(Vanessa Rodrigues/AT) Roblez Jorge dos Santos é jornalista e natural de Santos. Tem 56 anos, cinco filhos e quatro netos. É conhecido como Pai Roblez por ser pai de santo - sarcedote do Candoblé. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! Por que o sr. quer ser prefeito de Praia Grande? Há dois anos, o ministro da Previdência (Social), Carlos Lupi (que foi presidente nacional do PDT até fevereiro do ano passado), me convidou para ser candidato na Cidade e pediu para que eu pensasse em três pontos em que Praia Grande precisa de melhorias. Pensei e apontei saúde, educação e geração de emprego. Com isso, o ministro disse que já tinha as bandeiras necessárias para ser candidato, e eu acabei aceitando o convite. Quais são os seus planos para a saúde? O primeiro passo é chamar os servidores da saúde para ver o que falta em termos de estrutura e plano de carreira. Também pretendo começar a construção de um complexo hospitalar que traga uma maternidade, que faça cirurgias eletivas, tratamentos como quimioterapia e radioterapia e que traga uma farmácia, de modo que tenhamos entregadores para levar os remédios para quem precisa. Além disso, o complexo deve ter um instituto de (exames por) imagem e uma faculdade de Medicina. E para a habitação? Desde que trabalhei, na década de 1990, na Secretaria de Promoção Social em Sorocaba (SP), venho estudando casas habitacionais ecológicas. Acredito que possamos tirar essas pessoas que moram em áreas de risco com um projeto habitacional ecológico e sustentável. O que o sr. pensa a respeito do meio ambiente? O turismo ecológico é algo que gostaria de trabalhar em Praia Grande. Também pretendo montar cooperativas nos bairros para que aqueles que estão desempregados consigam não só gerar renda, mas também, matéria-prima para a construção dessas casas ecológicas e até mesmo para pavimentação, visto que hoje já existe pavimentação ecologicamente correta, feita a partir de garrafas PET. E em relação ao turismo? Quais as propostas? Hoje, temos a festa de Iemanjá, que atrai turismo desde a década de 1980. Penso que podemos colocar no calendário da Cidade outras festividades, não só as religiosas. Praia Grande é o maior celeiro de artesãos, de artistas de cinema e teatro. Penso em explorar isso como ferramenta de atração de um turismo cultural. Não no Palácio das Artes, mas nas comunidades, com projetos como o Pagu, o Circo Escola e o Arte no Dique (de Santos). Precisamos pensar no turismo o ano inteiro, não só entre dezembro e janeiro. Por falar em cultura, quais projetos o sr. tem para essa área? Acho o Palácio das Artes um prédio bonito, mas com o custo dele fazemos três centros culturais em outras áreas da Cidade, para que se ofereça a cultura não só para uma minoria de moradores. Queremos incentivar a cultura nas escolas nos finais de semana. E para o esporte? O primeiro passo é, assim como na cultura, abrir as escolas aos finais de semana para as atividades físicas e esportivas. Ao longo dos quatro anos, também pretendo construir um complexo esportivo com ginásios e uma faculdade incluída, a qual vai disponibilizar cursos relacionados à área esportiva, como Medicina, Educação Física e Fisioterapia. Também quero criar times para os jovens da Cidade. Como o sr. pretende gerir as finanças do Município? A máquina é pesada, há muitos cargos comissionados e secretarias em uma Cidade que tem uma arrecadação muito grande. Praia Grande está entre as cidades com o IPTU mais caro de São Paulo. Então, tem dinheiro, mas precisa de gestão pública. Faremos essa gestão do orçamento junto com a população. Quero investir, em primeiro lugar, na saúde e na educação, e as demais demandas vão ser definidas com a participação do povo. Quais as suas propostas para a educação? O que queremos é a construção dos Centros Integrados de Educação Pública, os Cieps, como Leonel Brizola fez quando era governador do Rio de Janeiro. No meu entendimento, a criança deve entrar na creche e, ao se formar no Ensino Médio, falar dois idiomas, ter uma profissão e praticar atividades esportivas e culturais. Queremos dar oportunidades para os jovens da Cidade, porque hoje só tem quem mora no setor um, uma pequena parcela. Nosso objetivo é ter bons colégios para que possamos inserir nossos jovens nas universidades públicas estaduais e federais. E para a mobilidade urbana? Muito se fala sobre o VLT (Veículo Leve sobre Trilhos), mas esse é um projeto para se fazer em aproximadamente seis anos. Quero conversar com as prefeituras do Litoral Sul para agilizar e baratear a construção desse projeto. A prazo menor, queremos implantar o transporte alternativo nos bairros, contratando trabalhadores desempregados para fazer esse transporte. Vamos discutir a criação de um aplicativo de transportes municipal. Para evitar o alto número de acidentes que a Cidade tem registrado, pensamos em criar um corredor para motocicletas na Via Expressa. Como o sr. pretende fomentar a geração de emprego e renda? Além do aplicativo de transportes que mencionei, quero tentar trazer parcerias para a construção de um shopping que fique entre os bairros Mirim e Solemar. Outra medida que comentei são as cooperativas, que poderiam, por exemplo, empregar costureiras da Cidade para a confecção de uniformes escolares. Também pretendo criar um condomínio empresarial com empresas não poluentes em Praia Grande, oferecendo uma área e isenção de impostos para as empresas que se interessarem em se instalar na Cidade. Como o sr. pretende dialogar com as cidades da região? Essa relação será a melhor possível. Quando eleito, vou convidar todos os prefeitos para uma reunião, para discutirmos projetos metropolitanos como a munici-palização da água, a construção de casas ecológicas e o transporte em âmbito metropolitano, como o VLT, além de discutir a balneabilidade das praias, buscando soluções metropolitanas para problemas relacionados à rede de esgoto e ao descarte do lixo. Quais os seus projetos para a segurança pública? A primeira ideia é discutir com a Guarda Civil Municipal (GCM) a criação de uma carta de crédito habitacional para que o guarda possa viver em um local onde ele sinta que a família dele está segura. Acho que devemos pensar em um serviço metropolitano de inteligência de combate ao crime, valorizando a Guarda e ocupando o espaço que o Poder Público não ocupa. Esta é a solução para o crime: combatê-lo com escolas. Que políticas de assistência social e inclusão pretende implantar? Em relação ao problema social das pessoas em situação de rua, pretendemos dar acompanhamento médico e oferecer cursos para ressocializá-los. Na questão das pessoas com transtorno do espectro autista (TEA), precisamos conversar com a educação para ver como acolher essas crianças, preparando profissionais para isso. A Cidade também precisa de mais acessibilidade, principalmente nas zonas 2 e 3. O sr. tem propostas para a defesa animal? Acho que a ideia do hospital veterinário é boa, mas precisamos levar o atendimento para outros bairros da Cidade. É interessante termos um ônibus com um veterinário, um atendente e um cuidador, o qual vai até os bairros para cuidar dos animais, fazendo serviços como castração e vermifugação.