[[legacy_image_242199]] Desesperada. É assim que Jeniffer de Oliveira se descreve no momento em que sofreu queimaduras pelos tentáculos de uma caravela-portuguesa na praia do Tupi, em Praia Grande. A administradora, de 31 anos, estava mergulhando no mar quando foi surpreendida pelo animal. Clique, assine A Tribuna por apenas R\$ 1,90 e ganhe centenas de benefícios! A moradora de Praia Grande conta que criou um costume de ir à praia durante a noite e, no último dia 18, aproveitou o calor para tomar um banho de mar acompanhada de seu irmão e primo - duas crianças. "Lembro que estava com eles na água e tinha um pessoal na areia. Meu irmão foi perguntar a hora e falei: ‘Vamos sair da água? Está ficando tarde’ e eles quiseram ficar mais um pouco”. “Passaram uns cinco minutos e, quando olhei para o meu lado direito, vi a caravela vindo, parecia uma bexiga boiando e vi os tentáculos. Ela não estava muito longe, estava cerca de um metro de distância, só que os tentáculos eram muito grandes e vieram em minha direção. Encostou nas minhas pernas e queimou. Fiquei desesperada”, afirma. Neste momento, a primeira reação da administradora foi ver se os meninos sofreram queimaduras também, mas percebeu que eles já haviam saído do mar. “Comecei a gritar, ardeu demais e começou a queimar minha perna. Uma dor insuportável. Pedimos ajuda, mas ninguém se prontificou”. Sem receber ajuda das pessoas que estavam na areia, Jeniffer e as duas crianças decidiram ir para a Avenida Presidente Castelo Branco pedir ajuda de quem passava na via. “Uma moça entrou na sorveteria e voltou com vinagre. Jogou nas minhas pernas e ardia bastante, mas uma hora começou a aliviar”. Segundo a mulher, uma viatura parou e um policial perguntou se ela estava bem. "Ele tentou acalmar as crianças e esperamos minha mãe. Depois viemos para casa, joguei vinagre nas feridas. Graças a Deus não aconteceu nada sério”, explica. [[legacy_image_242200]] Por conta do acidente com a caravela-portuguesa, a administradora diz que está com medo de ir ao mar durante a noite. Além disso, por conta das queimaduras, ela ainda não foi liberada para ir à praia, pois é necessário evitar o sol durante a cicatrização. “Fiquei com muito medo. Estou indo na praia desde novembro, sempre de noite. Nunca vi um bicho desse tão de perto. Meu desespero maior foi por conta das crianças, porque não os vi na hora e meu medo era ter queimado eles também”, conclui. AnimalConforme noticiado por A Tribuna, banhistas de Praia Grande flagraram uma caravela-portuguesa (Physalia Physalis), um cnidário do mesmo filo das águas-vivas, na faixa de areia da praia da Ocian no dia anterior ao acidente. O biólogo Ricardo Samelo afirma que a caravela-portuguesa pode causar queimaduras nos banhistas. “Tem células chamadas de cnidócitos, especializadas na captura de alimento e defesa do animal, e estas células que estão localizadas em seus longos tentáculos possuem toxinas”. A atenção deve ser redobrada dentro do oceano, pois a parte visível não representa o tamanho do cnidário. “Os tentáculos que estão submersos, são bem longos e podem atingir vários metros. Ao tentar se aproximar, o banhista pode tocá-los sem ver ou perceber”.