Ranking do Saneamento aponta os 20 melhores e os 20 piores na prestação de serviços de água e esgoto (Matheus Tagé/AT/Arquivo) Praia Grande é o município brasileiro em que mais se investiu em saneamento básico em 2024, com R\$ 572,87 por habitante. Foi o maior valor entre as 100 cidades mais populosas do País, segundo o Ranking do Saneamento 2026, divulgado pelo Instituto Trata Brasil em conjunto com a GO Associados na última semana. Em Praia Grande, a Sabesp responde por coleta e tratamento de esgoto e fornecimento de água tratada. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Além de analisar os valores de investimento por pessoa em saneamento, o ranking posiciona os 20 melhores e os 20 piores municípios em índice de fornecimento de água, coleta e tratamento de esgoto. Os dados provêm do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa). Na lista dos 20 melhores, Santos na quarta posição, com 99,33% da população atendida em água, e 98,46% em coleta de esgoto. Praia Grande figura em 22º lugar (99,24% em água, 87,21% em esgoto), seguida por São Vicente, na 25ª posição (94,07% em água, 93,91% em esgoto) e Guarujá, em 36º (89,76% em água e 75,94% em esgoto). Cenário brasileiro O dado sobre Praia Grande chama atenção em meio a um cenário nacional ainda distante da universalização dos serviços. Pelo levantamento, mais da metade dos 100 maiores municípios brasileiros investe menos de R\$ 100,00 por habitante em saneamento, muito abaixo dos R\$ 225,00 previstos no Plano Nacional de Saneamento Básico para que o País atinja a universalização até 2033. Apesar do destaque em investimentos, o ranking geral é liderado por cidades do Interior paulista. Franca ocupa a primeira colocação, seguida por São José do Rio Preto e Campinas. Depois, Santos. Pela primeira vez na série histórica do estudo, os quatro municípios atingiram a pontuação máxima, com universalização. Metodologia O estudo considera informações do Sinisa, com base em 2024, sob três dimensões: nível de atendimento, melhoria do atendimento e eficiência dos serviços. Enquanto os 20 melhores colocados registram, em média, 98,08% de coleta de esgoto, os 20 piores alcançam apenas 28,06%. No tratamento de esgoto, são 77,97% entre os melhores, contra 28,36% nos piores. Entre as cidades com pior desempenho, estão Santarém (PA), Porto Velho (RO), Rio Branco (AC), Várzea Grande (MT) e Parauapebas (PA). A média de investimento dos 20 mais mal colocados foi de R\$ 77,58 por morador de 2020 a 2024. Na outra ponta, além de Praia Grande, os municípios com melhor desempenho investiram, em média, R\$ 176,17 por habitante no mesmo período. No País, mais de 30 milhões de pessoas não têm acesso à água potável e cerca de 90 milhões (43,3% da população) vivem sem coleta de esgoto. Estudo evidencia abismo em extremos, diz Gesner Oliveira Para o fundador e sócio-executivo da GO Associados, Gesner Oliveira, o ranking evidencia um abismo entre os extremos. O trabalho considera apenas as áreas regularizadas dos municípios, excluindo moradias em encostas de morros e sobre palafitas, por exemplo. Oliveira admite que esse fator é importante, mas, para elaborar o estudo, é preciso “uma base comum a todos os municípios” e que constem nos bancos oficiais de onde são extraídas as informações, no caso, o Sinisa. “Esse é um desafio que a gente quer encarar, até para estar em linha com o novo Marco Legal do Saneamento”. O Marco prevê universalizar até 2033 o acesso à água potável para 99% da população e ao esgotamento sanitário para 90%, com metas, competição e parceria entre setor público e privado. Para Oliveira, que é professor da Escola de Administração de Empresas da FGV, o saneamento “ficou totalmente negligenciado por décadas e protegido por uma corporação das empresas públicas estaduais que não admitiam nenhum tipo de concorrência, de participação do setor privado, até a mudança com a implantação do Marco, em 2020”. A partir de então, diz o especialista, mais de 1,2 mil municípios começam “a virar o jogo”, com a entrada de empresas privadas que ampliaram os investimentos em saneamento. Cita que, em São Paulo, onde os investimentos da antiga estatal já eram expressivos, “há uma meta ambiciosa, de universalizar até 2029”.