O sucesso é tão grande que a agenda de encomendas do casal já está fechada até o mês de agosto (Arquivo Pessoal) Explosões congeladas no tempo, aviões em pleno voo e batalhas recriadas em miniatura fazem sucesso nas redes sociais de um casal de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Entre o sonho e a realidade, eles transformaram a criatividade em um negócio próprio de dioramas — cenas detalhadas que reproduzem ambientes históricos ou fictícios com alto nível de realismo. Os modelos são variados, e os valores acompanham a dificuldade e tempo de criação das peças: “o céu é o limite”. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Com mais de 100 mil seguidores e diversos vídeos que viralizaram no Instagram, a trajetória do empreendedor e plastimodelista Jones Aparecido Félix da Silva, de 37 anos, e da gestora de Recursos Humanos (RH) e empreendedora Ludmila Bernardes Graça Fachina, 33, começou há cerca de quatro anos, embora a arte de criar dioramas faça parte da vida dele desde 2015. Cada projeto pode levar de 4 a 10 dias para ser concluído, variando conforme o modelo. O sucesso é tão grande que a agenda de encomendas do casal já está fechada até o mês de agosto. Os valores começam em R\$ 500 e não têm limite máximo: um dos dioramas mais caros já vendidos por eles foi um porta-aviões de 1,5 metro, que custou R\$ 6 mil. Como tudo começou Desde a infância, quando ainda morava no bairro Catiapoã, em São Vicente, Jones se encantava com uma loja de dioramas e miniaturas militares. Segundo a esposa, ele observava cada detalhe das peças, tirava dúvidas com o artesão e sonhava em ter uma daquelas obras. “No entanto, sua realidade financeira não permitia. Sem condições de comprar brinquedos, encontrou na imaginação uma alternativa. Incentivado por sua mãe, Rosemira, que desenhava e estimulava os filhos a criarem, Jones passou a desenhar e inventar seus próprios brinquedos. Foi nesse cenário simples que começou a desenvolver a criatividade e as habilidades manuais que mais tarde definiriam sua trajetória”. Os valores começam em R\$ 500 e não têm limite máximo (Arquivo Pessoal) Já na adolescência, influenciado por jogos de guerra como Battlefield, o plastimodelista passou a criar seus próprios modelos de blindados da Primeira Guerra Mundial usando papelão. Ludmila comenta que as peças chamavam atenção pela qualidade e rapidamente começaram a ser compartilhadas entre amigos e em comunidades no Facebook. O primeiro passo mais concreto veio quando o pai lhe presenteou com um kit. “A partir dali, Jones começou a dar novos passos dentro do hobby, criando peças mais elaboradas e, eventualmente, vendendo algumas para pessoas próximas — ainda sem enxergar o real potencial do seu trabalho”, destaca a gestora de RH. A esposa conta que, quando o conheceu, percebeu nele um potencial para negócio. Até então, ele não valorizava plenamente as próprias criações e chegava a deixar que os clientes definissem os preços, o que acabava comprometendo a sustentabilidade do trabalho. “Determinada a mudar esse cenário, eu propus um teste. Comprou um kit de um avião e sugeriu a criação de um diorama com uma cena dinâmica — com lançamento de mísseis e voo rasante sobre o mar". Enquanto Jones ficaria responsável pela produção, ela cuidaria da gravação, divulgação e negociação. Mesmo sem acreditar que o projeto pudesse alcançar o valor proposto, Jones aceitou o desafio. Em menos de dois dias, o diorama foi vendido por um preço justo a um cliente de um bairro nobre de São Paulo. A entrega, feita de moto e com estrutura simples, marcou o início de uma nova fase. Viral nas redes sociais De acordo com Ludmila, um vídeo mudou completamente o rumo da história. Tratava-se de um diorama que retratava uma batalha aérea da Segunda Guerra Mundial. A publicação ultrapassou 1 milhão de visualizações, e o negócio do casal passou a ganhar maior visibilidade, tanto no Brasil quanto no exterior. “A partir desse marco, a Smallworld passou a ganhar visibilidade nacional e internacional. O crescimento trouxe também a evolução técnica, com a busca constante por mais realismo e qualidade nas peças produzidas. Pouco mais de dois anos após esse momento, a empresa alcançou um novo patamar. Jones deixou o trabalho com carteira assinada para se dedicar integralmente à arte que começou ainda na infância”.