[[legacy_image_323767]] Os irmãos Davi, 13 anos, e Miguel, 12, que viralizaram nas redes sociais em 2022 pelo jeito único de vender empadinhas nas areias de Praia Grande sofreram uma grande perda no sábado (30). O pai, André Rodrigues de Araújo Silva, de 37 anos, responsável por planejar todo o empreendimento, morreu após sofrer sete paradas cardíacas. A esposa, Valdineia Rodrigues, 38, decidiu suspender as atividades, apesar da venda das empadas ser a única fonte de renda da família, até que todos possam se recuperar do luto. (Veja no vídeo mais abaixo) Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! André Silva tinha obesidade, pressão alta, gotas e insuficiência cardíaca. Parecia saber que, em breve, esse triste dia chegaria e deu aos filhos toda educação possível. Responsáveis, eles aprenderam rápido, se dedicaram com os exemplos que tinham em casa e conquistaram os clientes e a internet com muita simpatia. Na sexta (29), André passou mal. Teve muita dor nas costas, retenção de líquidos e dificuldade para respirar. Acompanhado da esposa, foi de carro para o pronto-socorro da Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Samambaia, em Praia Grande, onde ficou internado. “Ele foi atendido rápido. Colocaram ele em uma cadeira de rodas e ele ‘meio que se despediu de mim’. Eu não entendi nada na hora, porque pra mim eu iria ver ele de novo”, lembra Valdineia. André foi levado para a sala de emergência, onde teve a primeira parada cardíaca. “Enquanto perguntava por ele na recepção, eles estavam tentando salvar a vida dele e eu não sabia de nada”. Sob recomendação, ela foi para casa e voltou no dia seguinte, às 10h30, durante o horário de visitas e se impressionou com o que viu. André estava entubado e desacordado, e levou a esposa ao desespero. “Eu fiquei em choque porque nunca tinha visto ninguém assim, ainda mais alguém que eu amo”, conta. Uma médica se aproximou e explicou que as condições de André eram muito complicadas. Devido à obesidade, não estavam conseguindo fazer os exames necessários e uma opção era transferí-lo para um hospital, mas precisava melhorar o estado clínico para resistir ao transporte. O que não foi possível. Por volta das 18h, André sofreu outras seis paradas cardíacas e, às 20h30 do dia 30 de dezembro, veio a óbito. Conforme Valdineia, os médicos se esforçaram para mantê-lo vivo, principalmente por se tratar de uma pessoa tão jovem, mas, mesmo assim, ele não resistiu. “Nosso ano novo foi em luto”. [[legacy_image_323768]] Como tudo começouValdineia lembra que ela e o marido estavam desempregados há 10 anos e, com os filhos pequenos em casa, buscava uma inspiração para decidir o que fazer para terem uma fonte de renda. E a inspiração veio com o programa da Ana Maria Braga. “Eu peguei uma receita dela na internet. Uma menina que fazia empadinhas e vendia de porta em porta. Então pensei, ‘eu moro na praia, se a gente vender na praia vai dar certo’. Eu ainda adaptei a receita e deu muito certo”. As primeiras vendas foram na porta de um supermercado de Praia Grande. Com uma dúzia de empadinhas, ela e o marido venderam tudo em menos de meia hora. Para Valdineia, o segredo é vendê-las sempre quentinhas. “Eu faço elas, já embalo e levo. É um sucesso”. Um negócio de famíliaDepois de quatro anos vendendo empadinhas na praia, André foi atropelado enquanto seguia para o trabalho. Percebendo toda a dificuldade financeira da família, Davi, na época com 9 anos, decidiu ir à feira e se ofereceu para trabalhar em uma barraca para conseguir dinheiro, sem o conhecimento do pai. Após o serviço, recebeu um valor que usou para comprar legumes e peixes. Já em casa, o pai se surpreendeu com os alimentos e questionou o filho, que confirmou ter trabalhado para ajudar a família. "O André ficou