Médicos do Pronto Socorro Central de Praia Grande acusam empresa de atrasar salários dos profissionais (Prefeitura de Praia Grande) Médicos que trabalham no Pronto-Socorro Central de Praia Grande estão revoltados devido ao atraso no salário dos meses de março e abril. Os profissionais de saúde explicam que foi acordado receber os pagamentos até o dia 30 de junho, o que não aconteceu até o momento. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A Tribuna conversou com médicos, que preferiram não se identificar por motivos de segurança. Uma das médicas explicou como funciona o repasse dos valores: a Prefeitura envia o valor para a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM), gestora do PS Central, e a mesma envia para uma empresa terceirizada, que se chama CAP Serviços Médicos LTDA. As três partes afirmam que os repasses estão em dia. A médica conta que, após ter conversado com a Prefeitura e a SPDM, foi informada que os valores já foram repassados. “Eu tenho dívidas para pagar e não tenho dinheiro. Fiz 6 anos de faculdade, estou no terceiro ano de uma das residências mais concorridas do país, faço mestrado e não tenho o mínimo de dignidade”, ressaltou a profissional. Ela também relata que alguns médicos foram até a sede da empresa terceirizada, mas o problema não foi resolvido, e houve ameaças de acionamento da polícia para conter os profissionais. “O dono da empresa não responde e-mail e ainda me bloqueou no WhatsApp”. Outro médico, que também está passando pelo mesmo problema, disse para A Tribuna que começou a trabalhar no PS Central em abril e, até o momento, não recebeu pagamentos. “Sei que o pagamento atrasa há anos. Antes era pago após 1 mês de serviço. Com o tempo, foi aumentando o atraso e hoje está chegando a 3 meses”. O profissional relatou ainda que não vê justificativa para o atraso. “(É) Capaz de falarem que estão realizando os pagamentos ou tentarem justificar com algum argumento”. Uma outra médica explica que os profissionais não são contratados na carteira de trabalho, sendo eles prestadores de serviços. Ela relata ainda outras irregularidades. “Inúmeras negligências aconteceram, (como) falta de pediatra, furo em escala médica, atraso de salários”. A médica foi uma das profissionais que compareceram até a sede da empresa e reforçou o relato da primeira profissional ouvida pela Reportagem. “O responsável quis chamar a polícia para gente, porque alegavam que estávamos invadindo uma propriedade privada. Nós não estávamos invadindo nada, somos funcionários da empresa”. Posicionamentos Em nota, a Prefeitura de Praia Grande informou que os pagamentos do contrato com a Associação Paulista para o Desenvolvimento da Medicina (SPDM) estão em dia. E ainda explicam que a SPDM é responsável por gerenciar o Complexo Hospitalar Irmã Dulce (CHID), que compreende a UPA Samambaia, o Pronto-Socorro Central, o Hospital Irmã Dulce e a Nefro-PG. Já a SPDM informou que o pagamento das notas de prestação de serviço da empresa C.A.P Serviços Médicos, referente aos meses de abril e maio, foram realizados dentro dos meses citados. E ressaltam que a responsabilidade do pagamento aos profissionais médicos é da empresa CAP. A empresa CAP Serviços Médicos LTDA também foi questionada e disse, em nota oficial, que não há "pendências financeiras com qualquer prestador de serviços de Praia Grande". A empresa diz que está à disposição para qualquer outro esclarecimento e exibição, se necessário, de documentos comprobatórios das informações acima expostas, ressaltando, por fim, que segue os rigorosos padrões de compliance da empresa. A CAP afirma ainda que atua há mais de uma década no Estado de São Paulo e em outros sete estados, "prestando com zelo, probidade e eficiência serviços não só a entes privados, como também a inúmeros órgãos públicos.