[[legacy_image_329304]] Moradores se dizem indignados com a formação de lixões a céu aberto em dois quarteirões do bairro Ribeirópolis, em Praia Grande. A grande quantidade de lixo despejada por moradores e comerciantes tem atraído animais, gerado a proliferação de insetos e estimulado a presença de usuários de drogas e criminosos na região. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Os quarteirões ficam entre as ruas Manoel Antônio de Almeida e Couto de Magalhães, e as avenidas Flávio Monteiro de Castro, Dr. Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho e Agostinho Ferreira. O ponto mais crítico fica na Avenida Dr. Esmeraldo Soares Tarquínio de Campos Filho, onde, nos dois lados da via é possível ver todo o tipo de lixo. Alimentos, móveis, sacolas, plásticos e até animais mortos. E é no meio de tudo isso que crianças precisam atravessar todos os dias para ir estudar, além dos trabalhadores. (confira o vídeo abaixo) Carlos Alberto de Almeida é morador do bairro há sete anos e afirma que muitas cobranças já foram feitas à Prefeitura para que uma atitude, em definitivo, seja tomada e os lixões sejam extintos do local. “A Prefeitura vem, de tempos em tempos, faz uma limpeza, mas logo em seguida começam a encostar carros com lixo, entulho, restos de alimento e aí começa tudo de novo. É preciso uma solução definitiva. Os moradores da região precisam de mais conforto”, reclama. Ele afirma ainda que a Prefeitura faz ações de limpeza, mas elas ficam restritas às calçadas, deixando toda a área de mata dos quarteirões suja. “Sempre chegam carros com lixo aqui. É de açougue, sacolão, tudo com produtos podres. Eles abandonam e vão embora. Não tem fiscalização. Ninguém faz nada”. Devido ao volume de lixo, ratos, cachorros e até cavalos buscam o espaço para se alimentar. Isso sem falar nos insetos e animais peçonhentos, que colocam em risco a saúde dos moradores. “A gente está convivendo com isso já há muito tempo e a gente não consegue uma solução. As crianças passam por aqui para ir à escola, além dos moradores, e o cheiro é muito forte. Cheiro de animais mortos, alimentos estragados”, reclama Carlos Alberto. Entretanto, os problemas causados pelo lixo acumulado não se restringem apenas aos quarteirões. Eles se expandem também para outras áreas. Em dias de ventos fortes - bastante comuns na região -, além do odor intenso, sacolas, plásticos e outros dejetos vão parar na frente das casas, provocando mais revolta. “Alguém precisa fazer alguma coisa de uma vez por todas. A população precisa”, cobra. InsegurançaE quem tem aproveitado a grande quantidade de lixo e falta de fiscalização são os criminosos. Nos terrenos, além do lixo, já foram abandonados dutos de construção para obras de esgoto e postes de iluminação pública. Alguns indivíduos aproveitam esses espaços para se esconder, usar e comercializar drogas. Conforme outro morador que não quis se identificar, além dos entorpecentes, criminosos tem aproveitado o espaço para praticar outros tipos de crimes. “Têm desmanches de moto, de veículos. Eles roubam bicicletas e levam para o lixão, onde ninguém vai ver. Pessoas são assaltadas, levadas para o meio do mato. Não tem policiamento, está um abandono”. Eles também cobram a presença de policiais na região. "Não vejo policiamento e os bandidos aproveitam. Eles estão entrando nas casas, cortam até os fios de alta tensão. Não posso sair de casa à noite e tenho medo de voltar tarde, porque sempre tem um pessoal observando a gente”, detalha. PosicionamentoProcurada, a Prefeitura de Praia Grande informou que o bairro Ribeirópolis recebe periodicamente serviços de coleta de lixo domiciliar, seletiva e ações de manutenção e zeladoria, além de possuir caçambas do projeto Ecoponto, para receber recicláveis e entulho, e serviços do Rapa-Treco, que recolhe imóveis, eletrodomésticos entre outros itens abandonados. No entanto, não explicou o motivo de não ser recolhido o lixo no interior dos quarteirões citados na reportagem, tal como os dutos de rede de esgoto e postes de energia, que se acumulam nos terrenos. Porém, classifica como inadmissível a prática recorrente de descarte ilegal de lixo e resíduos da construção civil no bairro e pede a colaboração dos moradores, mas não apontou nenhuma ação para identificar os responsáveis ou de fiscalização. Quanto à segurança, afirmou que o bairro recebe rondas constantes da Guarda Civil Municipal, entretanto, se comprometeu a reforçar o trabalho na área citada na reportagem, e que pedirá apoio da Polícia Militar. E disse que câmeras de monitoramento do parque tecnológico do Centro Integrado de Comando e Operações Especiais (Cicoe) fazem parte do esquema de segurança do local, mas não informou se a tecnologia tem ajudado a identificar crimes na região. A Secretaria de Segurança Pública (SSP) foi procurada em dois momentos, mas não se pronunciou sobre a cobrança dos moradores por mais policiamento na região. Projeto para a regiãoA Prefeitura de Praia Grande diz contar com um projeto para criação de um parque nos quarteirões onde hoje estão tomados pelo lixo. A Administração Municipal afirmou que aguarda a aprovação do licenciamento ambiental para executar o projeto, e que trará benefícios aos moradores do bairro e de outras áreas. Nenhum prazo foi informado.