A presença de animais de estimação é normal nos lares brasileiros, onde cães lideram as preferências, estando presente em cerca de 44% dos imóveis. Porém, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, o vendedor Alonso Farias da Silva decidiu fugir das estatísticas tradicionais. Alonso transformou a rotina ao adotar um teiú (Salvator merianae), uma das maiores espécies de lagarto do mundo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O vendedor viralizou nas redes sociais após mostrar o dia a dia e o convívio com as pessoas ao redor com um teiú fêmea batizada de Zuri, que hoje conta com um recinto planejado sob medida na residência da família, equipado com lago, cascata e sistema de água aquecida. Comportamento do teiú Diferente do comportamento arisco de outros lagartos, essa espécie é conhecida popularmente como o "cachorro dos lagartos" devido à inteligência e capacidade de interação humana quando criada nesse ambiente. Assim, Zuri reconhece os tutores, atende quando é chamada, caminha pela casa e busca o colo de familiares. O comportamento motivou a criação de um perfil no Instagram para registrar o dia a dia da fêmea, e um dos vídeos publicados rapidamente ultrapassou a marca de 6 milhões de visualizações. "A Zuri é surreal, é muito apegada à gente, é como se fosse realmente um cachorro. Acredito que esse comportamento seja fruto do tipo de manejo que eu e minha mãe tivemos com ela desde filhote, de pegar todo dia no colo, tratar com todo o amor e carinho. Ela é parte da nossa família e fica junto com a gente durante todo o tempo", explicou Alonso. Apesar da aparência assustar muitas pessoas que não estão acostumadas com o convívio, Zuri é um animal dócil e calmo. Segundo o tutor, o animal desenvolveu a capacidade de diferenciar as pessoas do seu convívio íntimo daqueles que são visitantes ou desconhecidos. "Quando chega alguém diferente, ela dá aquela olhada analítica, fica observando para ver se a pessoa representa algum perigo. A partir do momento em que percebe que está tudo bem e que não vai ser atacada, ela relaxa, dorme no colo da pessoa e fica super tranquila. É um amor de lagarto", destacou o morador de Praia Grande. Motivo da adoção Alonso cultiva o hábito de cuidar de animais não convencionais, como iguanas, jabutis e rãs-touro desde a infância. Após anos acompanhando as regulamentações ambientais do país e a consolidação dos criadouros autorizados, ele decidiu realizar o sonho de ter um novo réptil. A decisão pelo teiú veio acompanhada do desejo de ter um pet exótico que também apresentasse um nível de convivência e afeto. "Sempre gostei de animais diferentes e criei espécies nada convencionais a vida toda. Só que eu também queria um animal que interagisse mais. Foi aí que me deparei com a fama do teiú, que é conhecido em todos os criatórios e no meio como o 'cachorro dos lagartos'. Essa característica me chamou muita atenção, porque na minha cabeça eu teria um bicho exótico, mas com uma interação muito mais próxima", explicou Alonso. Com a grande repercussão dos vídeos, Alonso tem aproveitado a visibilidade para tirar dúvidas sobre a legislação ambiental brasileira. O vendedor ressalta que a posse de um teiú exige comprovação de origem, sendo permitida apenas mediante a compra direta em criatórios comerciais legalizados e autorizados pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). "Criar um bicho desse no Brasil exige muita responsabilidade. Não existe adotar ou pegar um animal na mata e tentar legalizar depois, isso é impossível e é crime. Na natureza, o teiú é um bicho extremamente bravo, forte e defensivo. Se eu vejo um teiú selvagem na mata, eu saio correndo, porque eles enfrentam qualquer coisa. A Zuri é diferente porque nasceu em um criatório legalizado e foi socializada desde o primeiro dia", alertou Alonso. Importância ecológica Além da convivência doméstica, Alonso aproveita as redes para conscientizar a população sobre o papel fundamental que o teiú desempenha no equilíbrio ecossistêmico. Por possuir uma dieta onívora e comportamento oportunista, o réptil atua como um dos principais controladores naturais de pragas na fauna brasileira, alimentando-se de roedores, insetos, escorpiões, aranhas, cobras e até do caramujo-africano (Achatina fulica), espécie invasora transmissora da meningite eosinofílica. O tutor também chama a atenção para pesquisas científicas internacionais que investigam características biológicas únicas da espécie. Diferente da maioria dos répteis, que dependem exclusivamente de fontes externas de calor (como a radiação solar ou superfícies quentes) para regular a temperatura corporal e manter o metabolismo ativo, estudos apontam que o teiú possui a capacidade endotérmica temporária de elevar a própria temperatura corporal em até 10 °C acima do ambiente durante o período reprodutivo, sendo considerado um caso singular de evolução fisiológica entre os répteis.