[[legacy_image_355103]] Aproximadamente 50 pessoas acusam uma vendedora de kits de festas de golpe na Baixada Santista. Segundo as vítimas, que moram nas cidades de Santos e Praia Grande, ela vendia o chamado “kit desistência”, com preço mais baixo, alegando ser desistência de outro cliente, e exigia o pagamento à vista e adiantado, mas, a partir de abril, as encomendas não foram entregues. As possíveis vítimas perceberam que foram enganadas quando começaram a ver diversas postagens de outras pessoas lesadas, com fotos da vendedora, nas redes sociais. Devido ao número de vítimas na região, as consumidoras criaram um grupo no Whatsapp que já conta com 48 contatos, onde elas trocam informações sobre a vendedora e os possíveis golpes aplicados. Algumas mulheres já registraram boletins de ocorrência, acusando a vendedora de fraude e estelionato. Segundo a autônoma Carla Rodrigues, que reside em Santos, a vendedora do 'kit festas' atraía clientes via redes sociais, oferecendo o chamado “kit desistência”, que era um combo de produtos com salgados, doces, bolo e lembrancinhas por um preço mais baixo do que o praticado normalmente. “O que era o kit desistência: ela devolvia somente a metade do valor pago para a cliente que desistiu da encomenda e revendia o kit contratado para uma terceira pessoa. Postava, por exemplo: ‘1 mil salgados, 400 doces, um bolo de festa e lembrancinhas por R\$ 400’, mediante pagamento antecipado. A pessoa pagava antecipado e ela entregava”. [[legacy_image_355104]] Carla disse que as pessoas confiavam porque a mulher já é conhecida na região e tinha credibilidade. “Ela é super conhecida. Fez a festa de 15 anos da minha filha em 2022, eu contratei tudo dela e não tive problemas. Eu a indiquei para diversas pessoas e comprei outro kit para o aniversário do meu filho, em 6 de abril desse ano, mas comecei a ver diversas postagens de reclamações contra ela e liguei, preocupada, para saber se ela entregaria o meu kit”. De acordo com Carla, nos telefonemas, a vendedora dizia que estava enfrentando problemas diversos. “Ela sempre tinha uma desculpa, disse que teve dengue hemorrágica, a filha ficou internada, os cachorros quase morreram, ela tentou o suicídio, cortou o pescoço, enfim, contou diversas histórias. E eu sempre compreendendo”. O primeiro sinal de que as coisas iam de mal a pior foi a entrega do kit para o aniversário do seu filho. “No dia 5, ela já havia entregado um kit horrível a uma amiga. No dia da festa do meu filho aconteceu a mesma coisa. Ela mandou um bolo melado, os docinhos virados nas caixas, os brigadeiros esparramados dentro das caixinhas, estava tipo uma tortinha, a esfirra estava azeda. Tirei foto de tudo e mandei para ela”. Mas, em vez de cobrar o dinheiro de volta, Carla propôs que ela mandasse outro kit para este sábado, dia 4, para o aniversário do seu marido, mas o kit não veio. “De abril para cá, ela começou a cancelar kits de todo mundo e disse para as pessoas que não iria mais fazer porque não tinha condições. E ela desapareceu. Não atende mais ninguém”. A vendedora Fabiana Alves do Espírito Santo, residente em Santos, disse que em abril do ano passado comprou um kit para o casamento de sua irmã e a entrega ocorreu normalmente. Agora, um ano depois, ficou no prejuízo ao adquirir um “kit desistência” para o aniversário do filho de 3 anos. “Eu fiz o pix no nome dela mesmo, no valor de R\$ 300, no dia 2 de outubro do ano passado, valor integral. Mas, eu só fui descobrir que caí em um golpe na semana do aniversário do meu filho. A festa seria no dia 28 de abril. Quando liguei para combinar o horário da entrega, ela não atendeu mais. Uma vez, a minha irmã ligou, ela atendeu, ficou muda e desligou. Fui, então, até a casa dela, e o porteiro do prédio disse que ela tinha acabado de sair. Eu mandei uma mensagem dizendo a ela que eu estava lá na frente (prédio). Ela me respondeu que estava no hospital e mandou um print de soro, só que não era o nome dela (na etiqueta). Depois disso, ela não me respondeu nunca mais”. Fabiana registrou um boletim de ocorrência no sistema on-line da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no dia 29 de abril, acusando a vendedora do kit festas de fraude e estelionato, mas até este domingo (4), o boletim ainda não havia sido emitido e permanece com a seguinte mensagem no site da SSP: “Sua solicitação foi encaminhada para a delegacia eletrônica para análise”. Sem nenhum contato com a vendedora dos kits, o grupo de clientes lesados se organizam para pressioná-la a devolver os pagamentos efetuados em frente ao edifício onde ela reside, na orla de Praia Grande, neste domingo (5). Por meio de postagens nas redes sociais, as clientes lesadas apuraram denúncias de outras possíveis vítimas que datam de 2013, em Cabo Frio, no Estado do Rio de Janeiro. A reportagem de A Tribuna tentou entrar em contato com a vendedora, mas ela não atendeu as ligações até a publicação desta matéria.