(Divulgação) O prefeito de Praia Grande, Alberto Mourão (MDB), inicia seu sexto mandato (de forma não-consecutiva) tentando aliar a experiência com um desejo pessoal: conter a ansiedade, em benefício de uma visão mais ampla, adquirida ao longo da vida pública. Ele conversou neste sábado (4) com A Tribuna sobre os planos, a relação com o Governo do Estado, entre outros temas. Embora o senhor assuma a prefeitura mais uma vez, cada experiência foi diferente. O que as outras versões do Alberto Mourão ensinam para o atual prefeito de Praia Grande? Cada momento é único. O momento que nós estamos vivendo hoje, os tipos de relação humana, tecnológica e humana, interferem. Eu acho que o Alberto Mourão, nos outros cinco mandatos, passa para esse um momento de mais calma, mais tranquilidade, menos ansiedade. Quero responder aos problemas da sociedade com mais velocidade. Acho que esse Mourão tem que vir com um olhar mais clínico, mais profundo, para as necessidades da sociedade. No dia da posse, o senhor assinou ordens de serviço voltadas a várias áreas. Quais entende como necessidades mais urgentes de Praia Grande? A gente sempre espera para apagar o incêndio depois que ele acontece, como é o caso da violência escolar. Há uma dúvida que, se a gente prevenir, salvar uma vida, já salvamos muito. Essa é a função. Então, com esse olhar mais detalhista, fazer uma prevenção, entrar nesse processo de tentar com que a rede municipal, sendo indutora dessa discussão, entenda a violência escolar e como ela começa. Outro aspecto que me chamou a atenção é o alto grau de pessoas no espectro autista. O que a gente está fazendo é um programa preventivo, não é para evitar que seja, mas para identificar mais cedo. E que, com isso, a gente consiga antecipar o início do tratamento. Um dos seus objetivos é conseguir, enfim, fazer com que o VLT chegue até Praia Grande. Como é que você se planeja para poder ajudar a viabilizar isso? A gente tem que antecipar etapas. Quando você deixa para discutir daqui dois, três anos, no fim vai discutir as etapas que podiam ter sido antecipadas. Uma das minhas preocupações é que a gente, para implantar o VLT ao longo das laterais da Via Expressa Sul, vai interferir no ganho que a cidade teve, já que ela interliga os dois extremos de Praia Grande. Mas a gente quer se antecipar para entender como pode ser o melhor traçado, qual a melhor alternativa de obra, que possa melhorar, tornar ele uma solução, a complementação de um problema regional e, automaticamente, também não tirar os ganhos que nós tivemos em mobilidade. Praia Grande teve um crescimento populacional nos últimos anos, mas que exige um adequação na infraestrutura. Como é que o senhor planeja oferecer educação, saúde, segurança, para esse novo contingente? Vai depender muito da criatividade. A receita não cresce no tamanho que cresce a população. Nós vamos ter que se aprofundar nessa problemática, mas também responder ao que já está consolidado de demanda. É rapidamente analisar onde são os gargalos da educação - acho que no Ensino Infantil e creche - e tentar achar um mecanismo para a gente superar isso nesses quatro anos. A rede de saúde, não diria que ela está ruim, ela vai ter que ser ampliada em alguns setores. E é lógico: ajustar o sistema, melhorá-lo. Nem sempre é o problema da ausência de profissional, mas ajustar os protocolos de funcionamento. E quanto à questão econômica, o que planeja para aumento de arrecadação, geração de empregos para os próximos anos? Mudou a economia em uma velocidade muito maior, assim como a maneira de consumir e também a presença de novas atividades regionais e a presença de novas oportunidades. Temos uns 14 cabos de fibra ótica internacional entrando para Praia Grande. Então, é injusto para a gente receber esse volume de infraestrutura mundial. E, mesmo com a presença desses cabos de uma latência muito forte, a gente não usufrui com data centers, por exemplo. Ouvi que o problema era a energia regional, nós não tínhamos estabilidade de energia. Agora, as torres estão chegando já até Cubatão, que tem que reforçar a rede regional de energia. Com ela chegando, há uma complementação do que você tem de infraestrutura. Além disso, podemos aproveitar novas oportunidades oferecidas pelo Turismo. Sobre a relação com o governador Tarcísio de Freitas: que tipo de demanda levará até ele? Devemos pedir um apoio muito forte das secretarias, do Desenvolve São Paulo, para fazer um plano estratégico de reaquecimento da economia regional. Eu não posso nem falar só de Praia Grande, mas de região toda. Um dos pedidos mais importantes que nós podemos fazer ao governador é para que faça uma força-tarefa para discutir a economia da Baixada Santista. Como a experiência recente na Câmara pode ser benéfica para Praia Grande? Eu acho que, quando você passa um tempo lá, conhece os problemas do Brasil mais de perto. Porque você lidou com eles no dia a dia. Isso ajuda você a ter uma visão. Quando vem do executivo, consegue enxergar isso muito mais fácil lá dentro. E aí, quando volta, é como se tivesse feito um curso de atualização. Isso automaticamente te ajuda a buscar apoio no Governo Federal a partir desse aprendizado.