Robson fotografou a grande mariposa com asas que parecem cobras em janeiro de 2025, e a 'leopardo' recentemente (Arquivo pessoal/ Reprodução proibida) Duas mariposas, sendo uma com asas que parecem formar a cabeça de uma cobra e outra com o corpo coberto por manchas que lembram um leopardo, foram fotografadas por um morador de Praia Grande, no litoral de São Paulo. Os registros foram feitos no quintal da casa de Robson Correa Eduardo, de 39 anos, no bairro Solemar. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A fotografia da mariposa que se assemelha a uma cobra é mais antiga e foi feita em janeiro de 2025, período em que o empresário começou a observar uma grande quantidade de mariposas e borboletas no local. Segundo o biólogo Eric Comin, as duas espécies são comuns na Mata Atlântica e, por isso, podem ser encontradas com relativa frequência na Baixada Santista. Robson conta como foi o registro da mariposa com asas que se assemelham a serpentes: “Chamou muito a atenção e fotografei primeiramente pelo tamanho (bem grande, tinha cerca de 18 cm) e beleza, ela era bem diferente das outras que costumam aparecer”. Fotografia virou descoberta O empresário, que veio de São Paulo e vive em Praia Grande há cerca de quatro anos, é formado em Administração. Ele conta que fotografa a natureza há aproximadamente 15 anos, registrando flores, paisagens, pássaros, borboletas e outros animais. A descoberta da espécie da mariposa com asas que lembram a cabeça de uma cobra aconteceu depois que o empresário fotografou uma outra mariposa recentemente, e se lembrou do primeiro registro. Curioso para saber qual era a espécie do inseto, decidiu buscar informações com ajuda de inteligência artificial. Inicialmente, porém, recebeu uma identificação incorreta. A ferramenta apontou que a fotografia mostrava uma mariposa-atlas, espécie nativa do Sudeste Asiático e que não é achada no Brasil. Robson, então, publicou a imagem na internet e pediu ajuda a especialistas. A mariposa com asas que lembram a cabeça de uma cobra é da espécie Rhescyntis pseudomartii, conhecida popularmente no Brasil como meia-lua, e pode chegar a quase 20 centímetros (Arquivo pessoal/ Reprodução proibida) Mariposa que imita cobra De acordo com Eric Comin, a primeira mariposa é do gênero Rhescyntis, possivelmente a espécie Rhescyntis pseudomartii. Conhecida popularmente no Brasil como meia-lua, ela pertence à família Saturniidae e à subfamília Arsenurinae. A aparência semelhante à de uma cobra é uma estratégia de defesa. O formato e as cores da extremidade das asas criam uma ilusão visual que pode afugentar predadores ao imitar um animal potencialmente perigoso. O nome popular meia-lua está relacionado ao formato das asas anteriores, que são fortemente recurvadas. A espécie está entre as maiores desse grupo, com envergadura entre 160 e 180 milímetros, ou 16 a 18 centímetros. A Rhescyntis pseudomartii é nativa de áreas de Mata Atlântica e de ambientes de mata úmida, com registros principalmente nas regiões Sudeste e Sul do Brasil. Quando ainda lagartas, se alimentam de plantas nativas, especialmente árvores do gênero Virola, da família Myristicaceae. Também são conhecidas pela capacidade de produzir casulos. Diferentemente de outras lagartas de Saturniidae, as do gênero Rhescyntis apresentam coloração predominantemente esverdeada e não possuem cerdas urticantes, ou seja, não queimam ao toque. A outra mariposa O segundo registro feito por Robson, que é bem mais recente, apresenta uma mariposa de aparência completamente diferente. Segundo o biólogo Eric Comin, trata-se da Pantherodes pardalaria, conhecida popularmente como mariposa-pantera ou mariposa-leopardo. A espécie tem coloração amarela vibrante com manchas pretas, característica que ajuda a explicar a comparação com um leopardo. No Brasil, é encontrada principalmente na Mata Atlântica e na bacia Amazônica, além de áreas de florestas de altitude. Seu habitat preferido são florestas tropicais úmidas e densas, especialmente locais com vegetação preservada. Também pode ser encontrada em matas ciliares e nas proximidades de córregos, riachos e cascatas. É comum que pouse sobre rochas úmidas ou folhas próximas à água para absorver umidade e minerais. A Pantherodes pardalaria pode apresentar atividade durante o dia e no crepúsculo, apesar de muitas espécies da família Geometridae terem hábitos estritamente noturnos. À noite, também costuma ser atraída por fontes de luz artificial, podendo aparecer perto de lâmpadas em áreas residenciais próximas a áreas de mata. 'Não tenho gosto bom' As cores da mariposa também têm função na sobrevivência. O padrão amarelo com manchas pretas funciona como um aviso visual para possíveis predadores, como aves e lagartos, indicando que o animal pode ter sabor desagradável ou ser potencialmente tóxico. Quando pousa, a mariposa mantém as asas abertas e planas contra a superfície da folha. Segundo o biólogo, essa postura ajuda a quebrar sua silhueta em meio à luz e às sombras da vegetação, confundindo predadores. As lagartas também possuem uma estratégia de camuflagem. Elas se deslocam arqueando o corpo, em um movimento característico dos geometrídeos, e costumam imitar pequenos gravetos ou pecíolos de folhas enquanto se alimentam. 'Queria ver de novo' “Eu gosto do inesperado! Mas com certeza queria ver essa mesma mariposa de novo (a que parece cobra), seria um sonho, eu faria um vídeo e aproveitaria mais o momento para registros ainda melhores”, afirma Robson. O empresário diz que costuma até contar quantas espécies diferentes de pássaros consegue observar em um único dia. Apesar de já ter feito registros de diversos animais e paisagens, mantém uma fotografia específica como objetivo: “Meu sonho é ainda conseguir fotografar um guará-vermelho de perto, pois eles só passam voando alto aqui na orla”.