“Muitos paulistanos estão descobrindo a cidade não apenas para lazer, mas também como opção de moradia e investimento”, afirma Juan Diego Garcia, presidente da Associação dos Construtores de Praia Grande e Região (Vanessa Rodrigues/AT) O desenvolvimento imobiliário de Praia Grande, no litoral de São Paulo, que já dura algumas décadas, se diversificou e criou um segmento para um público de maior renda, gerando mais negócios para a construção e opções aos compradores – o alto padrão. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! São imóveis com preço médio de R\$ 1,5 milhão no segmento de alto padrão e de R\$ 2,5 milhões no de luxo. Já o preço do metro quadrado está entre R\$ 11,2 mil e R\$ 15,8 mil em cada segmento, respectivamente, conforme dados da Brain Inteligência Estratégica. No primeiro trimestre, foram registrados 13 empreendimentos de alto padrão e quatro de luxo, conforme a classificação da Brain. Levando em conta o mercado primário - na mão dos incorporadores, não significando que foram lançados agora -, o número de apartamentos com oferta lançada era de 1.774, com outros 604 em oferta final, sendo o total vendido de 1.170 unidades. Na divisão por tipo de imóvel, os de alto padrão têm 1.407 como oferta lançada e 541 em oferta final. Já os de luxo são 367 e 63, respectivamente. Como comparação, na Baixada Santista (Santos, Praia Grande, São Vicente, Guarujá e Bertioga, que são as cidades pesquisadas), havia 32 empreendimentos de alto padrão (preço médio do imóvel em R\$ 1,6 milhão), 21 de luxo (R\$ 2,7 milhões) e cinco de superluxo (R\$ 5,2 milhões). O diretor regional do Secovi (sindicato das empresas de compra e venda de imóveis) em Santos, Carlos Meschini, ressalta que o valor do metro quadrado no segmento de alto padrão varia significativamente de acordo com fatores como localização, padrão construtivo, vista para o mar e infraestrutura de lazer oferecida. “De forma geral, os imóveis de alto padrão em Praia Grande apresentam uma variação entre 20% e 30% inferior aos praticados em Santos”, afirma Meschini. Ele diz que o Canto do Forte é o bairro que concentra a maior parte dos empreendimentos de alto padrão em Praia Grande, em razão da localização, infraestrutura consolidada e ampla oferta de comércio e serviços. “Ao longo dos mais de 22 quilômetros de orla, outras regiões também vêm recebendo prédios com características semelhantes. Equipamentos como o novo shopping e até mesmo o píer que a Prefeitura pretende construir também acabam sendo polos de atração e interesse imobiliário”. O sócio da GMV Incorporadora e Construtora e presidente do C30 (Associação dos Construtores de Praia Grande e Região), Juan Diego Garcia, afirma que a cidade evoluiu, com melhorias na infraestrutura, oferta de serviços, qualidade de vida e atratividade para novos investimentos. “O mercado imobiliário acompanha esse desenvolvimento e entrega produtos cada vez mais sofisticados para atender a essa nova demanda”. Ele observa que a Guilhermina já se destaca com lançamentos que podem ser considerados de alto padrão e a tendência é que Aviação e Mirim também ganhem protagonismo nos próximos anos. “Praia Grande cresceu, se valorizou e o mercado imobiliário acompanha naturalmente essa transformação”. Desenvolvimento urbano Meschini entende que esse movimento é resultado de um “processo gradual” de desenvolvimento urbano e econômico vivenciado pela cidade nas últimas décadas. “Como consequência, houve uma evolução natural do mercado imobiliário, com o surgimento de produtos voltados a diferentes perfis de renda”, afirma ele. Já o presidente da Associação dos Construtores de Praia Grande e Região aponta que os compradores dos imóveis de alto padrão são de Praia Grande, Santos e da Capital. “Muitos paulistanos estão descobrindo a cidade não apenas para lazer, mas também como opção de moradia