[[legacy_image_213167]] O sonho de passar a lua de mel no visual paradisíaco de Punta Cana, na República Dominicana, se tornou um pesadelo para um casal de Praia Grande. Isso porque o IT Business Partner (analista de negócios) Jhordan Abdalla Arrojo Martinez, de 28 anos, e a auxiliar administrativo Flavia Camila da Silva Martinez, de 26, estavam no ônibus de turismo que capotou na quinta-feira (6) e deixou vítimas fatais. Os dois ficaram feridos e Flavia segue internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após passar por cirurgia. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! “Foi um pesadelo”, diz o jovem que conversou com A Tribuna neste sábado (8). Ele conta que está junto com Flavia há mais de oito anos e o casamento aconteceu no último dia 1º, após quase dois anos de noivado. Para curtir a lua de mel, o casal chegou na República Dominicana na tarde de terça (4), aproveitou o hotel na quarta (5) e estava a caminho do primeiro passeio da viagem quando sofreu o acidente. Segundo Jhordan, o destino era a Ilha Saona, um dos principais passeios turísticos na região. “Foi set de filmagem do Lagoa Azul e Piratas do Caribe, então a gente contratou na agência o passeio para fazer na quinta-feira”. O objetivo era que a viagem de lua de mel durasse até a próxima terça-feira (11), mas com o acidente, o retorno dependerá do estado de saúde de Flávia, que apesar de estar consciente, bateu a cabeça e precisou passar por cirurgia no mesmo dia do capotamento do ônibus. “Eles me deixaram vê-la antes dela ir à UTI e conversei. Ela estava bem inchada, mas graças a Deus, operou na mesma noite e está estável”. Segundo o analista de negócios, a esposa permaneceu lúcida o tempo inteiro. “Não teve sangramento no cérebro, mas precisou tomar ponto no rosto e fez reconstrução capilar porque parece que cortou uma parte do cabelo”, fala sobre o quadro de Flavia, que também quebrou a mandíbula. “Vamos ter que procurar um cirurgião dentista para restaurar, mas o médico falou que isso pode ser feito no Brasil, o importante agora é estabilizá-la”. A auxiliar administrativo ainda sofreu lesão em uma das vértebras. “Está imobilizada com colar cervical para não sofrer nenhum tipo de trauma, mas parece que não é grave, ela pode tratar depois. A previsão do médico é que ela passe por uma avaliação de novo e vá para o quarto”, diz o jovem, que se preocupa com as condições da esposa para viajar novamente ao Brasil. Jhordan, por sua vez, sofreu ferimentos superficiais nos braços e mão e teve alta nesta sexta-feira (7). Ele está no hotel junto com a mãe e a tia, que viajaram para prestar auxílio ao casal. “Só tomei um ponto, estou com dor e as costas roxa, mas tiraram raio-X e não é nada grave. Agora estou tomando remédio”, afirma. [[legacy_image_213168]] AcidenteO acidente com o ônibus de turismo deixou pelo menos três mortos e mais de 30 feridos. Segundo a mídia dominicana, além de brasileiros, o veículo transportava turistas da Argentina, Chile, Colômbia, México e Peru. O analista de negócios do setor de tecnologia da informação conta que o casal saiu do hotel por volta das 7h30 no horário local. “O acidente deve ter acontecido entre 8h10 e 8h20”, ressalta, dizendo que não entendeu direito o motivo do capotamento do ônibus. “A gente estava em uma rodovia. A princípio, não achei que o ônibus estava rápido, estava em uma velocidade normal, 100 km/h. O que aconteceu foi muito de repente, estava reto normal e do nada ele virou. Por não ter reduzido a velocidade, a gente foi caindo de lado até que o ônibus tombou”. De acordo com Jhordan, não foi possível ver se o motorista virou para desviar de algum veículo. “Parece que um caminhão entrou com tudo e para não bater, ele (motorista) jogou o veículo na saída da rodovia”, afirma o analista, que descreve a situação como “cena de filme”. “Foi horrível e desesperador. Eu fui jogado, só deu tempo de proteger minha cabeça. Cai, levantei e já comecei a procurar a Flavia e gritar pelo nome dela. Ela estava no chão, meio desacordada. Eu não sei de onde tirei forças, a levantei e ela meio que acordou. Graças a Deus a gente caiu em frente de um posto, tinha pessoas e uma obra do lado, então muita gente veio ajudar rapidamente”. Jhordan relata que estava na direção da saída de emergência, por onde viu dois homens. “Dei a Flávia para eles e pulei para fora do ônibus”. Ele diz que não sabe dizer quanto tempo o resgate demorou, pois perdeu a noção do tempo. “Na minha cabeça demorou séculos, mas às vezes parece que foi rápido”. Devido à quantidade de pessoas feridas gravemente, Jhordan e a esposa foram socorridos junto com duas outras brasileiras por uma viatura de polícia. “Um bombeiro foi com a gente. Era caminhonete, então fomos na caçamba. Uma das brasileiras estava em estado bem crítico, sem um braço. A outra não tinha nada grave. Graças a Deus, o hospital não era tão longe”, descreve. Segundo o jovem, eles foram bem atendidos na unidade de saúde. Além disso, receberam a visita de representantes do Consulado. “Falaram que estão dispostos a ajudar com o que precisar e ver com a companhia (aérea) de remarcar a data de retorno, mas a gente depende do estado da Flavia para tomar alguma decisão”, finaliza.