Olhos inchados e orelha com machucados foram constatados pelo pai da menina em Praia Grande (Arquivo pessoal) Um comerciante de 36 anos denuncia um possível caso de omissão de socorro após a filha, de 2 anos, sair machucada de uma creche municipal em Praia Grande, no litoral de São Paulo. O caso ocorreu na unidade EM Juliana Arias Rodrigues de Oliveira, no bairro Tupiri. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo o pai, o empresário Eder Brugnolli de Santana, de 36 anos, a menina apresentava hematomas no rosto, inchaço próximo aos olhos e sinais de mal-estar quando foi retirada da creche, na tarde de 27 de março. Ele afirma que nenhum funcionário soube explicar o que teria acontecido com a criança. “Quando eu olhei minha filha, vi que não estava só vermelho, já estava roxo e inchado. Perguntei o que tinha acontecido e a funcionária disse que não sabia”, relata. De acordo com Eder, uma funcionária informou que percebeu as marcas após o “soninho da tarde”, por volta das 13h30. No entanto, segundo o pai, nenhuma providência teria sido tomada até o momento em que ele buscou a menina, por volta das 16h30. “A funcionária viu minha filha machucada às 13h30 e ficou até as 16h30 sem comunicar ninguém. Isso é omissão”, afirma. Corrida para o hospital e suspeita de lesão Diante da situação, o pai levou a filha a uma unidade de saúde no bairro Vila Mirim. Ele relata que a criança estava abatida, com olhar “fundo” e sem reação, o que aumentou a preocupação. No atendimento médico, foi solicitada uma tomografia. Documentos médicos apontam que a criança deu entrada com suspeita de possível agressão, apresentando arroxeamento na região do rosto e atrás da orelha direita. O diagnóstico indicou traumatismo superficial da cabeça, conforme consta no prontuário. Apesar de o exame de tomografia não apontar alterações graves, fraturas ou lesões internas, os registros reforçam que houve sinais externos compatíveis com trauma. “O médico falou que aquilo provavelmente era pancada e que era um caso grave. Pediu para eu não levar mais minha filha à escola até entender o que aconteceu”, diz. Caso registrado e novas evidências O pai registrou boletim de ocorrência na Polícia Civil, em Praia Grande, e o caso foi classificado como de autoria desconhecida. No documento, ele relata que percebeu que as lesões haviam evoluído, com aumento do inchaço e mudança na coloração para tons mais escuros. O boletim também menciona a presença de hematomas próximos aos olhos e atrás da orelha, além do agravamento das marcas ao longo do tempo. Falta de informações e revolta O pai afirma que, ao retornar à escola na segunda-feira seguinte (30), a direção desconhecia o caso. Ele também procurou o Conselho Tutelar e realizou exame de corpo de delito. Durante reunião com a equipe escolar, segundo ele, funcionários da manhã e do período intermediário alegaram que a criança não apresentava lesões. Já a funcionária da tarde manteve a versão de que percebeu as marcas apenas após o descanso. “A maior revolta é não saber o que aconteceu. Se tivesse sido uma queda, tudo bem, pode acontecer. Mas não dá para aceitar minha filha cheia de hematomas e ninguém saber explicar”, desabafa. Possível omissão e investigação O pai acredita que houve omissão por parte de ao menos uma funcionária e cobra providências. Ele também questiona o fato de a situação não ter sido comunicada à direção da unidade. “Não consigo provar quem machucou minha filha, mas consigo provar que houve omissão de socorro”, declara. Ele ainda afirma que solicitou a transferência da criança para outra unidade, mas o pedido não foi atendido até o momento. Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou, por meio da Secretaria de Educação (Seduc), que tomou conhecimento do ocorrido citado na EM Juliana Arias Rodrigues de Oliveira, no bairro Tupiri. A pasta municipal afirmou que apura os fatos e, caso alguma irregularidade seja confirmada, adotará as medidas administrativas necessárias.