triste com a situação, mas também ficou feliz pela atitude inesperada do Davi”, recorda Valdineia. Assim que melhorou, o pai começou a levar o filho para vender as empadinhas. Um pouco mais tarde, Miguel também se ofereceu. Desde então, enquanto a mãe preparava toda a mercadoria em casa, o pai e os dois filhos passaram a ir juntos à praia para comercializar o produto 100% familiar. As vendas eram feitas em horários opostos às aulas, para não comprometer os estudos e em períodos onde eles pudessem aproveitar a infância como qualquer criança. Orgulhosa, a mãe não economiza nos elogios quando fala dos filhos. “A relação deles na escola é boa, eles tiram notas boas, são bem responsáveis na escola, nos estudos, em qualquer lugar. Eles são duas crianças diferenciadas.” Logo, uma estratégia foi montada. "Os dois começaram a falar juntos para vender na praia e rapidamente caíram na graça do povo. Até que, em 2022, um vídeo deles vendendo na praia viralizou e fez o maior sucesso”. InspiraçãoAlém de pai, André Silva era uma inspiração para os filhos Miguel e Davi. Sempre bem humorado, ele mostrava aos filhos como conduzir a vida de uma forma leve e correta. Um dos pontos fortes que serão sempre lembrados por Miguel é bom coração. “Ele perdoava todo mundo e se esforçava para ajudar as pessoas. Meu pai foi um paizão e também o melhor pai do mundo”. Para o filho mais novo, Davi, o pai sempre se preocupou com o futuro. “Ele me ensinou a estudar, a trabalhar e nunca entrar no caminho das drogas. Três dias antes de morrer ele me buscou na praia e me abraçou. Nós começamos a chorar e depois fomos embora. Meu pai sempre esteve presente nas dificuldades e nas felicidades. Meu pai foi o melhor pai que eu pude ter e sempre tive o sonho de ser um jogador de futebol. Agora eu vou virar pelo meu pai", afirma. Apoio e solidariedadeDepois de assistir ao vídeo que viralizou na internet com as crianças conversando com clientes na praia para vender as empadinhas, o corretor de imóveis André Luciano Oliveira Silva se apaixonou pela família e se aproximou para oferecer ajuda especializada para que eles pudessem desenvolver o empreendimento. Hoje é um grande amigo. "Além de podcasts que fizemos com eles, ajudei com orientação financeira para o pai, orientação com eventuais parcerias e, recentemente, estava levantando um negócio envolvendo contratos, mas infelizmente ele veio a falecer”, conta. Para o corretor, todos eles atuam como um time e, com a recente morte do pai, “perdem o homem da narrativa”, destacando a influência dele no planejamento familiar. “Eu sempre puxava a orelha dele no sentido de não poder dar tudo o que os meninos queriam enquanto o dinheiro estava entrando porque era preciso fazer um caixa para o futuro”, lembra. "As crianças viram alguns problemas da vida real da pior maneira – acidente do pai, dificuldade financeira – e isso fez eles amadurecerem bastante. Agora, eles precisam de um norte, mas penso que eles precisam ser ‘blindados’ para não serem enganados por alguém que queira se aproveitar da boa vontade e fragilidade da família”, afirma. Momento difícilCom a morte de André, a família deu um tempo na venda das empadas. Todos estão abalados e as crianças ainda não conseguiram lidar com a dor da perda. “Primeiro, precisamos colocar a cabeça no lugar. Depois teremos que pensar no que fazer. O André era quem pensava nos negócios, sabia o que fazer, e a gente ajudava. Agora tem que pensar muito para não fazer nada errado”, conta Valdineia. “Como a gente não está conseguindo fazer e nem vender nesse momento, nossa dificuldade é com as contas já que a gente vive de empadinhas”, explica. Em meio à dificuldade, a família disponibilizou o PIX para aqueles que puderem colaborar.PIX: 13997374285 [[legacy_image_323769]]