Um frequentador bastante diferente chamou a atenção dos banhistas na praia da Vila Caiçara, em Praia Grande, no litoral de São Paulo. Theo, um macaco-prego, passeou pela faixa de areia, pulou nos braços de adultos e crianças, brincou e até tomou água em uma mamadeira. As cenas foram registradas em vídeo e viralizaram nas redes sociais, ultrapassando 135 mil visualizações. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O encontro aconteceu por volta das 16 horas do dia 8 de agosto, no fim de semana do Dia dos Pais. A autora das imagens é Thata Oliveira, de 30 anos, moradora de Praia Grande, que aproveitava a tarde na praia com a família quando percebeu a presença do animal acompanhado da tutora. Segundo Thata, a primeira reação da família foi se aproximar para conhecer o macaquinho. "Foi incrível, porque ninguém demonstrou medo. Ele também era um macaquinho super simpático, brincalhão, pulava no braço de todo mundo. Foi uma coisa meio surreal", contou. Interação com os banhistas Conforme a presença de Theo era percebida, mais pessoas se aproximavam. Nas imagens, o macaco-prego aparece escalando e pulando entre os braços dos banhistas. O irmão e a irmã de Thata estão entre aqueles que aparecem interagindo com o pequeno animal. "Ele não conhecia ninguém, estava apenas com a dona, mas, conforme as pessoas foram chegando, foi interagindo com todo mundo. Era adulto, criança. Achei incrível. Nunca tinha presenciado isso na minha vida, principalmente na praia", relatou. Thata também chegou a brincar com o animal, mas não conseguiu registrar o próprio momento. Segundo ela, a tutora permaneceu tranquila durante as interações e contou que Theo costuma ser brincalhão. Em outra cena que chamou a atenção, o macaco aparece tomando água em uma mamadeira. Thata disse não ter perguntado o motivo do uso do objeto, mas teve uma impressão curiosa ao acompanhar os cuidados. O passeio durou bastante tempo. Thata conta que sua família deixou a praia antes do animal e da tutora. "Eles ficaram um bom tempo lá. Tanto que fomos embora e ele continuou, como se tivesse ido para ficar na praia mesmo", afirmou. 'Momento cheio de risadas' A presença do primata rapidamente transformou Theo em uma atração na faixa de areia. Segundo Thata, não houve tumulto ou demonstrações de medo durante o período em que acompanhou a movimentação. "Conforme as pessoas iam percebendo a presença dele, todo mundo foi chegando perto para ver, mas foi um momento muito tranquilo e cheio de risadas." Foi justamente o caráter inesperado da situação que levou a moradora a pegar o celular e começar a filmar. "Eu decidi gravar porque foi algo inusitado para mim. Senti necessidade de registrar esse momento", explicou. O registro posteriormente ganhou as redes sociais e já acumula mais de 135 mil visualizações. Macaco-prego é um animal silvestre Apesar da cena descontraída, manter um macaco-prego como animal de estimação exige uma série de cuidados e regras específicas. Segundo o biólogo Eric Comin, os macacos-prego, dos gêneros Sapajus e Cebus, estão entre os primatas mais inteligentes e adaptáveis das Américas. Uma das características mais conhecidas desses animais é a capacidade de utilizar ferramentas na natureza para conseguir alimentos. Comin ressalta que a criação de um macaco-prego como animal de estimação é uma questão complexa, tanto do ponto de vista legal quanto do bem-estar do próprio animal. O biólogo alerta que adquirir animais silvestres sem comprovação de origem legal pode configurar crime ambiental. A Tribuna não teve acesso à documentação de Theo e, portanto, não é possível afirmar se a situação do animal registrado em Praia Grande é regular ou irregular. Dóceis quando jovens, comportamento pode mudar Outro ponto destacado pelo especialista é que a aparência dócil de um macaco-prego jovem não significa que o comportamento permanecerá igual durante toda a vida. "Enquanto filhotes, eles são dóceis e brincalhões. No entanto, ao atingirem a maturidade sexual, por volta dos 5 aos 7 anos, o instinto selvagem aflora e eles podem se tornar agressivos, territorialistas e imprevisíveis", afirma Comin. A longevidade também torna a decisão de manter um animal desse tipo um compromisso de décadas. Segundo o biólogo, sob cuidados humanos, um macaco-prego pode viver entre 40 e 50 anos. Além disso, são animais extremamente ativos e inteligentes. Por isso, necessitam de espaço adequado, enriquecimento ambiental e acompanhamento veterinário e nutricional especializado. "Manter um macaco-prego saudável e com o mínimo de bem-estar em um ambiente doméstico exige uma rotina de cuidados veterinários, nutricionais e psicológicos extremamente complexos", explicou o especialista. Segundo ele, ambientes inadequados e falhas no manejo podem provocar problemas físicos e comportamentais no animal. -Macaco prego (1.526743)