A dona de casa fez duas compras no Atacadão de Praia Grande; a primeira foi concluída normalmente, mas a segunda teve problema no Pix (Arquivo pessoal) Áudio gravado pela dona de casa Amanda de Sousa Gomes, de 39 anos, durante o impasse vivido no Atacadão da Avenida Presidente Kennedy, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, reforça o relato de que ela teria sido orientada por funcionários a realizar um novo pagamento pela compra ou conseguir dinheiro emprestado após uma falha no sistema de Pix. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! A gravação, obtida por A Tribuna, registra uma conversa entre Amanda e um funcionário do Atacadão que afirma ter ido ao local para apresentar uma solução após a confirmação de que o valor havia saído da conta da cliente, mas ainda não aparecia no sistema interno do supermercado de Praia Grande. O caso ocorreu no último dia 13, segunda-feira. Segundo o funcionário, a orientação da loja era que Amanda deixasse as mercadorias reservadas até que o valor fosse estornado automaticamente. "Saiu, sim, o dinheiro da conta da senhora, só que ainda não liberou no sistema. Quando isso acontece, o dinheiro é estornado. A senhora não quer deixar a mercadoria reservada aqui? Assim que o dinheiro voltar para sua conta, a senhora vem e finaliza a compra", diz o atendente na gravação. Amanda, no entanto, rejeitou a proposta e afirmou que já estava há mais de duas horas no supermercado aguardando uma solução. "Eu não tenho obrigação, nem responsabilidade, porque o sistema falhou. Se eu mostrei o comprovante de que o dinheiro saiu da minha conta, eu tenho todo o direito de ir embora com a minha compra", responde na gravação. "Mandaram eu arrumar dinheiro" Durante a conversa, Amanda afirmou que uma funcionária do Atacadão havia apresentado uma alternativa diferente da relatada pelo atendente. Segundo a dona de casa, a orientação foi conseguir dinheiro para realizar um novo pagamento. "Ela falou para eu arrumar dinheiro, passar a compra de novo. Eu falei: 'Eu não tenho mais dinheiro. Eu já paguei o valor da minha compra'. O dinheiro não vai voltar agora. Eu não vou voltar para casa sem comida para os meus filhos por causa de um erro do sistema", diz a mãe e dona de casa na gravação. Em outro momento do áudio, Amanda reforçou que não aceitaria pagar duas vezes pela mesma compra. "Ela falou que, se eu quisesse levar a compra, eu teria que pagar de novo. Eu não vou pagar duas vezes". Ainda na gravação, a dona de casa afirmou que a solução correta seria o supermercado registrar seus dados e permitir que levasse as mercadorias, caso o valor realmente retornasse à conta. "Ela que pegasse o comprovante, meus dados e falasse: 'A senhora leva e, se voltar para sua conta, depois acerta'. Mas querer que eu pegue dinheiro emprestado para pagar novamente eu não vou". "Não vou voltar para casa sem comida" Amanda também relatou no áudio o impacto da situação sobre os dois filhos, ambos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). A mãe afirmou que precisou afastar o filho mais velho da movimentação para evitar uma crise e questionou como retornaria para casa sem os alimentos comprados. "Como você volta para casa com duas crianças deficientes que compraram as coisas e não vão comer por causa de um erro do sistema?" A cliente ainda criticou o protocolo adotado pelo Atacadão durante a ocorrência. "O mercado acha que eu vou roubar R\$ 186? Eu paguei. Se não constou no sistema, não é problema meu. Resolva com o sistema, resolva com o banco". Relembre o caso Conforme mostrou A Tribuna, Amanda permaneceu por mais de duas horas no Atacadão de Praia Grande após realizar uma compra de R\$ 186,01 via Pix. Segundo a dona de casa, embora o valor tenha sido debitado em sua conta, uma instabilidade no sistema impediu a conclusão da operação, fazendo com que funcionários alegassem que o pagamento não havia sido realizado. A mãe e dona de casa afirmou que foi impedida de deixar a loja e o estacionamento, mesmo apresentando o comprovante bancário, e que seus dois filhos autistas sofreram crises durante a espera. Amanda registrou boletim de ocorrência e informou que pretende ingressar com ação judicial contra a empresa. O que disse o Atacadão Em nota enviada à reportagem, o Atacadão informou que houve uma instabilidade nacional no sistema de Pix, que deixou a transação pendente e impediu a conclusão da compra. A empresa afirmou que orientou a cliente sobre o estorno automático do valor e declarou que Amanda deixou o local com as mercadorias antes da chegada da Polícia Militar. O supermercado também afirmou lamentar os transtornos causados pela indisponibilidade do sistema e reiterou seu compromisso com o respeito ao consumidor e à transparência.