos itens que deverão ser tratados no novo plano diretor é a mobilidade, porque o fluxo diário de pessoas é intenso. “Uma das obras que vamos pleitear é a triplicação da Curva do S, justamente para atender essa demanda grande que vem do Litoral Sul”. Para o consultor Rodolfo Amaral, sócio da Data Center Brasil, empresa que trabalha com dados oficiais sobre todos os municípios, uma das preocupações de Praia Grande deve mesmo ser com o adensamento do solo e a elevação do custo a médio prazo, “elitizando a ocupação, tal como ocorreu em Santos, e inviabilizando a produção imobiliária popular local”. “A escassez de áreas para produção imobiliária movimenta moradores de um lugar para outro e isso gera demandas sociais no município que recebe essas pessoas”, diz. Rodolfo vê com bons olhos o planejamento feito com bastante antecedência sobre o uso do solo: “Praia Grande, hoje com 32 bairros, ainda tem como planejar melhor a ocupação dos bairros do outro lado da pista. Os números revelam um certo equilíbrio”.