[[legacy_image_227365]] Desrespeitada e muito chateada. Assim, assim se sente a jornalista Aline Porfírio, de 33 anos, após ter sido impedida de sepultar o corpo da avó dela, na tarde desta segunda-feira (5), no Cemitério Morada da Grande Planície, na Vila Antártica, em Praia Grande. A neta diz que a data da última homenagem para avó, que morreu domingo (4), precisou ser trocada porque o cemitério municipal não funcionou. Motivo: ponto facultativo em dias de jogo do Brasil na Copa do Mundo. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! Moradora de Praia Grande, Amélia Argentino Ribeiro, de 94 anos, teve um infarto na noite de domingo. Velório e sepultamento foram agendados para esta segunda. Contudo, a neta explica que a família foi informada pela Organização Social de Ataúdes Nóvoa (Osan) sobre a mudança da data no dia marcado. “Nossa família correu com todos os detalhes. Ela tinha um plano da Osan, e fomos informados que o velório seria nesta segunda, das 14 as 16 horas, dentro do cemitério, e o sepultamento às 16 horas. Avisamos toda a família e os amigos. Mas de manhã ligaram para o meu tio informando que teria que fazer algumas mudanças”, explica. Neste telefonema, a família foi informada de que o velório não seria mais dentro do cemitério, mas em uma capela da Osan. O novo local teria um custo à parte, que os familiares se negaram a pagar. A Osan acabou fornecendo a sala de graça. “A segunda informação que chegou para a gente foi que o enterro seria para esta terça, porque o cemitério fecharia por conta do jogo da Copa. Foi bem complicado para a gente, porque a família dela é de Lençóis Paulista (interior de São Paulo), há 400 quilômetros daqui, e eles já estavam em Praia Grande”, conta. A jornalista explica que a mudança repentina causou transtornos para os parentes que enfrentaram mais de cinco horas de viagem para estar ali, pois eles não poderiam ficar na Cidade até o dia seguinte. Os familiares tiveram que ir embora sem sepultar Amélia. “Eles pegaram a estrada de madrugada e, quando conseguimos avisar, já estavam aqui”. Aline explica que a família, por ser católica, preza pela tradição de participar do enterro e prestar uma última homenagem ao ente querido, o que foi impossibilitado pelo fechamento do cemitério por causa do jogo da seleção brasileira. “Fiquei arrasada. Achei um desrespeito, porque a gente não escolhe o dia para morrer. É uma coisa inesperada e acredito que seja um serviço essencial. Fiquei muito triste pela família que veio de longe, mas não conseguiu acompanhar, e também indignada porque foi a primeira vez que tive que lidar com isso”, explica. Por conta da mudança, apenas os dois filhos de Amélia estariam disponíveis para comparecer ao sepultamento. A família, amigos e a própria neta tiveram que retornar para suas cidades para arcar com seus compromissos. “O Brasil é o país do futebol, eu mesma amo a Copa. Mas existem emergências, e a morte é um momento em que todo mundo está muito frágil, então me senti desrespeitada. Foi uma situação bem difícil", afirma. Questionada sobre o caso, a Prefeitura informou, em nota, que durante o período de Copa do Mundo, juntamente com a Osan, empresa concessionária de prestação de serviços funerários na Cidade, estão procurando agendar previamente os serviços de velório e sepultamento fora do período dos jogos do Brasil para possibilitar maior presença dos familiares e amigos durante as cerimônias. A Administração ressalta que os horários ficam acertados com a família com o máximo de antecedência possível. Sobre o caso de Amélia, informou que um funcionário da Osan acabou se equivocando e cancelando um serviço que já estava agendado. A Prefeitura também alega que a empresa já se retratou com a família concedendo a realização do velório nas dependências da empresa em dois dias, na segunda-feira (05), assim como também nesta terça-feira (06). Até o fechamento desta Reportagem, a concessionária da Prefeitura responsável pelo serviço, a Osan, não se posicionou sobre o caso.