Filhote de raia apareceu morto na faixa de areia do Canto do Forte, em Praia Grande (Reprodução/ Redes sociais) Uma raia foi encontrada morta nesta sexta-feira (17) na faixa de areia da Praia do Canto do Forte, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. De acordo com o biólogo Eric Comin, o animal é um filhote da espécie raia-ticonha (Rhinoptera bonasus), que está em ameaça de extinção na Lista Vermelha da IUCN, sigla em inglês da União Internacional para a Conservação da Natureza. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O biólogo informou para A Tribuna que essa espécie é comum no litoral do Brasil, habitando águas costeiras, estuários e baías. Além de ser famosa por nadar na superfície em grupos de raias. “As causas para o encalhe de filhotes de raias e outros animais marinhos em praias são variadas, envolvendo desde fatores biológicos naturais até impactos causados pela atividade humana. No caso específico da raia-ticonha, esse fenômeno pode ocorrer por alguns fatores. Muitas raias usam águas rasas e quentes para dar à luz”, afirma. Comin acrescenta que filhotes recém-nascidos são mais vulneráveis a variações de maré. “Ventos fortes e ressacas podem empurrar animais jovens ou debilitados para a areia. Ao fugirem de predadores maiores no mar aberto, os filhotes também podem acabar em águas muito rasas e ficar presos na baixa da maré. Ou, então, filhotes podem ser capturados por redes de arrasto e descartados, chegando à praia já mortos ou muito feridos. A ingestão de lixo e poluição também é um fator relevante”. A raia é conhecida por suas migrações em grandes cardumes e focinho de formato peculiar, semelhante ao de uma vaca. Pode atingir cerca de um metro de envergadura na fase adulta. “Embora não sejam agressivas, elas possuem um ferrão serrilhado na base da cauda para autodefesa. Incidentes ocorrem geralmente quando alguém pisa no animal acidentalmente em águas rasas. O ferrão permanece perigoso mesmo após a morte da raia”. Orientações Comin orienta que, ao encontrar uma raia na praia, não se deve empurrar o animal de volta ao mar sem orientação técnica. “Ele pode estar doente e o esforço pode matá-lo. Proteja o local, evite que cães ou curiosos se aproximem para diminuir o estresse da raia”. A Tribuna entrou em contato com o Instituto Biopesca, que informou que não contempla o recolhimento dessa espécie. Já a Prefeitura de Praia Grande disse que a Guarda Costeira não foi acionada para atender a ocorrência.