[[legacy_youtube_QiQ8cz71kg8]] Feirantes da cidade de Praia Grande estão preocupados com suas situações financeiras durante o ‘lockdown’, que foi instaurado no último dia 23, na tentativa de conter o elevado número de casos de coronavírus na Baixada Santista. A equipe de A Tribuna entrou em contato com alguns profissionais, que se mostram conscientes com a gravidade da doença, mas que também relataram situações desesperadoras para a categoria no período. Confira a videorreportagem acima. Clique e Assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe acesso completo ao Portal e dezenas de descontos em lojas, restaurantes e serviços! Fernando Santana do Nascimento, que trabalha com feira livre há 20 anos, descreveu a situação atual dos companheiros de profissão na Baixada Santista. “A realidade é muito triste. Muitos estão com depressão e crise de ansiedade, sem conseguirem dormir, uma vez que tiraram o nosso ‘pão de cada dia’, o único meio de levar sustento para casa”, relata. Nascimento concedeu a entrevista em um local próximo ao “Quadradão”, espaço localizado no bairro do Quietude, em Praia Grande. Segundo ele, nas quintas-feiras “pré-lockdown”, o local abrigava cerca de 200 barracas. “Só aqui, umas mil pessoas dependiam direta e indiretamente da feira. Afinal, ela não apenas gerava sustento ao trabalhador, mas também tinha preços mais acessíveis, como na ‘xepa’. Após um dia de feira, o que sobra não pode ser revendido, então, o feirante doa, é o famoso ‘machucadinho’”, relata. [[legacy_image_65176]] O profissional mostrou que está consciente em relação aos riscos da Covid-19, mas disse que o comércio em questão poderia ter continuado aberto com uma fiscalização ainda mais rigorosa. “Entendemos que existe um caos na [área da] saúde, mas queremos ‘desafogar’ também a aglomeração dos mercados. Não é vergonhoso ter a humildade e hombridade para ver que errou no decreto. Afinal, a partir do momento que você deixa as pessoas sem opção, acontece o que está aparecendo recentemente, os mercados ficam lotados”, afirma. “Eles (os mercados) podem colocar o preço que quiserem, pois não têm concorrentes. Com a feira, as pessoas teriam outras opções. Na minha opinião, deveriam fiscalizar mais, mas não tirar o direito da pessoa ganhar o seu pão. Mexeu com o comércio todo. Hoje, a pessoa que não pode trabalhar se encontra desesperada. Tem gente que não tem alimentos, as pessoas estão dormindo com fome”. Pouco antes de conceder a entrevista, Nascimento mostrou, ao lado de um colega de profissão, alimentos no porta-malas de seu carro que, segundo ele, seriam doados como ‘cestas básicas’ para famílias carentes. Por sua vez, Cláudio Henrique dos Santos, que trabalha como feirante há 35 anos, falou ‘diretamente’ com governantes que assinaram o decreto. “O problema do ‘lockdown’ é fazer o que estão fazendo conosco e com muitos outros [profissionais]. Precisam ter consciência que nossas famílias estão todas desesperadas”, desabafa. “Na situação atual, pelo amor de Deus, estamos perdendo até a nossa dignidade. Muitos pais a estão perdendo, uma vez que não têm o que levar para dentro de suas casas. Nós, que ajudávamos tanto outras pessoas, hoje, também estamos sendo ajudados”. [[legacy_image_65177]] O feirante Denis Diguê Borges da Costa, que trabalha com a família em uma barraca de pastéis, também relatou o seu sentimento. “Ficamos muito tristes, pois não apenas os donos de barracas, mas também os funcionários estão sentindo muito. Além dos funcionários ‘fixos’, muitos precisam trabalhar para receber ao final do dia”, lembra. “Fregueses reclamam, pois ficaram ‘limitados’ aos mercados, dizem que esses estabelecimentos são mais fechados, enquanto a feira é mais ‘aberta’, com mais segurança”. “Duas semanas sem trabalhar já está 'ficando pesado’ pra gente. É o que também tenho escutado por aí. Não sabemos quando vai voltar, e esse é o medo do feirante, prolongarem [as restrições]. Entendemos o ‘lockdown’ e que as pessoas estão doentes. Compreendemos que os leitos estão cheios, mas também temos o medo de ficarem prolongando [a fase que restringe este tipo de comércio]”, finaliza Costa. [[legacy_image_65178]] Por fim, Davi Vicente Diogo, que tem uma barraca de aparelhos eletrônicos, explicou o que o ‘lockdown’ representa para ele: “Somos comerciantes e temos o ganho diário. A renda vem 100% da feira. Se nós não trabalhamos, não teremos dinheiro para sobreviver”. A equipe de A Tribuna entrou em contato com a Prefeitura da cidade de Praia Grande para saber mais sobre a situação da categoria durante o período. Confira, abaixo, na íntegra, a nota emitida sobre o caso: A Prefeitura de Praia Grande ressalta que segue tomando medidas para reduzir o impacto para os setores da economia local que estão sendo afetados devido os desdobramentos da pandemia da covid-19. Ao longo desta pandemia a Administração Municipal vem adotando duas linhas de atuação: salvar o máximo de vidas possíveis e também manter o funcionamento dos comércios. Por conta do trabalho preventivo desenvolvido na Cidade e também da estrutura da Saúde existentes para o enfrentamento da covid-19, em determinado momento o Município adotou diretrizes próprios não acatando a faixa do Plano São Paulo e mantendo os comércios abertos. Infelizmente, com a atual escalada de casos e internações no Município se faz necessário atender a ‘fase emergencial’ do Plano, com a liberação momentânea apenas do funcionamento de serviços essenciais. A Prefeitura solicita ainda o apoio e a colaboração da população nesta fase tão delicada e importante de enfrentamento da pandemia. Cada um deve fazer a sua parte, usando máscara, álcool em gel e praticando o distanciamento social e saindo de casa apenas para ações essenciais. Ações – A Prefeitura de Praia Grande está adotando novas medidas para amenizar os impactos da pandemia. A Cidade anunciou, no último dia 12, que mais de 8 mil famílias residentes na Cidade receberão o auxílio de cestas básicas pelos próximos dois meses. A medida beneficiará pessoas que estão em vulnerabilidade social e ainda profissionais de alguns setores da economia. Outra ação que será detalhada em um novo decreto municipal que deverá ser publicado em breve diz respeito as taxas cobradas pela Prefeitura para liberação de atuação de determinadas atividades. Serão prorrogados até dezembro de 2021 os pagamentos dos alvarás de permissionários e também do comércio em geral. Nos últimos meses, alguns setores receberam através de recursos próprios da Prefeitura de Praia Grande um auxílio financeiro como, por exemplo, os transportadores escolares. Esses profissionais contaram com três parcelas de auxílio no valor de R\$ 1.500