[[legacy_image_278181]] Cerca de 124 refugiados do Afeganistão podem chegar em Praia Grande nesta sexta-feira (30). Eles devem ser abrigados no Sindicato dos Químicos, na Rua José Basílio da Gama, no bairro Solemar. Os refugiados fazem parte de um grupo que está acampado no Aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. São quase 200 no aeroporto e número pouco diminui, porque enquanto uns são acolhidos, novos chegam toda semana. A situação está assim há mais de um ano, após o Brasil conceder visto humanitário aos afegãos por conta da tomada de poder do Talibã no país de origem. Segundo apurado por A Tribuna, o prédio onde eles devem ficar em Praia Grande tem 50 apartamentos, com capacidade de seis pessoas por acomodação. Os funcionários também realizaram uma força-tarefa para receber os afegãos. PosicionamentoDe acordo com o Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP), a ação está acontecendo em parceria com o Governo de São Paulo, prefeituras de Praia Grande, de Guarulhos, Acnur, Cáritas e outras entidades da sociedade civil envolvidas com a temática. O secretário nacional de Justiça, Augusto Arruda Botelho, diz que a medida se trata de uma ação emergencial para retirar os refugiados que estão sob uma situação delicada e precária. “Estão sendo organizados, junto com a sociedade civil, planos para que as famílias depois sejam levadas para um local mais adequado e com mais oportunidades de inserção social. Além disso, novos locais de acolhimento estão sendo preparados para os futuros fluxos de refugiados”, declarou. O MJSP ainda ressalta que desde o início da nova gestão, participa ativamente de medidas que visam amenizar a situação em Guarulhos. A pasta integra um grupo composto por diversos órgãos e entidades que monitoram o fluxo no aeroporto e apoia, dentro das políticas públicas já estabelecidas, todos os imigrantes que chegam no local. Além disso, garante um primeiro registro a todos que chegam, seja como solicitantes de refúgio ou seja como residente por acolhida humanitária. Somente entre setembro de 2021 e abril deste ano, 11.356 vistos humanitários foram autorizados. Desses, 7.517 foram emitidos. Além disso, 2.942 autorizações de residência foram concedidas e 603 refugiados reconhecidos. HistóricoDe acordo com Agência Brasil, desde 2021, quando os radicais do Talibã assumiram o poder no Afeganistão, milhões de afegãos têm deixado o país para fugir de um regime que viola seus direitos. O Brasil passou a ser destino de parte deles quando foi publicada uma portaria interministerial, em setembro de 2021, autorizando o visto temporário e a residência por razões humanitárias. O grupo tem contado com o apoio de voluntários e da prefeitura de Guarulhos, que tem contribuído com alimentos e buscado encontrar vagas em abrigos municipais. Uma afegã, que prefere não se identificar por medo de ser reconhecida pelo regime Talibã, conversou com a reportagem e disse que tinha uma galeria de arte em seu país, onde produzia trabalhos com madeira e pintura. No entanto, como o Talibã proíbe que as mulheres exerçam atividades como essa por lá, ela precisou deixar seu país. “Temos vários problemas. Embora tenhamos almoço e jantar, não conseguimos tomar banho e diversas famílias estão com problemas na pele”, disse. Segundo essa afegã, que está desde o dia 18 no Brasil, foi no dia 27 - quase dez dias depois - que ela conseguiu tomar o primeiro banho desde que chegou ao País. “Foi em um hotel muito bom, mas o tempo para o banho é reduzido, de apenas dez minutos. Dez pessoas foram tomar banho hoje nesse hotel”, contou. Agora, no Brasil, ela espera conseguir a oportunidade voltar a exercer a profissão. “Eu espero abrir minha galeria de arte aqui”. * Com informações de Agência Brasil e do MJSP.