Mar recuado chamou a atenção de moradores e turistas em Praia Grande (Reprodução/ Redes sociais) O recuo do mar registrado em Praia Grande, no litoral de São Paulo, chamou a atenção de moradores e visitantes, que compartilharam imagens do fenômeno, ocorrido no domingo (28), nas redes sociais. Apesar da impressão causada pela extensa faixa de areia exposta, a Prefeitura informou que a situação é um fenômeno natural e não representa riscos aos banhistas. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Segundo a Administração Municipal, o mar recua devido à combinação entre a maré astronômica baixa e ventos que empurram a água para longe da costa da Baixada Santista. O fenômeno é monitorado pelo Setor Ambiental da Guarda Ambiental, que acompanha diariamente a movimentação das marés em razão do uso de embarcações na cidade de Praia Grande. De acordo com a Prefeitura, não há qualquer indicação de anormalidade relacionada ao episódio. Monitoramento permanente A Administração Municipal destacou que o Serviço Especializado em Proteção Ambiental (Sepam) e a Defesa Civil acompanham constantemente as condições climáticas e oceanográficas da Baixada Santista, inclusive os possíveis impactos de fenômenos como o El Niño. Além do Plano Preventivo de Defesa Civil (PPDC), realizado anualmente entre dezembro e março, o município de Praia Grande monitora índices pluviométricos por meio dos pluviômetros automáticos do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) e realiza vistorias em áreas de risco sempre que há alertas emitidos pelo Centro Nacional de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cenad). Recentemente, a Defesa Civil de Praia Grande também passou a integrar o Programa São Paulo Sem Fogo, fortalecendo as ações de prevenção e resposta durante o período de estiagem e ampliando o Plano de Contingência para enfrentamento de incêndios em vegetação. As equipes ainda participam regularmente de cursos e capacitações promovidos por órgãos estaduais, como a Oficina de Elaboração do Plano Municipal de Redução de Riscos (PMRR), organizada pelo Instituto de Pesquisas Ambientais (IPA), além de manterem atuação integrada com outras secretarias municipais. Por que o mar recua? Especialistas explicam que o recuo do mar é um fenômeno comum e pode ocorrer em qualquer época do ano. Ele é resultado da combinação entre fatores astronômicos e meteorológicos que influenciam diretamente as marés. A chamada maré astronômica é provocada pela atração gravitacional da Lua e do Sol e pode ser prevista com bastante antecedência por meio da tábua de marés. Já a maré meteorológica depende das condições atmosféricas, principalmente da intensidade e direção dos ventos, que podem elevar ou reduzir ainda mais o nível do mar. Quando a maré baixa coincide com ventos persistentes que afastam a água da costa, ocorre a chamada maré negativa, responsável pelo aumento da faixa de areia e pelo aparecimento de áreas normalmente submersas. Segundo especialistas, as marés de sizígia — que acontecem durante as fases de Lua Nova e Lua Cheia — favorecem esse tipo de ocorrência, pois ampliam naturalmente a diferença entre as marés altas e baixas. Fenômeno é frequente na Baixada Santista Ao longo de 2025, episódios de recuo do mar foram registrados diversas vezes em cidades da Baixada Santista, especialmente em Santos, São Vicente e Praia Grande. Levantamentos realizados por especialistas mostraram que, apenas em 2025, o nível do mar ficou abaixo do chamado "zero da carta náutica" em 78 dias diferentes. A menor marca registrada foi de -0,47 metro, indicando que as marés negativas fazem parte da dinâmica natural do litoral de São Paulo. Efeitos na navegação e nas praias Embora não represente perigo para quem frequenta a praia, a maré negativa exige atenção da navegação. Isso porque as profundidades ficam menores do que as indicadas nas cartas náuticas, aumentando o risco de embarcações encalharem, especialmente em áreas rasas e próximas a portos. Para os banhistas, o principal efeito é o surgimento de uma faixa de areia muito mais extensa e a exposição de bancos de areia, recifes e outros trechos normalmente cobertos pela água. Especialistas ressaltam que esse comportamento faz parte da dinâmica natural do oceano e pode voltar a ocorrer sempre que houver a combinação entre maré astronômica baixa e ventos favoráveis ao afastamento das águas da costa.