Apesar do tamanho e dos rugidos poderosos, Timbó era um animal dócil que nunca causou nenhum acidente (Fernando Feijó/Arquivo/Prefeitura de Praia Grande) No interior, há quem acorde com o cantar do galo. No bairro Vila Sônia, em Praia Grande, litoral de São Paulo, durante a década de 1990, a vizinhança acordava com o rugido de Timbó, um leão africano resgatado dos maus-tratos de um circo itinerante. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! Tanto esta como outras curiosidades estão reunidas no livro digital Aconteceu em Praia Grande, do pesquisador da história da Cidade, Cláudio Sterque. “Você vai pesquisando e as histórias vão aparecendo. Uma coisa que aprendi com a minha mãe é que conhecimento não se guarda. Após 50 anos pesquisando, decidi reunir as mais fantásticas para publicar", afirma o pesquisador. Timbó, o Leão da Vila Sônia Segundo relatos de moradores da época, era comum que, por volta dos anos 50 e 60, pequenos circos itinerantes fizessem apresentações pelos bairros de Praia Grande. Em uma destas passagens pela região, um comerciante local avistou o pequeno Timbó, que com apenas 10 meses sofria de uma severa desnutrição e teve suas garras e dentes arrancados. Comovido, o comerciante negociou o Timbó com o circo e o levou para viver em sua chácara na Vila Sônia, onde ficou acomodado em uma velha cocheira, uma casinha para cavalos. Dono de um restaurante, o comerciante esbanjava recursos e comida suficientes para alimentar o leão africano. Apesar de seus rugidos poderosos que intrigavam a vizinhança na época, Timbó era um animal dócil que nunca causou qualquer incidente negativo. A amizade entre o homem e o felino se estendeu até a década de 1990, quando o comerciante ia se desfazer da chácara, porém, com uma condição: que Timbó permanecesse no lugar sendo alimentado até que fosse levado a um local adequado. Infelizmente, o acordo não vigorou por muito tempo e o novo proprietário do lugar impediu que qualquer um entrasse para alimentar Timbó. Revoltado, o próprio comerciante denunciou a situação de maus-tratos para as autoridades e a imprensa. Por determinação da Justiça, o leão da Vila Sônia teve que deixar a Baixada Santista e foi levado a um santuário no interior de São Paulo, onde viveu por mais alguns anos, “agora sim em uma vida de rei”, conta Sterque em seu livro.