O principal objetivo da ação é evitar a construção de nova arena e CT do Santos em área próxima ao Parque Estadual Xixová-Japuí, em Praia Grande (Reprodução / Divulgação Prefeitura de Praia Grande) Uma ação popular protocolada na Justiça busca impedir a construção de um centro de treinamento (CT) e de uma arena do Santos Futebol Clube em uma área ambientalmente sensível de Praia Grande, no litoral de São Paulo. O processo foi movido pelo advogado Rui Eliseu de Matos Pereira e pela bióloga e professora Renee Leutz Lopes de Oliveira, que apontam risco de degradação no entorno da Mata Atlântica da Baixada Santista. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Em entrevista, Eliseu afirmou que o principal objetivo da ação é evitar uma “gravíssima e iminente degradação ao meio ambiente” em área próxima ao Parque Estadual Xixová-Japuí. “Ali existe vegetação de zona de amortecimento, que funciona como proteção para a biodiversidade. Há também espécies de avifauna ameaçadas de extinção. É uma devastação em nome do lucro”, declara. Área de proteção e espécies ameaçadas De acordo com o advogado, o projeto prevê a ocupação de cerca de 90 mil metros quadrados (m²) em uma zona de amortecimento da Mata Atlântica — faixa considerada estratégica para reduzir impactos ambientais sobre áreas preservadas. Levantamentos técnicos anexados à ação indicam a presença de espécies ameaçadas de extinção, como a araponga (Procnias nudicollis) e a saíra-sapucaia (Stilpnia peruviana). Além dos impactos diretos à fauna, Eliseu também cita possíveis efeitos climáticos na região. “Já vivemos aumento de temperatura. Projetos como esse agravam ainda mais a situação”, diz. Falta de audiência pública é alvo da ação Outro ponto central do processo é a ausência de audiências públicas para discutir o empreendimento em Praia Grande com a população. Segundo o advogado, o projeto teria avançado sem transparência. “Estavam fazendo tudo sem chamar sequer audiência pública para o povo se manifestar”, afirma. A ação sustenta que a Prefeitura e a Câmara de Praia Grande teriam se omitido ao não promover a participação popular em um projeto de grande impacto ambiental. Como a ação foi construída O grupo afirma ter tomado conhecimento do projeto em 2025, quando já havia investigação em andamento no Ministério Público. A partir disso, passou a reunir documentos, declarações públicas e estudos técnicos. A ação foi protocolada em março de 2026 e inclui, entre os réus, a Neymar Sport e Marketing Ltda, empresa ligada ao pai do jogador Neymar e responsável pelo empreendimento. Tramitação e próximos passos O processo foi recebido pela Vara da Fazenda Pública de Praia Grande e encaminhado ao Ministério Público, que deve se manifestar antes da decisão sobre o pedido de liminar. A expectativa, segundo Eliseu, é que a Justiça decida nos próximos dias se suspende ou não o projeto. Caso a liminar seja concedida, os autores pedem a paralisação do empreendimento até a realização de audiências públicas. Se a ação for negada, novas medidas poderão ser adotadas. Valor da causa e posicionamento O valor da causa foi estimado em R\$ 1 milhão, levando em conta os possíveis danos ambientais e custos de recuperação da área. Apesar da contestação, os autores afirmam não serem contra a construção de um centro de treinamento, desde que em áreas já degradadas. O que dizem os citados Procurada pela reportagem, a Neymar Sport e Marketing Ltda informou que não irá se manifestar sobre o caso. A Prefeitura de Praia Grande e a Câmara Municipal também foram acionadas, mas não responderam até a publicação desta matéria.