[[legacy_image_120265]] A confeiteira Jordany Lívia Mendes Costa, de 24 anos, veio de Guarulhos, na Grande São Paulo, para morar em Praia Grande pouco antes da pandemia. A escolha da cidade foi bastante lógica: além de possibilitar mais qualidade de vida à filha, de 4 anos, a troca ocorreu porque Lívia é cadeirante e queria morar em um local com menos ladeiras. Vendedora de doces, ela aborda a clientela nas ruas. Neste mês, a moradora do Esmeralda recebeu uma doação para turbinar as vendas: uma cadeira de rodas motorizada, cedida pelo Fundo Social de Solidariedade (FSS). Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! "Comecei a vender já na pandemia. Estava com pouco dinheiro, era uma fase muito difícil. Cheguei ao ponto de ter de trocar arroz para dar o leite à minha filha. Foi muito complicado mesmo. Um dia, vi que havia sobrado R\$ 40,00. Tive que fazer algo para que o dinheiro voltasse para mim", conta Lívia. A confeiteira começou a elaborar bolos de pote, mas resolveu mudar de estratégia e vender brigadeiros, que segundo ela têm maior durabilidade. "Preparava e colocava numa forma de bolo. No primeiro dia, consegui vender os cem que havia feito. Tive um lucro de R\$ 200,00, que para mim era muito dinheiro. Vi que era uma coisa rentável e que dava pra sobreviver", relembra. Ela conta que passou a vender na saída de um restaurante, no bairro Mirim, e chegou a viralizar nas redes sociais após um cliente tirar uma foto dela. Mas, ainda assim, tinha algumas dificuldades, porque o brigadeiro ficava prejudicado pelo clima. "Eu não tinha expositor e já até perdi produtos por conta da chuva". Ao vender os doces na frente de um mercado, uma foto de Lívia viralizou novamente, pois estava com a filha ao lado. "O gerente perguntou se eu não tinha com quem deixar a filha e se não tinha medo de que o Conselho Tutelar a levasse. As escolas estavam fechadas por causa da pandemia, então não tinha com quem deixar. Ele chegou a mandar o segurança me tirar do local, chamou a polícia, mas a população me defendeu". [[legacy_image_120266]] Cadeira de rodasLívia conta que teve paralisia cerebral quando criança e, por isso, usa uma cadeira de rodas há sete anos. Ainda pequena, ela andava, mas com muita dificuldade e "o joelho encolhido". Passou por cirurgia, mas o problema retornou, já que ela não deu continuidade à fisioterapia. "Eu trabalhava e estudava. Não tinha firmeza. Existe a possibilidade de andar, mas isso depende de uma outra cirurgia. Só que, hoje, minha filha é a prioridade, não vou ter com quem deixá-la". Desde que começou a usar cadeira de rodas, Lívia nunca a trocou. "Estava deplorável. É a minha primeira cadeira, que eu tinha recebido como doação". No entanto, após ficar conhecida em Praia Grande e entrar em contato com o Fundo Social local, Lívia recebeu uma ligação que transformaria sua vida. "Uma outra pessoa que ia receber a cadeira de rodas motorizada acabou conseguindo uma, de outro jeito. E eles me chamaram, dizendo que eu poderia recebê-la", conta. "É tipo uma scooter. Ela é muito ágil. Fui vendendo no calçadão da praia, consegui colocar o expositor na frente. Tem uma bateria recarregável. Eu não tenho vergonha de ser cadeirante, sou bem resolvida com isso. Mas com a scooter a impressão é que as pessoas me veem como uma pessoa que anda". AjudaApesar da ajuda que recebeu, Lívia ainda luta para conseguir outro item que pode contribuir com as vendas. "Um expositor maior de acrílico, que custa R\$ 700,00. Ainda não consegui comprar porque meu dinheiro acaba indo para meu sustento e para comprar as da minha filha". Ainda assim, com toda repercussão de sua história, ela reforça que não quer ser vista como "uma coitada". "Não necessito de ajuda com alimentos, porque o trabalho supre. Muita gente quis me dar cesta básica, mas eu recusei porque isso pode ser doado para quem realmente precisa. No começo, podem até comprar os doces para me ajudar, mas quero que comprem porque gostam do sabor. Afinal, cobro o valor justo e fiz curso de confeitaria para me aperfeiçoar". Lívia atende no instagram @doce.vitoria_.