e investimento”, completa Garcia. Perfil O diretor regional do Secovi, Carlos Meschini, conta que os empreendimentos de alto padrão em Praia Grande costumam oferecer plantas amplas, com dois, três ou quatro dormitórios, frequentemente com suítes e integração entre os ambientes sociais. As metragens variam de 100 a 250 metros quadrados. “Os empreendimentos mais recentes investem em áreas comuns cada vez mais completas. Entre os itens mais frequentes estão piscinas, academias, salões de festas, espaços gourmet, brinquedotecas, coworking, spa, sauna e ambientes voltados ao bem-estar. Em razão da proximidade com a praia, alguns condomínios também oferecem bicicletas para uso dos moradores e guardaria para pranchas e outros equipamentos náuticos”. Litoral Sul A expansão dos imóveis de alto padrão em Praia Grande ainda não dá indícios de uma “migração” para o Litoral Sul, segundo o presidente do Creci-SP, José Augusto Viana Neto. “Praia Grande continua concentrando o interesse dos grandes investidores. Há muitos projetos relevantes acontecendo na cidade, como empreendimentos comerciais, hotelaria e novos shoppings. Tudo isso atrai ainda mais atenção e mantém a cidade como principal foco de desenvolvimento no momento”. Atrativos para renda elevada Boa quantidade de terrenos ainda disponíveis, proximidade com São Paulo e infraestrutura adequada. Os três fatores são considerados pelo presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto, como capazes de colaborar para ampliar o mercado de alto padrão em Praia Grande. “É um movimento que tende a crescer, sim. A cidade está em forte desenvolvimento e tem atraído muitas pessoas. Os incorporadores estão investindo em projetos mais arrojados, o que traz um público com maior poder aquisitivo”. Ele destaca os potenciais compradores oriundos da Capital como os principais interessados em imóveis de Praia Grande. “Esse público busca imóveis de melhor padrão no Litoral, e aqui tem se beneficiado disso. Além disso, ainda há muito espaço para construir — inclusive terrenos de frente para o mar, o que hoje é raro em cidades já consolidadas”, diz Viana. O presidente do Creci aponta, no entanto, fatores que podem atrapalhar a escalada dos prédios de alto padrão na área de Praia Grande. Um deles é a baixa liquidez. “Praia Grande entrou na rota dos imóveis de alto padrão há alguns anos. Porém, são imóveis que demoram mais para ser comercializados. O valor elevado do metro quadrado muitas vezes acaba inviabilizando a transação”. Além disso, lembra Viana, o valor real do imóvel é aquele pelo qual ele efetivamente é vendido. “Muitas estimativas acabam sendo um pouco forçadas e não refletem totalmente a realidade”. Ele crê que o valor do metro quadrado regional — que varia entre R\$ 13,3 mil (padrão alto) e R\$ 19,8 mil (superluxo) — sofre influência de locais como a Riviera de São Lourenço, em Bertioga, que puxa a média para cima. “Santos tem hoje o valor mais expressivo do Litoral, principalmente pela escassez de terrenos e dificuldade de novos empreendimentos. Praia Grande tem uma comercialização muito boa, Guarujá também apresenta bons valores, e São Vicente entra nesse grupo em alguns casos. Ou seja, quando se considera o filé mignon do litoral, os preços naturalmente ficam mais altos”. Condomínio Para o presidente do Creci-SP, o alto valor do condomínio, que, em alguns casos, pode chegar a até R\$ 12 mil, também pode inibir alguns compradores. “O condomínio é uma despesa contínua e relevante. Em imóveis de alto padrão, especialmente em prédios novos com muita infraestrutura (piscinas, saunas, jardins), a manutenção fica cara com o tempo. Depois de alguns anos, se não houver investimento constante, o prédio se deteriora”. Segundo Viana, já existem casos de edifícios que eram de alto padrão e hoje estão desvalorizados por falta de conservação.