O anúncio do empreendimento em Praia Grande despertou o interesse de investidores e alimentou expectativas de valorização dos imóveis (Divulgação e Carlos Nogueira/ Arquivo AT) O futuro píer turístico de Praia Grande, considerado o maior do litoral de São Paulo, ainda nem começou a ser construído, mas já movimenta o mercado imobiliário da cidade da Baixada Santista. O anúncio do empreendimento despertou o interesse de investidores e alimentou expectativas de valorização dos imóveis, principalmente na região dos bairros Aviação, Guilhermina e Vila Tupi. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Na avaliação do presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, os maiores beneficiados, ao menos em um primeiro momento, deverão ser os imóveis destinados ao comércio e os investidores que atuam com locação de temporada. "Vai haver concentração de pessoas e isso, evidentemente, valoriza os imóveis para fins comerciais. Já os imóveis residenciais vão depender muito do perfil do público que frequentará o píer", afirma. Comércio deve sair na frente Embora a expectativa de valorização seja grande, Viana Neto reforça que os primeiros reflexos deverão ser sentidos pelos estabelecimentos comerciais instalados nas proximidades do empreendimento. Segundo ele, bares, restaurantes, lojas, cafeterias e outros negócios voltados ao atendimento de turistas tendem a registrar maior procura por pontos comerciais à medida que o projeto avançar. "O píer será um grande centro de convergência de atividades comerciais. Vai gerar circulação de pessoas, mercadorias, empregos e desenvolvimento econômico para Praia Grande", destaca Viana Neto. Na visão do presidente do Creci-SP, o novo ponto turístico deverá criar uma nova centralidade econômica em Praia Grande, especialmente na região do bairro Aviação. Imóveis de temporada são aposta Outro segmento que pode ganhar força é o de apartamentos compactos destinados à locação por temporada. Para Viana Neto, esse perfil de investidor deverá enxergar no píer uma oportunidade de ampliar a rentabilidade dos imóveis. "Esse é o principal público. O investidor que compra imóveis pequenos para aluguel de fim de semana encontrará no entorno desse equipamento um local ideal", destaca sobre a expectativa de que o aumento do fluxo de turistas torne a região ainda mais atrativa para quem investe em hospedagens de curta duração. Valorização pode chegar a 30% Apesar do otimismo, o presidente do Creci-SP faz uma ressalva: a valorização dependerá da forma como o empreendimento será ocupado após a inauguração. Segundo ele, caso o píer consiga atrair um público de médio e alto poder aquisitivo, os imóveis da região poderão registrar uma valorização significativa. "Se tivermos um público de médio e alto padrão frequentando o local, os imóveis do entorno podem atingir até 30% de valorização em relação aos valores atuais". Por outro lado, Viana Neto alerta que esse cenário dependerá do sucesso da operação do equipamento turístico. "Todo projeto nasce bonito no papel. Precisamos ver como será a ocupação, quais atrações serão instaladas e quem efetivamente frequentará o espaço". O píer turístico de Praia Grande será construído na orla do bairro Aviação e terá aproximadamente 500 metros de comprimento por 35 metros de largura (Divulgação/ Prefeitura de Praia Grande) Especulação já começou Mesmo antes do início das obras, o simples anúncio do píer já provocou movimentação no mercado imobiliário. Segundo Viana Neto, investidores passaram a procurar imóveis na região apostando em uma futura valorização. "Virou uma especulação tremenda. Muita gente já acredita que seu imóvel vai supervalorizar. Isso desperta o interesse de investidores, embora ainda seja cedo para afirmar o tamanho desse impacto". O presidente do Creci-SP faz um alerta para quem pretende investir apenas motivado pela expectativa de valorização. "A propriedade imobiliária tanto pode gerar lucro quanto prejuízo. Não é um negócio para amadores. É preciso cautela antes de investir". Nova dinâmica para Praia Grande Além da valorização imobiliária, Viana Neto acredita que o empreendimento poderá transformar a dinâmica econômica da cidade do litoral de São Paulo. Na avaliação dele, o principal impacto será local, sem reflexos significativos para os demais municípios da Baixada Santista. "Não acredito que o píer tenha influência em Santos, São Vicente ou Mongaguá. Mas para Praia Grande, especialmente para a região da Aviação, Guilhermina e Vila Tupi, ele deverá criar uma nova dinâmica econômica". O especialista compara o projeto aos tradicionais píeres turísticos existentes em cidades da Califórnia, nos Estados Unidos. Segundo ele, alguns desses equipamentos se consolidaram como importantes polos turísticos, enquanto outros acabaram perdendo atratividade ao longo do tempo. "Nosso projeto é muito mais moderno e sofisticado. Se for bem administrado e atrair o público esperado, tem tudo para se tornar um dos principais cartões-postais do litoral de São Paulo". O projeto O píer turístico será construído na orla do bairro Aviação e terá aproximadamente 500 metros de comprimento por 35 metros de largura, tornando-se o maior do litoral de São Paulo. A estrutura contará com áreas de convivência, restaurantes, espaços culturais, lojas, atrações turísticas, Museu Aeronáutico, área dedicada ao escritor Antoine de Saint-Exupéry, além de estacionamento com cerca de 600 vagas. De acordo com a Prefeitura de Praia Grande, o empreendimento será implantado por meio de concessão pública e deverá gerar cerca de 500 empregos diretos e 1.500 indiretos durante a construção, além de aproximadamente mil empregos diretos e 2 mil indiretos após a inauguração, fortalecendo o turismo e a economia da cidade.