Caso aconteceu na UPA do bairro Samambaia (Rodrigo Nardelli/ TV Tribuna) Quatro anos depois do crime, o médico pediatra acusado de bater e torturar um paciente foi inocentado na quinta-feira (27). O profissional foi acusado de bater na cara de uma criança de 8 anos durante um atendimento após o acidente sofrer um acidente de bicicleta. A polêmica ocorreu na Unidade de Pronto Atendimento (UPA), no bairro Samambaia, em Praia Grande, litoral de São Paulo. Clique aqui para seguir agora o canal de A Tribuna no WhatsApp! O caso aconteceu no dia 23 de janeiro de 2021 e ganhou repercussão na mídia. Na época, o médico foi afastado das atividades. O juiz Antonio Carlos Martins, da 2ª Vara Criminal de Praia Grande, considerou que houve grande desencontro entre o réu e a família do paciente desde o início. Inicialmente, os familiares da criança contaram que o médico deu um tapa no rosto do menino e falou para que ele parasse de chorar, ameaçando amarrá-lo. Essa versão foi contada para A Tribuna pelos parentes na época. O médico teria se exaltado, perguntando onde estava a mãe da criança e a chamando de irresponsável. O magistrado destacou que não foram apresentadas provas de que houve esse tapa, uma vez que nenhuma testemunha, inclusive as presentes no atendimento, corroboram com esta versão. “Ainda que fosse de se esperar comportamento mais receptivo, educado e cortês do médico em relação ao paciente, uma criança, e à família deste, obviamente nervosa em razão do acidente sofrido pelo infante e que reclamou do atendimento médico, fica muito claro que houve grande desencontro entre o réu e a família”, destacou o juiz. Outro ponto que foi solucionado pelo magistrado na sentença foi uma acusação de que o médico teria apertado diversas vezes o ferimento da criança durante o atendimento. O procedimento foi feito com luvas e o médico relatou que o protocolo exige a verificação das vias aéreas e do estado circulatório do paciente. Sendo assim, o pediatra disse que é necessário, em casos de ferimentos com sangramento, palpar as bordas da lesão para identificar vasos a serem suturados. Uma técnica de enfermagem depôs no caso e relatou que a vítima estava chorando e o médico o atendeu ‘brutalmente’ e foi brusco, segurando seu rosto para que ficasse quieto e que parasse, além de colocar a mão no corte. “O depoimento da técnica de enfermagem deixou também muito claro que ao médico faltaram ferramentas verbais de contenção à criança e sua família em momento tão delicado como o do atendimento médico, logo após o acidente, mas em relação ao procedimento médico, inclusive apalpação de bordas do ferimento, os fatos foram apreciados em sindicância pelo Conselho Regional de Medicina e devidamente arquivados”, considerou o magistrado. O que diz a defesa? Os advogados João Sales e Talis Prado, que defenderam o médico, ressaltaram, em nota, que a decisão judicial reconheceu a inexistência de qualquer conduta inadequada por parte do profissional, reforçando sua postura ética e comprometida com a saúde e bem-estar de seus pacientes. “Seguimos confiantes na justiça e no trabalho do médico, que sempre exerceu e continuará exercendo sua função com zelo e dedicação”, concluíram. A reportagem de A Tribuna tentou contato com a acusação, mas não obteve sucesso até a publicação desta matéria.