[[legacy_image_319402]] Uma mulher, duas filhas gêmeas diagnosticadas com Transtorno de Espectro Autista (TEA) nível de suporte 2 e uma filha de 21 anos em processo de investigação do transtorno. Essa é a história da moradora de Praia Grande, a aposentada Eliane dos Santos, de 46 anos. Clique aqui para seguir agora o novo canal de A Tribuna no WhatsApp! As gêmeas Ana Julia e Ana Clara dos Santos Matos, de três anos, foram geradas em um momento em que a aposentada não esperava ter mais filhos: após uma cirurgia na coluna, uma trombose e exames para colocar o método contraceptivo DIU. Ela estava com 43 anos quando descobriu a gestação. “Eu tive uma dorzinha, o ginecologista achou que eu deveria estar entrando na menopausa precoce ou era por causa de um cisto que tinha aparecido no meu ultrassom. Ele passou os exames hormonais para que eu pudesse fazer. Aí quando eu fui fazer o ultrassom, foi que a médica virou pra mim e disse, ‘que é esse bebezinho aqui dentro?’”, lembra. A princípio era a notícia de apenas um bebê, e Eliane negou e até contestou. Posteriormente, ela descobriu que era uma gravidez gemelar e o susto duplicou, mas, aos poucos, foi se acalmando e levando a gravidez tranquilamente. Até que as meninas nasceram, em maio de 2020, em plena pandemia da covid-19. DiagnósticoA criação das gêmeas foi tranquila. Devido ao isolamento social, passaram muitos dias em casa. As meninas, agitadas, foram crescendo e Eliane notou que elas tinham dificuldades para se comunicar, mas até então, a mãe achou que era devido a falta de socialização, causada pelo isolamento social. Quando elas tinham um ano, Eliane decidiu matriculá-las em uma creche e foi aí que as coisas se intensificaram. A mulher lembra que uma das primeiras crises foi em uma festa junina. “Eu só sei que foi a gente chegar nessa festa e as meninas começaram a gritar. Mas elas gritavam tanto e eu achava que estavam estranhando tudo aquilo, que não tinham costume de sair e ver muita gente”, conta, Em outubro daquele mesmo ano, uma pedagoga chamou Eliane para conversar e contou que as meninas tinham um comportamento diferente: não se entrosavam com outras crianças, ficavam afastadas e jogavam brinquedos. Por isso, a profissional indicou que a mãe procurasse avaliação profissional. Mas foi em fevereiro de 2022 que as avaliações começaram de fato. “Eu só estava passando por situações e indo a médicos, sem ter nenhum diagnóstico”, explica. Um questionamento surgiu quando Eliane estava sozinha e as duas filhas entraram em uma crise em público. Uma outra mãe de autista notou e foi prestar ajuda, dizendo que entendia o que ela estava passando, pois também tinha um filho com TEA. Foi um diálogo com uma médica geneticista que validou todas as dúvidas da mãe atípica. “Primeiro ela falou, ‘mãe, olha, fica difícil a senhora vir sozinha aqui com essas meninas, porque eu não sei se eu te ajudo a cuidar delas ou se eu converso com você (...) você não pode ficar sozinha com elas, ainda mais elas sendo assim’. Eu falei, assim como, doutora? Então ela falou assim, ‘mãe, quanto tempo você sabe da deficiência das suas filhas?’” Eliane conta que naquele momento disse que não sabia e que estava ali para buscar esclarecimentos. Foi então que ouviu de um especialista, pela primeira vez, que suas filhas tinham autismo. Isso foi em fevereiro deste ano. “Foi um susto (...) quando eu cheguei em casa, desmoronei”. Com o diagnóstico de Ana Júlia e Ana Clara, veio um divórcio e muitas outras dificuldades, como enfrentar a maternidade atípica e também o preconceito que as filhas sofrem diariamente. “É uma vergonha, a gente tem que ficar brigando pra ter o direito, para ter uma coisa que é de direito e que muitas pessoas, muitos locais sabem e ficam fazendo vista grossa e nós temos que ficar brigando”, conta. Eliane conta episódios de preconceitos na rua, em transporte público e até mesmo falta de entendimento das pessoas que considerava. Para ela, a maternidade atípica é solitária. “Eu acho que a maior dificuldade é a rede de apoio e o preconceito” Seu maior apoio vem da filha mais velha, de 21 anos. Entretanto, após o diagnóstico e acompanhamento médico das caçulas, começou a perceber comportamentos atípicos da filha, que está sob investigação para saber se tem TEA também. Eliane destaca sobre o tratamento das filhas realizado no Hospital Infantil Gonzaga, em Santos, que tem se especializado no atendimento de pessoas com TEA. Recentemente, recebeu o certificado como o selo ‘Empresa Amiga do Autista’, sendo o único hospital da região a ter este selo. [[legacy_image_319403]]