A primeira compra no Atacadão de Praia Grande feita pela dona de casa foi concluída normalmente; a segunda teve problema no Pix (Arquivo pessoal) A dona de casa Amanda de Sousa Gomes, de 39 anos, afirma ter vivido momentos de desespero após ser acusada de tentar deixar o Atacadão da Avenida Presidente Kennedy, no bairro Guilhermina, em Praia Grande, no litoral de São Paulo, sem pagar uma compra. Segundo ela, mesmo após apresentar o comprovante de pagamento via Pix, permaneceu impedida de sair do supermercado atacadista por mais de duas horas, acompanhada dos dois filhos, ambos diagnosticados com Transtorno do Espectro Autista (TEA). Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Amanda contou à reportagem de A Tribuna que, na última segunda-feira (13), chegou ao Atacadão de Praia Grande por volta das 19h20. Segundo a dona de casa, por estar acompanhada dos filhos autistas, solicitou atendimento prioritário, previsto na Lei Federal nº 14.626/2023, já que os caixas preferenciais estavam lotados e não havia um caixa exclusivo para pessoas com TEA. De acordo com Amanda, a atendente informou que ela deveria aguardar na fila comum. Diante da negativa, a dona de casa pediu para falar com o gerente do supermercado. Segundo seu relato, após a conversa, um funcionário abriu um caixa para atendê-la. Sistema caiu após pagamento Amanda afirma que realizou duas compras separadas. A primeira foi concluída normalmente. Já a segunda, no valor de R\$ 186,01, foi paga via Pix, mas, segundo ela, o sistema do Atacadão apresentou uma falha logo após a confirmação da transação, impedindo a impressão da nota fiscal. A dona de casa relata que mostrou imediatamente o aplicativo do banco, onde constava a transferência concluída. "Eu pedi apenas que imprimissem a nota em outro sistema. Foi quando disseram que eu não tinha pago a compra", afirma. Segundo Amanda, uma funcionária teria informado que o pagamento não constava no sistema interno do supermercado e acionou a equipe de prevenção de perdas. Pix do pagamento efetuado ao Atacadão de Praia Grande que foi mostrado aos funcionários (Arquivo pessoal) "Vocês não vão sair" A partir desse momento, segundo a cliente, começou a situação que ela classifica como constrangedora. Amanda afirma que funcionários impediram que ela deixasse o Atacadão de Praia Grande e, posteriormente, o estacionamento, mesmo após a apresentação do comprovante bancário. "Eles me cercaram. Eram cerca de cinco seguranças, além do chefe da prevenção e da fiscal de caixa. Diziam que eu não podia sair, porque não havia pago", conta. A dona de casa afirma que tentou deixar o supermercado diversas vezes e chegou a chamar um carro por aplicativo, mas não conseguiu embarcar, pois, segundo ela, os funcionários impediram sua saída. Ainda conforme o relato, a Polícia Militar (PM) foi acionada pelo telefone 190, mas nenhuma viatura compareceu enquanto Amanda permanecia no estabelecimento. Pai dos filhos precisou buscá-la Após mais de duas horas no supermercado, Amanda ligou para o pai dos filhos e pediu ajuda. Como ele não possuía veículo, chamou um vizinho da família para buscá-los. Segundo a dona de casa, mesmo quando os dois chegaram ao local, os funcionários continuaram impedindo a saída da família do Atacadão em Praia Grande. "Quando colocamos as compras dentro do carro, um segurança falou que iria nos seguir. Meu vizinho respondeu: 'Pode seguir'. Foi assim que conseguimos ir embora", afirma. Amanda relata ainda que, após deixar o supermercado, voltou a ligar para a Polícia Militar (PM) e foi orientada a registrar um boletim de ocorrência e adotar as medidas judiciais cabíveis. Filhos tiveram crises Durante toda a ocorrência, Amanda estava acompanhada do filho de 20 anos, diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista, deficiência intelectual, microcefalia, hipoacusia e psicose não orgânica, e da filha de 3 anos, diagnosticada com TEA nível 1 e TDAH. Segundo a mãe, os dois sofreram crises em razão da situação. "O meu filho entrou em crise de ansiedade, teve estereotipias intensas e um surto psicótico. Minha filha chorava sem parar e também entrou em crise", afirma a dona de casa. Amanda relata ainda que o filho apresentou alterações glicêmicas em razão da diabetes e que ambos permaneceram mais de 24 horas sem conseguir dormir após o episódio. Cliente pretende processar empresa Após deixar o supermercado, Amanda registrou boletim de ocorrência e afirma que pretende ingressar com uma ação judicial. A dona de casa diz possuir vídeos, fotografias, comprovantes bancários, registros da chamada ao 190 e outros documentos que, segundo ela, comprovam a sequência dos acontecimentos. "Nenhuma mãe deveria passar pelo que nós passamos", declara. Posicionamento Por meio de nota, o Atacadão alegou que, na noite de 13 de julho, "a cliente foi prontamente atendida e direcionada a um caixa de atendimento ágil na unidade e que, no momento do pagamento, uma instabilidade sistêmica nacional no serviço de Pix deixou a transação pendente e impediu a conclusão da compra". "A equipe da loja explicou a falha no sistema e informou que o estorno seria realizado automaticamente. Mesmo assim, a cliente acionou a Polícia Militar e deixou o local com as mercadorias antes da chegada da viatura. A gerência da unidade recebeu os policiais e prestou todos os esclarecimentos sobre os fatos", acrescentou o atacadista. Por fim, o Atacadão afirmou que lamenta o transtorno causado pela indisponibilidade no sistema de pagamentos e reforça seu compromisso com o respeito ao consumidor e à transparência.