Animal foi devolvido ao mar por populares (Reprodução/Redes Sociais) Uma raia-viola do focinho longo foi encontrada na faixa de areia de uma praia de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Ela foi confundida por um tuburação pelos banhistas. Populares que caminhavam pelo local avistaram o animal e o devolveram para o mar. A espécie é considerada ameaçada de extinção e sua pesca é proibida desde 2004. Conhecida como ‘cação-viola’, com nome científico Pseudobatos horkelii, esse tipo de peixe é considerado bentônico, ou seja, é uma espécie que vive camuflada, principalmente no fundo de areia, e vive semi-enterrada. Por viver embaixo da areia, não é comum encontrar o animal nadando na beira do mar. O que acontece é que o arrasto da pesca de camarão captura também esses animais e joga as raias para perto da areia e, assim, elas ficam presas e não conseguem voltar para o mar. De acordo com o biólogo do AquaFoz, Rafael Silva dos Santos, de 37 anos, há outra situação que pode levar a espécie para próximo da beira do mar. “Durante o verão, entre os meses de novembro a março, as fêmeas vão para ambientes mais rasos, e com águas mais quentes, para realizarem seu processo embrionário e parir seus filhotes, neste momento, elas são capturadas”. No vídeo, os populares confundem a raia com um tubarão. O biólogo marinho, Eric Comin, de 46 anos, explica a motivação. “O corpo dela é um misto de tubarão com raia, ou seja, ela possui as nadadeiras dorsais e, ao mesmo tempo, fica deitada no fundo de areia”. Ameaça a extinção Esse animal sofre com a sobrepesca e é uma das espécies mais ameaçadas de extinção. “Ela corre o risco de extinção porque é frequentemente capturada e comercializada, mesmo sendo proibida por lei no Brasil desde 2004”. Essa espécie é uma das mais ameaçadas no Brasil e no Atlântico Sul, tendo um declínio populacional de mais de 80% nas últimas décadas. Mesmo assim, esses seres marinhos costumam ser capturados com frequência no país, o que revela uma situação preocupante. O biólogo explica que, ao capturar um animal adulto, existe uma grande probabilidade do pescador ter capturado mais indivíduos, devido ao rápido processo de reprodução das raias, o que impede o processo de perpetuação da espécie.