Fernanda recebeu a primeira dose da medicação na última semana: esperança renovada (Arquivo Pessoal) Uma nutricionista de Praia Grande, de 34 anos, vive um drama pessoal em busca de tratamento oncológico. Desde 2019 encarando um câncer de ovário, ela luta para conseguir uma medicação, ainda sem aprovação da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para dar prosseguimento ao tratamento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O remédio, porém, é de altíssimo custo, com dosagens que podem chegar a mais de R\$ 500 mil. Enquanto briga com a União na Justiça para conseguir o remédio, ela tenta reunir recursos para viabilizar seu atendimento, como a venda de um carro, um Volkswagen T-Cross ano 2020. “Judicializamos contra a União para ter acesso, pois seu custo é elevado e não temos condições de arcar”, conta Fernanda Akemi Medeiros Tamashiro. Uma decisão da 4ª turma do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF-3) determinou que os medicamentos Mirvetuximab Soravtansine, de 276mg, e Bevacizumab, de 690mg, fossem fornecidos no prazo de até 90 dias – o que, até o momento, não aconteceu. Segundo ela, esses remédios já possuem aprovação nos Estados Unidos e na Europa, mas ainda não no Brasil. “Já utilizei as linhas de quimioterapia disponíveis para o meu caso, porém infelizmente elas não estão surtindo mais efeito e as minhas opções foram reduzidas. O efeito positivo é a oportunidade de eu ter uma chance de cura”, explica. São três ampolas por aplicação, a cada 21 dias. Um orçamento feito pela família, o qual A Tribuna teve acesso, indica o valor de R\$ 515 mil para 12 ampolas, o que permitiria 4 aplicações. “O tratamento é contínuo. Esse orçamento seria para o início do tratamento”, explica. Fabiana mostra orçamento feito com importadora para compra dos medicamentos: mais de R\$ 500 mil (Reprodução) Caminho judicial De acordo com a advogada Bárbara Vilhena Silva, que representa Fernanda, foi aberta uma ação contra a União em abril de 2024. O objetivo da ação é o fornecimento de 5 medicações, das quais apenas um remédio é importado e sem registro na Anvisa (e é de valor mais elevado). “Conseguimos uma liminar para garantir o fornecimento da medicação importada e de outra medicação de alto custo (já registrada na Anvisa) e três das 5 medicações foram indeferidas (porque já estão na lista do SUS). A liminar foi deferida pelo Tribunal Federal da 3ª Região em maio do ano passado”, relata. Desde então, a nutricionista trava uma verdadeira batalha para ter acesso à medicação: o Tribunal determinou que a União fornecesse o remédio em 90 dias úteis, para que tivesse tempo hábil de importar, fazer licitação e negociar o preço. O prazo finalizou em outubro do ano passado. “Após o término do prazo, tentamos pedir o fornecimento da medicação de todas as formar: intimação da União no processo, bloqueio de valores via CNPJ da União e pedido de depósito judicial do valor das medicações para compra diretamente em nome da Fernanda com a posterior prestação de contas”, reforça a advogada. Já em março deste ano, relata a advogada, a União depositou no processo o valor de R\$ 1,5 milhão para aquisição de seis meses do tratamento. Porém, até o momento, esse valor não foi autorizado para repasse visando aquisição da medicação importada. “A Fernanda, nesse meio tempo, teve evolução da doença e não tem indicação de outro tratamento para frear a doença; é uma verdadeira luta contra o tempo. O nosso recurso da sentença ainda está pendente. Em regra, a única forma de fazer com que ela não receba a medicação é se o Tribunal não acolher o nosso recurso em face da sentença, o que não aconteceu. Até que o recurso seja julgado, nós temos uma liminar vigente e que precisa ser cumprida para que ela tenha acesso à medicação importada”, complementa Débora. Em nota, a Anvisa afirma que "existe um pedido de registro em análise para o medicamento Mirvetuximabe Soravtansina". Porém, segundo a agência reguladora, "não é possível antecipar outras informações antes da conclusão da análise". Expectativa Enquanto isso, Fernanda busca outros meios para conseguir dinheiro que permita comprar a medicação de altíssimo custo. “Sou uma pessoa mais reservada e evito expor os meus problemas pessoais, mas estou angustiada com essa longa espera pois estou sem o tratamento adequado e correndo risco de vida”, finaliza. A ajuda pode ser dada por meio deste link Na última semana, com parte do valor arrecadado e mais ajuda de amigos, Fernanda conseguiu adquirir uma dose do remédio e fez a aplicação."Esse momento representa muito mais do que o início de um tratamento — é o começo de uma nova etapa cheia de esperança, força e fé", postou a nutricionista no Instagram. Posicionamento Em nota, o Ministério da Saúde informa que, no dia 28 de março de 2025, foi realizado depósito judicial no valor de R\$ 1,95 milhão, destinado à aquisição do medicamento Mirvetuximab Soravtansine para o tratamento da paciente pelo período de seis meses. Em conformidade com o Tema 1234 do Supremo Tribunal Federal (STF), que estabelece critérios para o fornecimento de medicamentos não incorporados ao SUS, o juiz responsável determinou a comprovação do orçamento apresentado de acordo com os parâmetros legais, especialmente quanto ao Preço Máximo de Venda ao Governo (PMVG). O Ministério da Saúde já incluiu as informações no processo judicial.